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Estado de Minas

Prefeitura quer transformar Arraial de Belo Horizonte em referência turística

Em sua 40ª edição, o Arraial de 2018 vai até 15 de julho, com mais de 200 eventos espalhados pela cidade


postado em 17/06/2018 09:32 / atualizado em 17/06/2018 09:42

Dançarinos do grupo São Gererê desfilaram pelos corredores do Mercado Central ontem (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press )
Dançarinos do grupo São Gererê desfilaram pelos corredores do Mercado Central ontem (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press )

Fortalecimento da culinária mineira, reafirmação cultural e o sonho de transformar o Arraial de Belo Horizonte em um expoente turístico da cidade. Com esse três ingredientes, a Prefeitura de Belo Horizonte quer consolidar de vez a receita para tornar a festa junina oficial uma das grandes atrações no calendário de BH, em processo semelhante ao que ocorreu com o carnaval, que vem crescendo a cada ano. Em sua 40ª edição, o Arraial de 2018 vai até 15 de julho, com mais de 200 eventos espalhados pela cidade. Como prato de entrada para a festança, o Mercado Central viveu ontem uma manhã de alta gastronomia.

No Concurso Prato Junino, promovido pela prefeitura por meio da Empresa Municipal de Turismo (Belotur), em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e com a Frente da Gastronomia Mineira, alunos de faculdades de gastronomia da capital mostraram seus talentos em iguarias recheadas de história, tradição e sabores da estação.

Entre eles, o Caldin Orai-por-nós reuniu uma mistura de batata-baroa, frango, ora-pro-nóbis, farofa de bacon e panhoca de milho. “Nossa inspiração veio das aulas de cozinha brasileira. Antigamente, quando a missa ainda era rezada em latim, o padre falava a expressão 'orai por nós'. As mulheres, que estavam cozinhando, pediam para buscar o ora-pro-nóbis na horta, colocavam no frango e, quando acabasse a missa, o prato estaria no ponto certo”, disse a estudante Marina Luvizotto, do quarto período da faculdade de gastronomia da Una.

Quem também usou o ora-pro-nóbis para encantar os juízes foi o grupo da Faculdade de Gastronomia da Estácio de Sá. Além do vegetal, o prato ressaltou duas outras tradições mineiras: a costelinha e o angu. “É um bolinho de canjiquinha, com costelinha desossada e desfiada e um velouté (molho de inspiração francesa) com ora-pro-nóbis. O bolinho ainda é empanado com farinha de torresmo”, ressaltou Rogério Bandeira de Melo, que está no quinto período.

Também vencedor, o Surpresa Mineira apostou em um escondidinho de pernil, com canjiquinha e creme de queijo minas artesanal. “Esse prato surgiu de um outro que a gente fez o ano passado, durante um trabalho de aproveitamento integral dos alimentos. Queríamos fazer um prato diferente, com o uso de sobras limpas”, disse Elisete Ribeiro, que estuda gastronomia no Promove.

Única sobremesa do evento a ser premiada, as “Camadas de junho” foram criação da aluna Ana Cláudia Soares, do Senac. Trata-se de uma receita servida em copos com camadas de mousses de canjica e amendoim, broa coalhada e caramelo de rapadura. Amendoim crocante, pipoca de sagu e caldo de capim-limão e especiarias complementam a iguaria. “É a única sobremesa. Concorri na faculdade com oito pratos, entre doces e salgados, e a disputa foi bem acirrada”, destacou a estudante.

Um dos ingredientes da receita da prefeitura para transformar o Arraial de BH em referência no calendário da cidade, Concurso Prato Junino põe sabores de Minas à mesa no Mercado Central (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
Um dos ingredientes da receita da prefeitura para transformar o Arraial de BH em referência no calendário da cidade, Concurso Prato Junino põe sabores de Minas à mesa no Mercado Central (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)


De acordo com Ricardo Rodrigues, presidente da Abrasel e da Frente da Gastronomia Mineira, a cidade busca a redefinição do arraial, por meio do apoio à cozinha mineira, classificada por ele como “a melhor do Brasil”. Na mesma linha, o vice-prefeito de Belo Horizonte, Paulo Lamac, destacou a ajuda de parceiros para a realização do evento, além da oportunidade do fortalecimento do turismo da capital. Ele também ressaltou a união entre as faculdades, os governos municipal e estadual e o público presente, o que, para ele, destaca ainda mais a culinária do estado.

Para o presidente do Mercado Central, Geraldo Campos, o histórico de Minas Gerais com as festas juninas é ingrediente fundamental. “É uma tradição muito grande, que faz parte do calendário cultural dos mineiros. Acho que não tem mineiro que não goste de uma festa junina e dos pratos típicos que são degustados nesta época.”

Antes da etapa de ontem, as faculdades promoveram competições internas para escolher os pratos representantes. Como regra, o regulamento previa que as iguarias, doces ou salgadas, deveriam ser compostas por pelo menos dois ingredientes típicos das festas juninas, como torresmo, queijo minas, milho, quiabo, mandioca, canela, coco, amendoim, rapadura, fubá ou cachaça, entre outros.

QUADRILHA Também ontem, o Cortejo Junino saiu do Parque Municipal Américo Renné Giannetti até a Praça da Estação. Com entrada franca, quadrilhas tradicionais da cidade animaram quem passava pelo Centro da capital com carroças enfeitadas pelos próprios grupos.

Entre elas, estava o grupo São Gererê, pentacampeão do Arraial de Belo Horizonte, que ontem também fez a festa de quem frequentava o Mercado Central, momentos antes do início do Concurso Prato Junino. Em busca de mais uma conquista, a equipe se prepara para apresentar, no fim de semana dos dias 30 de junho e 1º de julho, sua performance no Concurso Municipal de Quadrilhas Juninas, cuja categoria principal reúne outras 12 concorrentes.

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