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Estado de Minas

Rompimento de barragem em Brumadinho causa morte de peixes no rio Paraopeba; veja vídeos

Bacia do rio cobre 48 cidades de Minas Gerais; somadas, populações dos municípios ultrapassam 1,3 milhão de pessoas


postado em 26/01/2019 09:25 / atualizado em 26/01/2019 10:10



Os primeiros reflexos do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, já são percebidos no Rio Paraopeba. A lama acumulada passou a “represar” a água do rio, que ficou escassa e baixou de nível em determinadas partes do curso a partir das 12h desta sexta-feira. Com isso, peixes começaram a morrer.

"Surubim, dourado, tambaqui, mandi. Aqui a gente pega muito peixe. Com esse barro já era", contou morador de Mario Campo, Adair Ferreira Gonçalves, de 30 anos.
(foto: Reprodução/Youtube)
(foto: Reprodução/Youtube)


Segundo relatos de moradores de Brumadinho à reportagem (veja no vídeo acima), o nível da água baixou até 2 metros. “Tem muitos peixes morrendo na beirada, porque não tem água para eles mais. Dá para ver de longe. É muito peixe perdendo. É muito triste a situação”, lamenta Marcos Vinicius Santana.

Acúmulo de lama no Rio Paraopeba já provoca morte de peixes na região de Brumadinho(foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)
Acúmulo de lama no Rio Paraopeba já provoca morte de peixes na região de Brumadinho (foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)
 

Os peixes mais encontrados nos 546,5 km de extensão rio são corvinas, curimbatás, surubins e dourados. Existe a preocupação de que outras partes do Paraopeba, além da que corta Brumadinho, também sofram com os reflexos da tragédia - seja em função da lama, seja por conta de uma eventual contaminação da água com rejeitos de minério da barragem da Vale.

A bacia do Paraopeba cobre 48 cidades de Minas Gerais (veja a lista completa ao fim da matéria). Somadas, as populações desses municípios ultrapassam 1,3 milhão de habitantes, segundo dados do Censo Demográfico de 2010. Estima-se que esse número aumentou ao longo dos últimos nove anos.
Sem água em função da lama, peixes começam a morrer ao longo do Rio Paraopeba(foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)
Sem água em função da lama, peixes começam a morrer ao longo do Rio Paraopeba (foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)

O Paraopeba tem área de 12.054,25 km², que corresponde a 5,14% do território da bacia do rio São Francisco. Existe, portanto, a preocupação de que os rejeitos possam atingir até mesmo o mar.

A nascente está localizada em Cristiano Otoni, Mesorregião Metropolitana de BH, e tem foz na represa de Três Marias, no município de Felixlândia, na Região Central de Minas Gerais. Os principais rios da bacia são o Paraopeba, o Águas Claras, o Macaúbas, o Betim, o Camapuã e o Manso.

Cidades pelas quais o Paraopeba passa: Belo Vale; Betim; Bonfim; Brumadinho; Cachoeira da Prata; Caetanópolis; Casa Grande; Congonhas; Conselheiro Lafaiete; Contagem; Cristiano Otoni; Crucilândia; Curvelo; Desterro de Entre Rios; Entre Rios de Minas; Esmeraldas; Felixlândia; Florestal; Fortuna de Minas; Ibirité; Igarapé; Inhaúma; Itatiaiuçu; Itaúna; Itaverava; Jeceaba; Juatuba; Lagoa Dourada; Maravilhas; Mario Campos; Mateus Leme; Moeda; Ouro Branco; Ouro Preto; Papagaios; Pará de Minas; Paraopeba; Pequi; Piedade dos Gerais; Pompéu; Queluzito; Resende Costa; Rio Manso; São Brás do Suaçuí; São Joaquim de Bicas; São José da Varginha; Sarzedo; Sete Lagoas.
Mapa produzido pelo Igam mostra curso do rio Paraopeba(foto: Reprodução/Igam)
Mapa produzido pelo Igam mostra curso do rio Paraopeba (foto: Reprodução/Igam)

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