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Estado de Minas

Revitalização da Praça da Liberdade expõe dívida social com população de rua

Enquanto cartão-postal passa por requalificação, agora ampliada para prédios no entorno, moradores de rua ainda exigem a atenção do poder público no ponto turístico


postado em 05/07/2018 06:00 / atualizado em 05/07/2018 17:44

Homem dorme na área da Biblioteca Pública, um dos prédios que passarão por reformas(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)
Homem dorme na área da Biblioteca Pública, um dos prédios que passarão por reformas (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)

A revitalização da Praça da Liberdade e de locais que compõem o circuito cultural formado por 16 espaços em seu entorno promete oferecer para a população novas instalações para o lazer, segurança e cultura em Belo Horizonte. A expectativa é que um dos principais cartões-postais da capital mineira se torne mais atrativo ao público e que isso aumente o nível de ocupação, prejudicado pelas denúncias de problemas de manutenção. Mas um desafio social segue exigindo atenção do poder público e não tem previsão de ganhar ações para ser solucionado com a revitalização urbanística: a situação dos moradores de rua no entorno da praça, um dos pontos já consolidados na cidade com presença de quem não tem onde morar.


A concentração de barracas permanece em frente ao anexo da Biblioteca Pública, prédio que também passará por reformas, e a um quarteirão da praça, na Rua Bernardo Guimarães, em frente ao Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran/MG). Moradores desses locais relatam que não houve nenhuma ação específica para motivar a saída e eles pretendem continuar nos mesmos lugares. Ontem, depois de já ter anunciada a reforma da praça em parceria com a Prefeitura de BH, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG) revelou também a abertura, a partir de novembro, de mais um espaço no Circuito Liberdade e a revitalização da pintura de cinco equipamentos por meio de parceria com a iniciativa privada.


“Não estamos aqui porque queremos, mas sim porque não temos para onde ir. De um ano para cá a pressão do poder público aumentou, sempre com a presença da Polícia Militar aqui, onde a gente fica mais. Mas ninguém disse nada sobre essa reforma. Na praça mesmo eles já não deixam ficar ninguém que mora na rua, então, está tudo do mesmo jeito”, diz um morador de rua que não quis se identificar. Há 10 anos ele habita diferentes pontos próximos do Anexo Professor Francisco Iglésias, um dos prédios que ontem tiveram o anúncio de reforma pelo Iepha/MG e que faz parte da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. Outro ponto de concentração da população em situação de rua é o quarteirão da Rua Bernardo Guimarães entre a Avenida João Pinheiro e a Rua da Bahia. No local há barracas. “Estamos aqui do mesmo jeito. Ninguém se preocupa com quem mora na rua e não sabemos se vai mudar alguma coisa por conta da reforma”, diz outra moradora, que também não se identificou.


Pertences de moradores de rua foram vistos ontem no interior da Praça da Liberdade, mas o avanço da colocação dos tapumes pode ter diminuído o fluxo de pessoas nessa condição por ali. Em frente à entrada principal da biblioteca, onde é comum ver muitas pessoas em situação de rua, ontem havia apenas um homem dormindo e poucos pertences à vista.


Prédio verde da antiga Secretaria de Viação e Obras Públicas vai abrigar Casa do Patrimônio(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)
Prédio verde da antiga Secretaria de Viação e Obras Públicas vai abrigar Casa do Patrimônio (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania informou que o trabalho do órgão no complexo da Praça da Liberda é sistemático, com abordagens semanais, nos três turnos: manhã, tarde e noite e sua atuação consiste na sensibilização e escuta das pessoas em situação de rua. Ainda segundo o texto, moradores em situação de rua são encaminhados para acolhimentos institucionais do município, bem como para benefícios, além de reinserção familiar quando possível”. A secretaria ressaltou ainda que não faz retirada compulsória de pessoas ou materiais do espaço público.

MAIS NOVIDADES Ontem, o Iepha anunciou que o edifício da antiga Secretaria de Viação e Obras Públicas, fechado desde a administração estadual passada, vai abrigar a Casa do Patrimônio, projetada para receber galerias de exposições, ateliê de restauração com possibilidade de visitação e áreas destinadas para ações institucionais ligadas ao patrimônio histórico de Minas. Conhecido como prédio verde, o imóvel, que fica na esquina da praça com a Rua Gonçalves Dias, passará por obras de revisão da infraestrutura elétrica, recuperação do piso, retorno das estruturas originais, e adequação às normas do Corpo de Bombeiros, além de modificações no Ateliê de Restauro para viabilizar a visitação pública.


“Ele vai abrigar a sede do Iepha e do Circuito Liberdade e ainda trazer grandes espaços abertos à população para que a gente faça a promoção e a salvaguarda do patrimônio cultural”, afirma Michele Arroyo, presidente do Iepha. O secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, lembrou ainda que entidades da sociedade civil serão convidadas a ocupar o espaço da Casa do Patrimônio.


Também estão previstas revitalizações nas fachadas do próprio prédio verde, além dos edifícios que abrigam o Museu Mineiro, o Arquivo Público Mineiro, o coreto da Praça da Liberdade e o muro e as grades do Palácio da Liberdade. Parcerias com as empresas Coral, Casa & Tinta, Grupo Orguel e com o Sindicato da Indústria da Construção Pesada de Minas Grais (Sicepot/MG) viabilizaram as novas pinturas, por meio do programa Tudo de Cor. A presidente do Iepha anunciou também obras na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais e no Anexo Professor Francisco Iglésias. Serão R$ 5 milhões para a reforma desses dois espaços.

Um dos edifícios que terá nova pintura é o Arquivo Público Mineiro, que apresenta sinais de desgaste além de depredação causada por pichação(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)
Um dos edifícios que terá nova pintura é o Arquivo Público Mineiro, que apresenta sinais de desgaste além de depredação causada por pichação (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)

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