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Estado de Minas

Às vésperas da campanha nacional contra o sarampo, Minas entra em alerta

Com 63 casos suspeitos da doença em Minas e explosão de contágio em estados da Região Norte, campanha de vacinação busca imunizar 11,2 milhões de crianças


postado em 02/08/2018 06:00 / atualizado em 02/08/2018 07:28

Postos da rede pública se preparam para imunizar especialmente crianças de até 5 anos. Cobertura desse público, que é o mais vulnerável, não chega a 70% (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
Postos da rede pública se preparam para imunizar especialmente crianças de até 5 anos. Cobertura desse público, que é o mais vulnerável, não chega a 70% (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)


Com o crescimento de casos na Região Norte do país e a confirmação de diagnósticos no Rio de Janeiro e em São Paulo, Minas Gerais entra em alerta máximo para a prevenção contra o sarampo. O estado não registrava até ontem casos confirmados, embora 155 suspeitas da doença já tenham sido notificadas. Delas, 55 foram descartadas e outras 63 ainda em análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed). A doença representa, ao lado da paralisia infantil (poliomielite), a maior preocupação do governo do estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde, na Campanha Nacional de Vacinação neste ano. A atenção se concentra ainda mais nos 1.027.305 menores de 5 anos, público-alvo da mobilização. A meta é vacinar 95% desse contingente, o que equivale a 975.940 crianças.

A campanha deste ano começa na segunda-feira e vai até o dia 31, com o Dia D de mobilização programado para o dia 18 deste mês. A preocupação quanto ao sarampo voltou à tona depois que os estados do Amazonas e Roraima registraram um número anormal de casos confirmados, 519 e 272, respectivamente. A concentração dos diagnósticos suspeitos e já confirmados está entre os menores de 5 anos. Por isso, o ideal é que cada criança nesta faixa etária receba duas doses do imunizante: uma tríplice viral (contra caxumba, sarampo e rubéola), entre 6 meses de idade e o primeiro ano de vida, e outra tetraviral (que protege contra as mesmas enfermidades, além da catapora) entre a primeira dosagem e os 15 meses de vida.

Para quem tem entre 2 e 29 anos e nunca se vacinou contra as doenças, a Secretaria de Estado da Saúde indica a aplicação de duas doses, com intervalo de 30 dias. Pessoas entre 30 e 49 anos precisam de uma dose para ficar imunes. Os maiores de 49 anos são considerados imunes ao sarampo, uma vez que já conviveram com a doença.

O reaparecimento do sarampo é atribuído a vários fatores, segundo Rodrigo Said, subsecretário de Proteção e Vigilância de Saúde de Minas Gerais. Entre eles está a negligência da população na hora de vacinar e falhas em processos das equipes técnicas. “Nosso chamado é para toda a população se conscientizar de que a vacinação é a principal estratégia de contenção de qualquer surto de sarampo”, ressaltou. Os dados da Saúde estadual mostram que o maior número de notificações se concentra nas regiões Central, Centro-Oeste, Leste, Sul e Triângulo Mineiro.

O índice de cobertura vacinal tem caído desde 2014. Neste ano, apenas 66,79% do público-alvo está imunizado, segundo a secretaria. A pasta ainda destaca que o índice de vacinação contra o sarampo também esteve baixo no ano passado, quando apenas 88% das crianças foram vacinadas. “Esse fato é bastante preocupante, uma vez que a maior parte dos casos suspeitos de sarampo ocorre em crianças, geralmente menores de 5 anos, que já deveriam estar como esquema de vacinação completo. Além disso, o índice de complicações e óbitos também é maior nesse grupo”, afirmou a SES.

O desafio também atinge os profissionais da saúde pública, já que a maioria deles nunca precisou tratar pacientes diagnosticados com o sarampo. Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com o Hospital das Clínicas, vai promover atividades de capacitação dos servidores lotados nas 4.056 salas de vacinação espalhadas por Minas Gerais. O primeiro compromisso está marcado para amanhã, às 15h, quando palestrantes vão discutir aspectos clínicos e a campanha de vacinação com os trabalhadores. O conteúdo poderá ser acessado pela internet, por meio do www.telessaude.hc.ufmg.br. Intercâmbio com servidores do Amazonas e de Roraima, que têm trabalhado diretamente com a doença, também está no cronograma. Em Minas Gerais, os últimos casos da doença foram confirmados em 2013. Os pacientes, dois irmãos, contraíram sarampo em uma viagem à Flórida, nos Estados Unidos. 

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)


PÓLIO
Outra doença incluída no quadro de prioridades da Campanha Nacional de Vacinação, a paralisia infantil também representa preocupação em Minas Gerais, que tem apenas 66,34% das crianças vacinadas. Isso representa quase 700 mil menores de 5 anos sujeitos à enfermidade.

A imunização, que se tornou conhecida pelo personagem Zé Gotinha, passa por três doses da Vacina Inativada Poliomielite (VIP) aos 2, 4 e 6 meses de vida. Depois, crianças maiores de 15 meses até os 5 anos devem receber a Vacina Oral Poliomielite (VOP), que é um reforço.

A doença não é registrada no país desde 1990, mas, enquanto houver circulação do vírus, vacinal ou selvagem, em qualquer outro país, há risco de reintrodução da pólio no território brasileiro. A doença está presente em países da África, Ásia e Oriente Médio. A principal forma de prevenção é a vacina.

 

 

SAIBA MAIS


 

Sarampo

É uma doença viral, infecciosa, aguda, transmissível, altamente contagiosa e comum na infância. Febre, manchas avermelhadas, dificuldades respiratórias e oculares, como tosse e conjuntivite, são alguns dos sintomas. A transmissão pode ocorrer de uma pessoa a outra por meio de secreções expelidas ao tossir, falar, espirrar ou até na respiração. O contágio pode se dar ainda por dispersão de gotículas no ar em ambientes fechados.

Poliomielite

É doença infecciosa, altamente contagiosa, provocada pelo poliovírus. Em contato com o corpo humano, o vírus se multiplica no intestino e pode invadir o sistema nervoso central, o que leva à perda de massa muscular e paralisia. A transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa por meio de alimentos e água contaminados, ou pelo contato com gotículas de secreções, como ao falar, tossir e espirrar.

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