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Estado de Minas

Angústia marca manhã de parentes dos desaparecidos no Centro de Brumadinho

Moradores relatam dor vivida desde ontem e torcem para que amigos e familiares sejam encontrados durante os trabalhos dos bombeiros


postado em 26/01/2019 09:51 / atualizado em 26/01/2019 10:04

João Coelho dos Santos completa 57 anos neste domingo, mas não terá motivos para comemorar(foto: Gabriel Ronan/EM D.A Press)
João Coelho dos Santos completa 57 anos neste domingo, mas não terá motivos para comemorar (foto: Gabriel Ronan/EM D.A Press)
"Meu sobrinho é como um filho pra mim. A gente só quer encontrar ele, seja vivo ou morto". O relato é de João Coelho dos Santos, que completa 57 anos neste domingo mas não terá motivos para comemorar. "Eu ia pro meu rancho hoje para celebrar com minha família. Íamos todos para Rio Manso, mas agora não tem mais clima", lamenta.

O mototáxi Luiz Custódio de Souza conhecia inúmeras pessoas que trabalhavam na Vale. Ele contou como uma vizinha, que prestava serviços nas proximidades da Pousada Nova Estância, se salvou do rompimento da mina do Feijão. "Ela me disse que escutou um grande barulho. Quando ela viu, a lama estava vindo. Daí, ela pegou a filha pelos braços e saiu correndo. A menina tem só 8 anos", conta.

Outro mototáxi, que não quis se identificar, está com um parente e o padrinho de sua filha desaparecidos. "Minha esposa e minha menina estão em Porto Seguro de férias. Falei com minha mulher, mas ainda não tivemos coragem de falar com minha filha", afirmou. Segundo ele, a noite foi de cochilos. "Deitei as 23h, mas mexi pra lá e pra cá. Despertei 6h. Dormir mesmo, não deu", prosseguiu. Ao decorrer da entrevista, o morador perguntava frequentemente por informações sobre os resgates. "Ninguém fala nada com a gente. Você tem foto aí pra me mostrar? Não fui ao local", perguntou.

Concentração de parentes de desaparecidos no centro operacional em Córrego do Feijão(foto: Mateus Parreiras/EM D.A Press)
Concentração de parentes de desaparecidos no centro operacional em Córrego do Feijão (foto: Mateus Parreiras/EM D.A Press)
Mauro Fonseca, de 75 anos, viveu alívio por um lado e desespero por outro. "Meus sobrinhos faziam serviços pra Vale. O Ronaldo conseguiu escapar com um caminhão. A gente conseguiu falar com ele. Só que o Rogério não. A irmã dele está desesperada. A gente liga, mas só dá caixa-postal. Ele estava no refeitório" disse. Segundo números do Corpo de Bombeiros, nove corpos já foram encontrados.

A corporação informou que o número de desaparecidos pode ultrapassar 350. Cerca de 100 militares trabalham na mina, considerando os efetivos de inteligência e busca e salvamento.

Ver galeria . 26 Fotos  Tragédia de Brumadinho - Rompimento de rejeitos da Barragem 1 da Mina Feijão (Córrego Feijão)Gladyston Rodrigues/EM/D.A press
Tragédia de Brumadinho - Rompimento de rejeitos da Barragem 1 da Mina Feijão (Córrego Feijão) (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A press )

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