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Estado de Minas DEPOIMENTO

Tragédia em primeira pessoa: repórter do EM conta bastidores da cobertura do desastre de Brumadinho

Marcelo da Fonseca conta como foi acompanhar a agonia das famílias que esperam por notícias de seus entes queridos


postado em 26/01/2019 20:37

(foto: Edésio Ferreira/EM)
(foto: Edésio Ferreira/EM)

Entre jornalistas de vários estados e países que acompanhavam ao longo deste sábado (26) as informações sobre a tragédia de Brumadinho, estavam centenas de pessoas a espera das mesmas informações repassadas pelos coordenadores da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. Eram os parentes e amigos das vítimas desaparecidas em meio ao mar de lama que a mineradora Vale lançou sobre o povoado Córrego do Feijão.

Ao nosso lado, nas entrevistas coletivas, os familiares também cercavam as autoridades e tinham perguntas sobre os seus filhos e filhas, irmãs e irmãos, que desde a tarde de sexta-feira, quando a barragem se rompeu, não davam notícia. "Neste ônibus é possível que as pessoas estejam vivas?", perguntou um senhor ao porta-voz do Corpo de Bombeiros, antecipando a minha próxima pergunta sobre um veículo que foi achado soterrado pela lama ao lado da centro administrativo da mina. "Não. Aparentemente os funcionários dentro do ônibus estão todos mortos", respondeu o militar.

A resposta caiu como uma baque para o senhor e para outras dezenas que ouviam a coletiva ao nosso lado. A ansiedade dos familiares para descobrir o que aconteceu com seus entes aos poucos se transformava em desespero. Em seguida, se transbordava em raiva: "Vou ficar mais uma noite sem saber o que aconteceu com meu cunhado? Onde estão os representantes da Vale para nos dar as respostas?", reclamou a senhora que estava na passou a manhã inteira e parte da tarde em pé na portaria do gabinete de crise. 


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