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Estado de Minas

Rotativo digital vai mudar lógica que vigorava há 50 anos em Belo Horizonte

Talões de estacionamento serão substituídos, a partir da semana que vem, por aplicativo para celular. Mudança facilita a fiscalização e não altera taxas


postado em 07/06/2018 06:00 / atualizado em 07/06/2018 06:46

Funcionário adiciona instrução sobre uso de crédito eletrônico em placa de estacionamento rotativo(foto: Jair Amaral/EM/D.A PRESS)
Funcionário adiciona instrução sobre uso de crédito eletrônico em placa de estacionamento rotativo (foto: Jair Amaral/EM/D.A PRESS)
A forma como o belo-horizontino estaciona seu veículo em vagas públicas vai mudar depois de 50 anos da publicação da lei que criou o faixa azul, com a gradativa substituição dos tradicionais talões por aplicativo, que deverá ser lançado na semana que vem.

Segundo o diretor-presidente da BHTrans, Célio Bouzada, a mudança permitirá, por exemplo, uma fiscalização eletrônica. A empresa espera que a adoção do método possibilite um combate mais efetivo aos flanelinhas, que burlam os revezamentos de vagas, e traga maior agilidade para os motoristas pararem seus carros. Por outro lado, Bouzada já avisou que essa transição não vai significar a redução do preço do estacionamento para os condutores.

Placas de estacionamento rotativo já começam a receber instruções sobre o novo método. A mudança poderá, ainda, trazer de volta para as ruas os agentes da BHTrans, uma vez que sua atuação não levará diretamente a autuações, o que tinha sido vedado em 2009 pela Justiça, devido ao fato de a empresa de transporte e trânsito municipal ter capital privado em sua composição.


A informação de que os agentes da BHtrans poderão voltar a autuar nas ruas por meio da conferência eletrônica dos veículos estacionados ainda não é admitida pela empresa, mas fontes do setor indicam esse movimento, que careceria de um calçamento jurídico. O próprio prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, chegou a declarar no ano passado sua intenção de tornar a BHTrans uma autarquia municipal, conseguindo, assim, reaver essa função perdida na Justiça.

De acordo com o diretor-presidente da empresa, o novo sistema de faixa azul entrará em atividade e o antigo desaparecerá gradualmente durante um período transição, mas ainda poderá ser utilizado indefinidamente, como ocorreu com os vales-transportes de papel. “O talão terá uma vida cada vez menor. Quem o tem, não vai perder”, afirma Bouzada. “Esperamos, com isso, facilitar a vida do cidadão. Hoje, temos de nos deslocar até um posto de venda antes de estacionar. Com o novo método, as pessoas estacionam e acionam o aplicativo, ganhando mais agilidade”, afirma. Por ora, a fiscalização do faixa azul está suspensa até mesmo pela Guarda Municipal e a Polícia Militar. É que o contrato de distribuição venceu em 29 de maio, e os talões estão em falta.


PAGAMENTO
No Diário Oficial do Município, as funções do novo sistema indicam a liberação da vaga por conferência de posicionamento por GPS e conferência pela placa do veículo. Os pagamentos seriam feitos por cartão bancário num aplicativo que pode ser descarregado nos smartphones dos sistemas IOS e Android, os mais populares do mundo. O revezamento de vagas eletrônico por aplicativo terá fiscalização feita por meio de smartphones portados pelos agentes de trânsito. Eles serão capazes de verificar a validade do estacionamento de cada veículo, conferindo simplesmente a sua placa com o aparelho. “Será uma conferência muito prática e transparente, sem a interferência do fiscal”, disse Bouzada.

A medida permitirá, também, barrar os negócios paralelos muitas vezes promovidos por flanelinhas, como fraudes de colocação do faixa azul. Os clandestinos costumam receber por mês dos clientes e posicionar o rotativo apenas quando a fiscalização se aproxima, gerando perda de receita e o não funcionamento do revezamento de vagas. “Uma das nossas intenções é também acabar com a extorsão feita pelos flanelinhas – que em muitas oportunidades achacam os condutores, cobrando preços exorbitantes pelas vagas e pelos talões que vendem. Eles não poderão mais reservar vagas para os clientes nem fazer essa distribuição dos rotativos”, disse.

FRAUDES
Outra prática a ser combatida é a de renovação dos créditos sem o revezamento, uma vez que que os motoristas receberão mensagens telefônicas alertando para o fim de seus créditos, informou o presidente da BHTrans. Mas, apesar de a supressão do faixa azul significar redução de gastos com impressão, logística de distribuição e evasão de divisas devido às fraudes, Bouzada disse que isso não implicará diminuição do preço do serviço de revezamento de vagas.

“Na realidade, no aspecto de negócio, vamos trocar de custos. Porque o novo aplicativo usa transações bancárias eletrônicas que têm taxas fixas e outras sobre o valor. Então, não tem uma vantagem do ponto de vista financeiro, mas, sim de serviços ao cidadão”, disse. O aplicativo será escolhido por meio de chamamento público, disse Bouzano.

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