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Estado de Minas

Cochilo ao volante causou 79 mortes em BRs de Minas no ano passado

Mortes de PMs em batida causada por caminhoneiro que diz ter dormido ao voltante chamam a atenção para letalidade em ocorrências desse tipo. Óbitos aumentaram 58% em um ano


postado em 24/07/2018 06:00 / atualizado em 24/07/2018 07:44

Desgovernada, carreta arrastou veículos para fora da pista, destruindo o carro em que viajavam os policiais (foto: PRF/Divulgação)
Desgovernada, carreta arrastou veículos para fora da pista, destruindo o carro em que viajavam os policiais (foto: PRF/Divulgação)

A batida violenta que matou três policiais militares de Nova Serrana, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais, na manhã de ontem, na BR-262, liga o alerta para um risco silencioso ao qual estão sujeitos todos os motoristas. Logo após o acidente, causado pelo condutor de uma carreta que invadiu a contramão no Km 460 da rodovia, no município de Araújos, o causador do desastre disse aos policiais que atenderam a ocorrência que cochilou ao volante. Na pista contrária, ele acertou três veículos de passeio, um deles com quatro PMs que seguiam para o trabalho, deixando três mortos e um gravemente ferido. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que essa situação não é exceção em Minas Gerais. Enquanto em 2016 morreram 50 pessoas em 921 acidentes cuja causa presumível foi o sono, no ano passado o número de óbitos por esse motivo deu um salto de 58%, passando para 79, mesmo com redução no número de batidas, que fecharam o ano em 823 ocorrências atribuídas à mesma causa.

No acidente de ontem, os sargentos Paulo Ricardo Ferreira da Silva e Aguinaldo Marcos de Oliveira Santos e os cabos Junio dos Santos e Fábio Paulo dos Santos saíram em um Fiat Palio de Bom Despacho, Centro-Oeste de Minas, para o 60º Batalhão de Nova Serrana, onde pegariam serviço às 6h30. Apenas Fábio sobreviveu à batida. Ele foi levado no helicóptero do Corpo de Bombeiros, em estado grave, para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde permanecia internado até a noite de ontem. Em outro carro de passeio três pessoas ficaram levemente feridas e ninguém se machucou no terceiro veículo atingido. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista da carreta bitrem do tipo tanque passou pelo teste do bafômetro, que não apontou ingestão de bebidas alcoólicas. A PM manifestou extremo pesar pelo acidente e enviou condolências aos familiares e amigos dos policiais.

O inspetor Aristides Júnior, chefe do Núcleo de Comunicação da PRF em Minas, destaca que o sono é um problema inerente a qualquer um, muitas vezes negligenciado pelos condutores. “Quando o sono vem, por mais que a pessoa tente se manter acordada, não vai conseguir, seja de madrugada, no início da manhã, após o almoço ou uma refeição mais pesada. É, sim, uma situação de grande risco e as pessoas nunca enxergam dessa forma”, afirma. O certo, segundo o policial, é não insistir no volante caso os sintomas apareçam. “Ao primeiro sinal de sono, é preciso parar e descansar um pouco”, afirma o inspetor.

PISTA SIMPLES Apesar de a BR-262 ter 547 quilômetros concedidos à iniciativa privada entre Betim, na Grande BH, e Campo Florido, no Triângulo Mineiro, apenas 93 são duplicados, entre Betim e Nova Serrana. Dali em diante, a rodovia segue em pista simples, incluindo o trecho da batida de ontem – à exceção de duplicações pontuais em um percurso de menor movimento entre Uberaba e Campo Florido. Os trabalhos de concessionária Triunfo Concebra começaram em setembro de 2014 e o pedágio é cobrado desde junho de 2015.

50 mortes foram registradas em 2016 em 921 acidentes cuja causa presumível foi o sono

Questionada sobre o assunto, a Triunfo Concebra informou em nota apenas que a duplicação de 10% iniciais era condição contratual para início de cobrança de pedágio, assim como a conclusão dos trabalhos iniciais de roçada, recuperação de sinalização vertical e horizontal, recuperação asfáltica e implantação de sistemas de drenagem, além de construção de 24 serviços de Atendimento ao Usuário. Acrescentou ainda que entregou 65 quilômetros de pistas duplicadas na 262 em junho de 2015.

Para a PRF, pistas sem duplicação favorecem a ocorrência de colisões frontais, tipo de acidente que mais mata nas estradas. “A rodovia de pista simples faz com que o motorista tenha que ter uma atenção muito maior, principalmente nas ultrapassagens”, diz o inspetor Aristides Júnior. Mas o policial também destaca que a maioria dos acidentes é causada por falhas humanas, e que a postura dos condutores também pode evitar tragédias nesse tipo de rodovia.

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