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Estado de Minas

Porta-vozes negam conflito entre tropas israelenses e brasileiras em Brumadinho

De acordo com eles, houve muita troca de informações entre os dois países. O motivo da saída seria que o contingente não se fez mais necessário


postado em 31/01/2019 13:10 / atualizado em 31/01/2019 13:42

(foto: Alexandre Guzanshe/EM)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM)
Em coletiva no início da tarde desta quinta-feira, os porta-vozes dos órgãos presentes nas buscas por vítimas da tragédia de Brumadinho negaram desentendimentos entre os socorristas brasileiros e as tropas israelenses. O rumor surgiu após os israelenses confirmarem a volta do grupo ao país de origem ainda nesta quinta-feira, o que pegou de surpresa autoridades e famílias das vítimas. De acordo com as autoridades, o motivo da saída seria que o contingente não se fez mais necessário.

“Nós estamos vivendo aqui uma situação clássica de operação interagências em que não há subordinação ou posição hierárquica”, disse o porta-voz do Comando Militar do Leste, Carlos Cinelli. Segundo ele, cada agência tem uma capacidade distinta, contribuindo para uma complementariedade dos esforços para o resgate.

O porta-voz da Defesa Civil, tenente-coronel Flávio Godinho, também negou que tenha havido qualquer conflito entre as as tropas brasileiras e israelenses. “Vale ressaltar a cordialidade e a receptividade do povo mineiro e brasileiro. Em momento algum houve notícia ou citação de qualquer  fato em que houvesse desarmonia entre e os órgãos.”

Godinho ainda ressaltou que os socorristas brasileiros aprenderam muito com as tropas israelenses. “Este é um momento de prestar solidariedade e a tropa de Israel fez da melhor maneira possível em sinergia com todos os órgãos aqui existente e trabalhando…  Eles complementaram, eles ajudaram, eles nos ensinaram novas formas de atuação. É bom deixar isso bem claro.

O chefe da sala de imprensa da Polícia Militar de Minas Gerais, major Flávio Santiago, reforça que a previsão de estada dos israelenses em Brumadinho era de uma semana e que isso se cumpriu. “A saída também se dá em função da desmobilização que eles precisam fazer amanhã já no próprio país de origem”, informou policial. “Eles viajam e, a partir das 18h de amanhã até o sábado, para que cheguem em condições de cumprir esse protocolo importante na cultura deles" - os judeus guardam o shabat para orações e nesse dia não trabalham.

Já o porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente Pedro Aihara, citou um exemplo de união entre os socorristas brasileiros e as tropas de Israel. Conforme explicou, antes da chegada deles ao país,  cada vez que os bombeiros localizavam um corpo, era feita uma oração em respeito à vítima. Após a chegada dos israelenses, como as religiões são diferentes, as orações foram trocadas por um minuto de silêncio.

Além disso, Aihara também confirmou que houve troca de conhecimento entre os brasileiros e os israelenses. “Eles ficaram altamente impressionados com os trabalhos realizados pelos bombeiros militares de Minas Gerais. Inclusive, muitas técnicas que até então eram desconhecidas dessa tropa de elite, elas foram ensinadas pelos bombeiros militares.”

“Israel também nos ensinou muita coisa, especialmente em relação ao manuseio de equipamento tecnológico, como a questão de georeferênciamento por drones e alguns outros recursos com a utilização de sonares e alguns tipos de radares.”

Segundo Aihara, os israelenses encontraram 35 corpos de vítimas.

*Estagiário sob supervisão do editor Benny Cohen


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