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Estado de Minas

Cadela ferida a tiros melhora, mas quadro ainda é muito grave

Animal foi encontrado chorando perto de uma obra. Disparos causaram lesões serias na região da boca, além de infecção. Delegado disse que há dois suspeitos do crime


postado em 26/07/2018 12:20 / atualizado em 26/07/2018 12:27

À esquerda, foto da cadela hoje: disparo feriu a mandíbula e a língua, causando infecção. Alimentação por sonda não está descartada(foto: Marlon Mendes/Divulgação)
À esquerda, foto da cadela hoje: disparo feriu a mandíbula e a língua, causando infecção. Alimentação por sonda não está descartada (foto: Marlon Mendes/Divulgação)


A cadela que foi encontrada baleada na terça-feira vem apresentando melhora, mas ainda apresenta estado de saúde muito grave e ela poderá precisar de cirurgia. A informação é da clínica veterinária que está cuidando dela em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O caso é investigado pela Polícia Civil da cidade, que já tem dois suspeitos. 

A fêmea, que ainda não tem nome, era vista constantemente circulando pela obra da estrada que liga Caeté a Barão de Cocais, na Região Central de Minas. De acordo com informações a Sociedade Galdina Protetora dos Animais e da Natureza de Caeté (SGPAN), na tarde de terça, algumas pessoas ouviram o choro da cadela e, ao verificar, constataram os ferimentos. A médica veterinária de animais silvestres Paula Senra, que trabalha na obra, a socorreu e a levou para uma clínica particular em Caeté.

“Ela está em estado bastante grave porque teve muitas lesões vasculares. Os projéteis lesionaram veias e artérias da boca. Ela também tem necrose nos tecidos, principalmente na língua. Ela já perdeu metade da língua, e isso tem dado muita dificuldade para ela se alimentar. Se não melhorar até amanhã, vamos colocar uma sonda nela via pescoço”, explicou ao em.com.br o veterinário Horácio Alves dos Anjos Júnior, na manhã desta quinta-feira. Segundo ele, até o momento, a equipe alimenta a cadela depositando a alimentação líquida direto na garganta. Os disparos também fraturaram a mandíbula da cadela e, segundo o veterinário, não há condições de operá-la normalmente. Antes de qualquer procedimento, será preciso estabilizar as lesões e curar a infecção no local dos ferimentos. “Ela está tendo uma resposta satisfatória. Está sendo mantida com todo o suporte, com soro, aquecimento”, esclareceu o profissional. 

Desde que foi internada, alguns moradores procuraram a clínica veterinária para visitar a cadela ferida, mas os veterinários ainda não permitiram a entrada por conta do estado delicado dela. 

INVESTIGAÇÕES A agressão contra a cadela é investigada pela Delegacia de Polícia Civil de Caeté. Nesta quinta-feira, o delegado Guilherme Guimarães Catão disse que os trabalhos começaram hoje. “O crime de maus-tratos aos animais é considerado de menor potencial ofensivo. Fazemos um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência). Essa ong de Caeté é muito atuante. Eles fazem muitos registros de casos de maus-tratos e todos eles acabam com uma punição”, explica o policial. Segundo ele, os responsáveis pelos delitos devem pagar multa ou realizar prestação de serviços, conforme a legislação atual. 

Mas, segundo ele, é possível que a situação possa ser diferente, o que vai depender de um exame dos estilhaços dos projéteis retirados dos ferimentos da cadela. A informação inicial é de que ela teria sido atingida por chumbinho. “Vou comparar a munição com as que temos de armas aqui. Se não for chumbinho, não vai ficar restrito apenas ao TCO não. Aí bifurca: é tratado o caso de TCO de maus-tratos e outro de disparo de arma de fogo”. Este último crime, conforme o Estatuto do Desarmamento, pode levar a uma pena de dois a quatro anos de prisão, e multa. O delegado adiantou que há dois suspeitos do crime, mas não vai repassar mais detalhes para não prejudicar as investigações. 

COMO AJUDAR Um grupo de pessoas está fazendo vaquinha para pagar o tratamento da cadelinha. Quem puder ajudar pode deixar doações na clínica em que o animal está internado – na Avenida Mundeus, 51, Bairro Mundeus, em Caeté – ou por meio de depósito bancário na conta da ONG, Caixa Econômica Federal, agência 1441, operação 003, conta-corrente 00001943-2. O CNPJ é o 10431376/0001-04.

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