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Estado de Minas COPA 2018

Franceses e croatas que vivem em Minas se preparam para domingo histórico

Enquanto os mineiros se dividem na torcida para ver quem fica com a taça da Copa do Mundo, torcedores vivem momentos de expectativa


postado em 14/07/2018 06:00 / atualizado em 14/07/2018 09:32

Patrick Bonnefond se prepara para receber 300 conterrâneos e arrisca o placar: 2 a 0 para a França (foto: GLADYSTON RODRIGUES/EM/D.A PRESS)
Patrick Bonnefond se prepara para receber 300 conterrâneos e arrisca o placar: 2 a 0 para a França (foto: GLADYSTON RODRIGUES/EM/D.A PRESS)

Na bandeira dos dois países estão as mesmas cores: azul, branco e vermelho; e no coração dos torcedores, na final da Copa 2018, vigoram os tons da vontade de ganhar o jogo, vibração extrema e garra para mostrar qual é melhor seleção do mundo. As equipes da Croácia e França entram em campo amanhã, no Estádio Luzhniki, em Moscou e, a milhares de quilômetros, os mineiros dão os seus palpites e dividem as opiniões. Uns são croatas “desde criancinhas”, outros vão gritar allez les bleus (vão, azuis!) para adversários.


Para os europeus, é vencer ou vencer. “Vai ser 2 a 0, sem prorrogação”, garante o dono do restaurante, importadora e padaria Mon Caviste, Patrick Bonnefond, que vai receber cerca de 300 conterrâneos para ver a partida. Já em Montes Claros, no Norte de Minas, o croata Vlatko Zaimovic promete ficar grudado na telina e arrisca, cauteloso, o placar de 2 a 1 ou 1 a 0. “Esta copa será inesquecível para mim. Será lembrada para sempre, pois meus filhos nasceram e, pela primeira vez, a Croácia chega à final da Copa, com chance de ganhar”, diz Zaimovic.


Viatko Zimovic, os filhos Rfael e Gabriel e a mulher, Nely, formam a torcida croata em Montes Claros (foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A/Press)
Viatko Zimovic, os filhos Rfael e Gabriel e a mulher, Nely, formam a torcida croata em Montes Claros (foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A/Press)

Na tarde de ontem, o clima já era de coração apertado, muita expectativa e fé de que tudo vai ser resolvido nos 90 minutos de jogo. Segurando a bandeira da França ou protegida por ela, como um manto, Patrick, de 33 anos, cinco dos quais residente em Belo Horizonte, é todo sorriso. Com o português perfeito, a não ser pelo sotaque em uma ou outra palavra, ele confia na pontaria de Giroud e Mbappé para decidir. “Estou feliz e um pouco apreensivo. Afinal, estarei com a casa cheia amanhã, dia da final, e ainda tem a Festa Francesa hoje” – o evento será na Praça José Mendes Júnior, ao lado da Praça da Liberdade. Para o francês, a juventude e talento de Mbappé, de apenas 19, vai levá-lo longe, superando a trajetória do brasileiro Neymar.


Casado com uma belo-horizontina, o economista Vincent Furlan, de 30, nascido em Lille, clidade localizada quase na fronteira francesa com a Bélgica, está tranquilo e acredita em 2 a 1. “Vamos repetir o placar França e Croácia de 1998”, diz Furlan, que trabalha na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e mora na capital há seis anos. Para ele, os gols serão de Kanté e Giroud. “Acho que vou me juntar à galera do meu país, pois minha mulher está na Bélgica. Aliás, depois do jogo em que o Brasil foi eliminado, ela contou que a comemoração belga teve muito samba na rua. E você joga bola? Com elegância discreta, ele brinca: “Eu gosto de futebol, mas o futebol não gosta de mim”.

BOA CHANCE Na Savassi, o dono da creperia La Bastille, Guy Jöel Ferchouli, arrisca também o palpite de 2 a 1. E, com os dedos faz o gesto com as mãos – mostrados a partir do polegar, como se faz na França. Já para o conterrâneo Furlan, que aprendeu com os brasileiros, o sinal é de vitória. “Estamos entusiasmados, meu filho Hugo, de 19, e eu. O importante, nesta Copa, é a presença de países, como a Croácia, que nunca tinham chegado à final.”


Sem resmungar por não chegarem à final, belo-horizontinos dividem as opiniões. Morador do Bairro de Lourdes, na Região Centro-Sul, o advogado Renato Dias acredita na vitória croata. “Fico feliz com a chegada dos novos ao Mundial, que, desta vez, não terá os favoritos de sempre, como Inglaterra, Argentina, Uruguai, Alemanha e Brasil”, afirma. “Os grandes fizeram descaso dos outros times e aí está a resposta. Vai ser 2 a 1, sem prorrogação”, crava.


Com a camisa amarelinha, o estudante de Pedro Bahia, de 19, torceu muito para o Brasil, mas agora está indeciso. “Acho que vai ser 2 a 1, para um ou para outro. Meu amigo está me convencendo a torcer para a França”, observa o morador do Bairro Gutierrez, na Região Oeste. O amigo Bernardo Morais, estudante de história, vai de França, e aposta em 1 a 0 ou 2 a 0, e se escora em “questões política”, mesmo certo de que isso não tem nada a ver com o gramado.

Pezinhos quentes que dão sorte

Amanhã, as cores da Croácia vão dominar um apartamento em Montes Claros, no Norte de Minas. O lar em questão é do croata Vlatko Zaimovic, de 42 anos, adiantando que ficará “grudado” na televisão para torcer pela seleção do seu país no jogo contra a França. Engenheiro químico, Zaimovic mora no Brasil há quatro anos, desde que se casou com a dentista Nely Lopes Cachoeira, natural da cidade mineira.


A equipe croata, que pela primeira vez na história chega à final da Copa do Mundo, também ganhou notoriedade na Rússia pela presença dos filhos dos seus jogadores nos gramados, antes e depois dos jogos. A fofura dos pequenos encantou o mundo na comemoração histórica da vitória da equipe (por 2 a 1, de virada na prorrogação) contra a Inglaterra, na última quarta-feira. Assim como jogadores da seleção do seu país, Zaimovic vive um momento ímpar: pouco antes do início da competição, ele se tornou pai dos gêmeos Rafael e Gabriel, que completaram 50 dias na última quinta-feira.


Como um torcedor fanático durante os jogos da Croácia, ele usa a camisa e cachecol com as cores da seleção do país. Decorando o apartamento onde mora, uma enorme bandeira da equipe. “Sempre fico concentrado e muito nervoso. Até converso com os vizinhos e com o porteiro do prédio”, afirma o croata, que mora no Bairro Edgar Pereira. Ele se prepara para superar mais tensão na final deste domingo.


A mãe, Nely, veste os “pequenos torcedores” Gabriel e Rafael com camisetinhas com as cores da Croácia. “Costumamos dizer que eles têm os pezinhos quentes da sorte na Copa”, afirma Nely, que é casada com Zaimovic há quatro anos. Eles se conheceram no Rio de Janeiro, durante uma visita ao Cristo Redentor.

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