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Estado de Minas

Teste de segurança na Barragem Casa de Pedra é adiado devido à falta de combustível

Para economizar combustível, Defesa Civil cancela simulado de evacuação no entorno da Barragem Casa de Pedra marcado para domingo e esperado há seis meses pelos moradores


postado em 26/05/2018 06:00 / atualizado em 26/05/2018 09:54

(foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
(foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)

Seis meses depois de o primeiro e único teste com as sirenes que podem alertar as cerca de 4,8 mil pessoas que vivem ameaçadas pela Barragem Casa de Pedra, em Congonhas, em caso de rompimento da estrutura, o novo teste de acionamento do equipamento de segurança, marcado para amanhã, acabou sendo cancelado para que os órgãos estaduais envolvidos economizem combustível. A recomendação foi da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec). O documento que foi encaminhado pelo órgão estadual às associações comunitárias, prefeitura, Corpo de Bombeiros Militar, Companhia Siderúrgica Nacional, que é a operadora da barragem, foi assinado pelo tenente-coronel Rodrigo de Faria Mendes, coordenador-adjunto da Cedec. O motivo é o momento de paralisações e manifestações contra os tributos dos combustíveis, que impôs um uso racional desse recurso para que não falte a serviços tidos como de maior prioridade. Mesmo após o Ministério Público ter atestado que atualmente a barragem se encontra estável, desde 2013 essa estrutura, que contém mais de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro, apresenta fragilidades estruturais que vêm sendo corrigidas e ameaçam três bairros na cidade histórica, a 60 quilômetros de Belo Horizonte, na Região Central de Minas Gerais.

“Visando à otimização do uso de combustível para a garantia dos serviços de segurança pública e saúde em todo o estado, houve cancelamento de agendas e eventos de secretarias e demais órgãos estaduais que demandem deslocamentos”, diz o documento. A informação frustrou mais uma vez a comunidade, que vive tensa sob as atividades de mineração que chegam a ocorrer a pouco mais de 200 metros das casas dos Bairros Cristo Rei, Residencial Gualter Monteiro e Lucas Monteiro. Um possível rompimento representaria uma tragédia para as vidas dessas comunidades, além de uma devastação ambiental sobretudo porque o Rio Maranhão corre logo abaixo do barramento e deságua no Rio Paraopeba, um grande manancial de abastecimento da Grande BH e também importante afluente do Rio São Francisco.

Sem remarcar o teste, o documento encaminhado pelo coordenador-adjunto menciona apenas a disposição em manter a atividade. “Esta Cedec reconhece a grande importância dos simulados em epígrafe, ao que se coloca à disposição e dará todo apoio necessário à realização das aludidas atividades na data oportuna mais próxima possível”, diz o comunicado, sem especificar alguma data ou sequer estimar.

Não apenas o cancelamento, mas também a postura de considerar o teste de acionamento de sirenes como um “exercício simulado” deixaram mais uma vez pairando um clima de frustração para as comunidades ameaçadas em Congonhas. “Anunciaram que seria só teste de sirenes, no domingo próximo. A Defesa Civil do Estado (Cedec) está tratando como simulado ou como exercício simulado”, salienta o diretor da União das Associações Comunitárias de Congonhas (Unaccon), Sandoval de Souza. De acordo com ele, mais uma vez a população acaba sendo privada de orientações e recomendações de como se agir em caso de uma tragédia, para que consiga salvar suas vidas e as dos seus familiares. “O primeiro evento, que também foi chamado de simulado, não passou de um acionamento de uma das sirenes, e que foi tão baixo que nem os vizinhos do aparelho puderam distinguir o ruído em meio aos seus afazeres”, afirma.

Atualmente, há cinco aparelhos de sinalização sonora instalados nas áreas de inundação da Barragem Casa de Pedra, mas apenas uma está preparada para os bairros, sendo que as demais se posicionam sobre a estrutura do barramento, para alertar os funcionários da CSN, e as outras três em áreas pouco povoadas e de atividades de outras mineradoras. Sinalizações e demarcações de áreas de fuga, pontos de encontro e áreas de autossalvamento foram feitas pela prefeitura e a mineradora, mas muitas delas têm sido questionadas, o que apenas poderá ser definitivamente resolvido após a realização de exercícios com a comunidade ameaçada.

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