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Estado de Minas

Veja como foi o assalto a banco com reféns em Papagaios

Família de tesoureiro ficou refém de bandidos por 20 horas. Funcionários também foram rendidos. Bomba falsa foi amarrada em uma das vítimas durante a ação


postado em 05/06/2018 06:00 / atualizado em 05/06/2018 07:46

Agência bancária da cidade da Região Central de Minas que foi alvo da ação dos criminosos(foto: Beto Novaes/EM/DA Press)
Agência bancária da cidade da Região Central de Minas que foi alvo da ação dos criminosos (foto: Beto Novaes/EM/DA Press)

Papagaios – As hélices do helicóptero da Polícia Militar (PM) ainda giravam quando a porta da aeronave se abriu e uma salva de palmas recepcionou a pequena Maria Vitória e sua mãe, Sirley Valentin. A emoção de estarem livres após 20 horas sob o poder de sequestradores, que queriam roubar o banco onde o pai da garota trabalhava, fez com que os abraços nos parentes fossem mais fortes e longos. Um sentimento de alívio que comoveu os policiais e os habitantes do pacato município de Papagaios, na Região Central de Minas Gerais.

No domingo, por volta das 16h, Lúcio da Silva Barcelos chegou em casa de bicicleta. Não percebeu quando quatro homens se aproximaram armados e o obrigaram a entrar na residência, onde fizeram a esposa e a filha reféns. “Os funcionários do banco reconheceram um dos bandidos. Disseram que ele frequentou a agência uma semana antes do crime. Por isso essa foi uma ação planejada. Eles levantaram a rotina de trabalho da agência e de seus funcionários para o roubo”, afirma o coronel Geovane Silva, comandante do Comando de Policiamento Especializado (CPE) da PM.

Sob a ameaça dos homens, que estavam armados com revólveres e pistolas, o tesoureiro foi instruído a levar os ladrões até a agência do Sincoob. Para manter o controle sobre o gerente, os bandidos prenderam a sua cintura um dispositivo coberto de fita isolante e fios elétricos ligado a um celular e que foi tratado como sendo uma bomba.

Na manhã de ontem, por volta das 8h, dois dos bandidos cobriram as cabeças de mãe e filha com um cobertor e as levaram de carro para um imóvel em Contagem, na Grande BH, ameaçando matá-las caso o tesoureiro não colaborasse, ou se o grupo fosse preso.

Lúcio e os outros dois criminosos seguiram para a agência, onde os 13 funcionários que lá estavam foram rendidos. O cofre foi aberto e uma quantia de dinheiro, ainda não informada, foi passada para um dos bandidos que fugiu de carro. O outro comparsa queria também o dinheiro referente aos municípios de Maravilhas e Pitangui, mas toda essa movimentação chamou a atenção da população, que acionou a polícia militar.



Do pelotão de Papagaios, que fica a apenas um quarteirão do banco, desceram várias viaturas e a agência foi cercada. O criminoso então tirou a bomba de Lúcio e a instalou na cintura de um caixa identificado apenas como Marcos, que foi instruído a se posicionar na frente da agência, à vista dos policiais, para impedir que o local fosse invadido. Segundo informações da polícia, o bandido tentou ganhar tempo e mandou os reféns saírem de mãos nas cabeças para distrair a polícia, enquanto ele fugia pela janela dos fundos.

A dona de casa Laura Duarte estava fazendo a filha, de 3 meses, dormir quando viu o suspeito pular da janela do banco para o telhado da garagem dela. “Tomei um susto danado. Sabia que estavam roubando o banco, mas quando eu vi o homem correndo no muro e pulando para o telhado do vizinho, só pensei em fugir com a minha filha para a rua”, lembra.

O suspeito Edson Cassiano Corrêa, de 32 anos, acabou preso quando saltou para o telhado do vizinho. Com ele foram apreendidos um revólver calibre 38 e seis munições. O explosivo foi removido da cintura do caixa do banco por policiais do Esquadrão Antibomba, que veio de Belo Horizonte e foi detonado num local seguro, mostrando que se tratava de um dispositivo falso, de tubos de PVC recheados com areia. No meio da tarde, a mãe e a criança foram libertadas num bairro de Contagem. Elas conseguiram fazer contato com a polícia e foram levadas de helicóptero para encontrar com o pai em Papagaios. Ninguém ficou ferido.

PERFIL
A ficha criminal de Edson é extensa, contendo um histórico de 22 páginas com diversas passagens por crimes como roubo. Por volta das 15h, enquanto a polícia ainda rastreava a família sequestrada e fazia diligências, uma advogada que não quis se identificar, apareceu para representar o detido. Ela não explicou como foi acionada tão rapidamente e não quis conceder entrevista. Tudo isso leva a polícia a crer que se trata de uma quadrilha muito organizada. “São elementos da região de Belo Horizonte, que agem como oportunistas, identificando alvos no interior. Mas a Polícia Militar agiu com rapidez e conseguiu impedir o roubo, graças também a colaboração da população que estranhou essa movimentação e denunciou”, disse o coronel. 

Confira como foi o ataque à agência bancária em Papagaios

 

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)

No domingo, por volta das 16h, o tesoureiro Lúcio da Silva Barcelos chegou em casa de bicicleta e foi rendido por quatro homens armados. Eles o obrigaram a entrar no imóvel, onde fizeram a esposa e a filha dele reféns. Pela manhã, as duas seriam levadas de carro para um imóvel em Contagem, na Grande BH, sob ameaça de morte


(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)

Pressionado pelos ladrões e com um dispositivo que seria uma bomba preso à cintura, o bancário foi obrigado a levar o bando até a agência. Lá, 13 funcionários foram rendidos. O cofre foi aberto e uma quantia de dinheiro, ainda não informada, foi passada a um dos bandidos, que fugiu de carro. A movimentação chamou a atenção da população, que acionou a Polícia Militar (PM)

 

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)

Com a agência cercada, o criminoso tirou do corpo do tesoureiro a suposta bomba – que depois se descobriria ser falsa – e a prendeu a um dos caixas do banco, que foi instruído a se posicionar na frente da agência. O ladrão mandou os reféns saírem de mãos na cabeça, na tentativa de distrair a polícia. Porém, ele foi preso ao tentar fugir. Mãe e filha foram libertadas mais tarde, em Contagem

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