Publicidade

Estado de Minas

Aos 119 anos, Santa Casa BH planeja abrir faculdade

Aniversário foi celebrado com missa na capela da instituição na segunda-feira


postado em 22/05/2018 06:00 / atualizado em 22/05/2018 07:57

A Clínica dos Olhos da Santa Casa será realocada para abrir espaço ao Instituto de Oncologia até o fim de 2019 (foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press - 10/4/18)
A Clínica dos Olhos da Santa Casa será realocada para abrir espaço ao Instituto de Oncologia até o fim de 2019 (foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press - 10/4/18)

Com uma série de dificuldades, mas disposta a tocar projetos audaciosos nos próximos anos, a Santa Casa BH comemorou ontem 119 anos. Entre os planos, a implantação de uma faculdade de medicina ligada à instituição, com investimento de R$ 30 milhões, e a realocação da Clínica de Olhos, cujo prédio atual dará lugar ao Instituto de Oncologia, centro integrado para tratamentos de câncer em adultos e crianças. A expectativa é de que as modificações sejam concluídas até o fim do ano e, em 2019, o número de sessões mensais de quimioterapia no hospital tripliquem e as de radioterapia mais do que dobrem, comentou o provedor, Saulo Levindo Coelho.

No caso da faculdade de medicina, já há até espaço para a execução do projeto, mas ela ainda depende de autorização do Ministério da Educação. “Encomendamos à Fundação Dom Cabral um plano de negócios, e o estudo concluiu que em três anos já será possível cobrir todos os investimentos. O mais importante e o mais cara está pronto, que é o hospital. Temos uma área do Centro de Especialidades (CEM) com até 9,4 mil metros onde (a escola) cabe direitinho, só faltam as divisórias. Cabem a escola de medicina e outras da área da saúde, que futuramente virão”, disse Coelho.

Para abrir a faculdade de medicina, era preciso ter autorização do Ministério da Educação (MEC) para outros cursos. Já estão aprovados os de administração de empresas, gestão hospitalar e técnico em recursos humanos. No entanto, em abril de 2018, o governo federal suspendeu a criação de novas graduações em medicina pelos próximos cinco anos. Diante disso, a Santa Casa tem feito um trabalho de gestão em Brasília para que o presidente Michel Temer abra uma exceção no decreto para que a regra não se aplique aos hospitais filantrópicos de ensino.

Aberta em 1899, dois anos depois da fundação da capital mineira, a Santa Casa foi o primeiro hospital da cidade. A instituição oferece 36 especialidades médicas e atende 80% dos municípios mineiros. No ano passado, foram feitas 36.574 internações. Para marcar o aniversário, foi celebrada na manhã de ontem uma missa de ação de graças na capela do hospital, que fica no Bairro Santa Efigênia, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

ATRASOS Presente na solenidade, Saulo Levindo Coelho também falou do atraso nos repasses do governo de Minas à Santa Casa. “O governo do estado tem com a gente vários convênios cujos repasses estão acumulados desde 2016. Há um atraso de R$ 35 milhões”, computou. Segundo ele, a Santa Casa tem lançado mão de empréstimos bancários até mesmo para cobrir os salários de seus 4,9 mil colaboradores, que chegam a R$ 16 milhões. “Mas temos confiança de que as coisas vão melhorar”, disse o provedor do hospital.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde lembrou que a área herdou um déficit de R$ 8 bilhões e que, entre 2016 e 2017, o governo federal reduziu seus repasses em cerca de R$ 473 milhões, mas garantiu “estão em tramitação processos de indenização dos valores pendentes com a Santa Casa com previsão de regularização nos próximos dias. No dia 16, diz a nota, câmara de concialiação no Ministério Público de Minas Gerais, com a participação da SES, advogacia-geral do estado e Federasantas, ficou estabelecido prazo de 180 para a regularização da situação contratual dos prestadores.

Durante a cerimônia, o empresário e fundador da Casa de Acolhida Padre Eustáquio (Cape), José Marcílio Nunes Filho, e o deputado federal José Saraiva Felipe (PMDB) receberam a Medalha Doutor Aloysio de Faria. A outorga reconhece o trabalho de pessoas, instituições e empresas que prestam relevantes serviços à sociedade no campo assistencial em todo o país. A medalha leva o nome do médico, banqueiro e empresário Aloysio de Faria, cujas contribuições custearam equipamentos hospitalares na Santa Casa BH e obras em outras instituições de saúde da capital.

Também presente na celebração, o vice-prefeito de Belo Horizonte, Paulo Lamac (Rede), falou da importância da Santa Casa para a capital. “É uma instituição referência na saúde de Belo Horizonte, no estado de Minas, um espaço em que as pessoas sabem que, além da disponibilidade histórica da Santa Casa, é também um espaço de referência na qualidade do atendimento à saúde”, disse Lamac.

 

 

RAIO-X


Números de atendimento da Santa Casa BH em 2017
A Santa Casa BH realizou 36.574 internações

    23.448    Cirurgias Gerais;
    16.710    tratamentos de glaucoma;
    791    cirurgias do sistema nervoso;
    2.655    cirurgias do aparelho respiratório;
    313    cirurgias de mama;
    2.654    tratamentos cardiovasculares;
    985    cirurgias cardiovasculares – adulto;
    259    cirurgias cardiovasculares pediátricas (até 17 anos);
    872    cirurgias do aparelho de visão;
    2.066    cirurgias de catarata;
    925    tratamentos dialíticos;
    3.574    partos (normal e cesária);
    1.234    partos de alto risco;
    258    transplantes de órgãos e tecidos;
    4.079    tratamentos oncológicos;
    1.963    cirurgias oncológicas – adulto;
    31    cirurgias oncológicas pediátricas;
    22.264    sessões de quimioterapia;
    1.206    sessões de quimioterapia pediátrica;
    51.228    sessões de radioterapia;
    2.878    sessões de radioterapia pediátricas;

Fonte: Santa Casa

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade