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Estado de Minas

Empresário presta depoimento sobre troca de tiros entre policiais em Juiz de Fora

O homem se apresentou na tarde desta segunda-feira na Corregedoria de São Paulo. Ele seria um dos envolvidos da transação suspeita que terminou no tiroteio. Um policial morreu


postado em 22/10/2018 18:30 / atualizado em 22/10/2018 18:42

Os tiros aconteceram em um complexo que liga um condomínio ao hospital Monte Sinai(foto: Fernnado Priamo/ Tribuna de Minas )
Os tiros aconteceram em um complexo que liga um condomínio ao hospital Monte Sinai (foto: Fernnado Priamo/ Tribuna de Minas )

Está sendo ouvido na Corregedoria de Polícia Civil de São Paulo um dos empresários que participava de uma transação suspeita em Juiz de Fora, na Zona da Mata, que terminou em troca de tiros entre policiais civis mineiros e paulistas. No tiroteio, um policial de Minas morreu e outras duas pessoas ficaram feridas. Dois delegados e dois investigadores de SP tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça e foram transferidos para o Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH.

De acordo com a Secretaria de Segurança de São Paulo, o empresário se apresentou na tarde desta segunda-feira acompanhado de um advogado. Ele presta depoimento para policiais da corregedoria, que apuram a conduta administrativa dos policiais paulistas. Além disso, irá ser questionado, via carta precatória, para o inquérito criminal aberto pela Polícia Civil de Minas Gerais.

Na noite de domingo, a Justiça mineira decretou a prisão preventiva de dois delegados e dois investigadores de São Paulo envolvidos na troca de tiros que resultou na morte do policial civil mineiro Rodrigo Francisco, de 39 anos. Na manhã desta segunda-feira, os quatro foram transferidos para o Complexo Penitenciário Nelson Hungria. Por meio de nota, a Secretaria de Segurança de São Paulo informou que delegados da Corregedoria da Polícia Civil e do Departamento de Polícia Judiciária da Capital paulista apuram  as circunstâncias do caso. Eles verificam o que os agentes faziam na cidade fora do horário de trabalho. “Comprovados desvios de conduta, os policiais envolvidos responderão administrativa e criminalmente, de acordo com os atos praticados por cada um”, completou.

Polícia apreendeu R$ 15 milhões em notas falsas(foto: Policia Civil/Divulgacao)
Polícia apreendeu R$ 15 milhões em notas falsas (foto: Policia Civil/Divulgacao)


Investigação


A linha de investigação da equipe da Superintendência de Investigação e Polícia Judiciária de Juiz de Fora é de que os policiais davam cobertura a uma transação possivelmente ilegal entre dois empresários marcada para ocorrer no estacionamento de um condomínio de consultórios que faz ligação com o Hospital Monte Sinai. As informações já obtidas dão conta de que os policiais faziam a escolta de um empresário que vinha de São Paulo para Juiz de Fora com uma quantidade de dólares para realizar a troca da moeda no município. O negócio deu errado, aparentemente, quando se descobriu que parte das cédulas em real que seriam usadas na troca pelo dólar eram falsas.

Quando o tiroteio começou, o empresário que estava com os dólares conseguiu fugir, mas quase R$ 15 milhões em cédulas de R$ 100, a maioria falsificada, foram apreendidos. Ele teria pegado um táxi-aéreo de Juiz de Fora para São Paulo. Autuado por tentativa de estelionato, ele é procurado pela polícia.

Os quatro policiais paulistas que estão presos foram autuados por lavagem de dinheiro e podem ser implicados pela morte do policial. Outros cinco policiais daquele estado foram ouvidos e liberados, mas a conduta deles ainda é investigada. Parte do grupo foi enquadrada no crime de lavagem de dinheiro e parte foi liberada. Fonte ligada aos primeiros trabalhos de apuração explicou ao em.com.br que o enquadramento em lavagem de dinheiro é explicado pelo fato de os policiais paulistas estarem protegendo uma negociação que tinha vários elementos indicativos de ser fruto de algum tipo de crime.

Três policiais mineiros foram indiciados por prevaricação, por terem conhecimento da operação ilegal e não tomarem medidas, mas podem responder por outros crimes, pois também continuam sendo investigados.

Na noite deste sábado a Polícia Civil de Juiz de Fora chegou a confirmar a morte de uma segunda pessoa ferida gravemente no tiroteio, mas a informação foi corrigida. De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Monte Sinai, um homem de 42 anos, dono de uma empresa de segurança contratado por um dos empresários, segue internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Irmão de um policial paulista, ele é suspeito de ter disparado o tiro que matou o policial mineiro.

A outra vítima, o homem de 66 anos que levou um tiro pé, passou por cirurgia e recebeu alta na noite desse domingo. A assessoria de imprensa do Hospital Monte Sinai informou que ele ficou sob responsabilidade do sistema prisional. Ele é apontado como dono do dinheiro falso e vai responder pelo crime de estelionato tentado.

O corpo do policial Francisco foi sepultado no fim da tarde de sábado, no Cemitério Municipal de Juiz de Fora. Ele deixou a mulher e uma filha de 5 anos.

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