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Estado de Minas

Exposição na Praça da Estação resgata joias sacras de Minas Gerais

'Em busca do patrimônio perdido' faz parte de campanha iniciada há 15 anos para reunir e valorizar o acervo cultural do estado


postado em 19/08/2018 06:00 / atualizado em 19/08/2018 07:56

(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Imagens barrocas, altares em policromia e outras preciosidades de Minas estão mais perto da população – e com maior chance de ser encontrados, dependendo da memória, de documentos antigos e das conversas em família. Passageiros do metrô de Belo Horizonte e Contagem e em trânsito para cidades vizinhas poderão ver até o dia 31, na Estação Central da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), na Praça Rui Barbosa (Praça da Estação), Centro da capital, a exposição Em busca do patrimônio perdido, promovida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), via Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC). A coordenadora da CPPC, promotora de Justiça Giselle Ribeiro de Oliveira, diz que a mostra faz parte da grande campanha iniciada há 15 anos no estado para o resgate dos bens sacros, ficando pela segunda vez em cartaz na cidade, depois de passar por Ouro Preto e Conselheiro Lafaiete, na Região Central.

No Dia Nacional do Patrimônio Histórico, comemorado em 17 de agosto, muita gente, na correria habitual, parou um tempo para ver os painéis e totens informativos com fotografias de bens culturais desviados de comunidades (igrejas, capelas, museus e prédios públicos) e ainda não encontrados. “É importante mostrar, pois são parte da nossa cultura. As pessoas podem ajudar muito”, disse a cuidadora Douglésia Fabian Lima, moradora do Bairro Jardim Montanhês, na Região Noroeste. Mesmo de religião evangélica, ela lembrou que as peças não são apenas símbolos dos católicos, mas do povo de Minas.

O projetista aposentado Zacarias Antônio dos Santos, “nascido no Bairro Lagoinha”, conforme contou, com muito orgulho, e morador do Cachoeirinha, ambos na Região Nordeste, também gostou do que viu. “Certamente tem muita coisa que foi roubada, e quem está de passagem pela estação pode ajudar com informações”, observou. Levantamento publicado com exclusividade pelo Estado de Minas mostra que 734 peças sacras desaparecidas ao longo de décadas são procuradas pelas autoridades mineiras. Como resultado das ações desenvolvidas em conjunto por diversas instituições, 269 peças já foram devolvidas à sociedade, com retorno a igrejas, capelas e museus, e 250 objetos de devoção, principalmente imagens de santos, estão sub judice, portanto aguardando decisão judicial.

TREM DA HISTÓRIA Ganhadora do Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça 2016, na categoria Inovação, a exposição está montada no espaço denominado Trem com Arte, próximo à escadaria que dá acesso à plataforma, e pode ser visitada todos os dias, das 5h40 às 23h. Conforme a CPPC, Minas é o estado com o maior número de bens protegidos, de reconhecido valor cultural.

A coordenadora da CPPC destaca que, apesar de Minas reunir um importante acervo cultural, há estimativa de que 60% do seu patrimônio cultural tenha sido retirado dos locais de origem. “Já no século 18, surgem notícias de furto de bens da Igreja Católica. A maior incidência, contudo, dá-se no século 20, após a valorização do Barroco mineiro, quando as peças sacras, em especial a imaginária, adquirem o caráter de obra de arte em razão do seu valor artístico, e se tornam objeto de interesse para colecionadores e comerciantes de antiguidades.” A exposição foi montada com base em banco de dados criado pela CPPC em 2015 e premiada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A mostra foi inaugurada em 22 de agosto de 2015, no Museu Mineiro, em Belo Horizonte. No ano seguinte, instalou-se em Ouro Preto, inicialmente na Casa dos Contos e, posteriormente, na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, registrando mais de 46 mil visitantes. No ano passado, seguiu para o município de Conselheiro Lafaiete, onde pôde ser vista no Centro Cultural Solar do Barão de Suaçuí.

A cidade que tiver interesse em receber a exposição deve entrar em contato com a Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico, pelo e-mail seccultural@mpmg.mp.br.


Exposição 'Em busca do patrimônio perdido'

De 16 a 31 de agosto
Horário: das 5h40 às 23h
Local: Praça Rui Barbosa, s/nº – Centro de Belo Horizonte. Espaço “Trem com Arte”, próximo à escadaria que dá acesso à plataforma
Entrada gratuita

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