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Estado de Minas

Com aumento da tarifa do metrô, BH terá reforço do Move nesta sexta

A possibilidade de um recuo do governo federal sobre o aumento imediato da tarifa do metrô não se concretizou e passagem subiu mesmo para R$ 3,40


postado em 11/05/2018 06:00 / atualizado em 11/05/2018 08:07

Na véspera da alta, usuários tentam garantir a compra de bilhetes a R$ 1,80, limitada a cota de 10 por passageiros (foto: Marcos Vieira/EM/DA Press)
Na véspera da alta, usuários tentam garantir a compra de bilhetes a R$ 1,80, limitada a cota de 10 por passageiros (foto: Marcos Vieira/EM/DA Press)

A BHTrans anunciou ontem à noite que vai reforçar as linhas do Move, a partir das 5h de hoje, devido ao reajuste da tarifa do metrô da Região Metropolitana de Belo Horizonte, de R$ 1,80 para R$ 3,40. A empresa não detalhou como será o reforço, que poderá absorver eventual aumento da demanda de passageiros, já que, com o novo valor do metrô, o custo das viagens de integração podem superar os R$ 4,05 cobrados pela passagem desse sistema de ônibus urbanos. A possibilidade de um recuo do governo federal em relação a elevação imediata da tarifa do metrô não se concretizou. No fim da noite, o presidente do Sindicato dos Metroviários (Sindmetro-MG), Romeu Machado Neto, recebeu ligação do superintendente regional da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), Miguel da Silva Marques, afirmando que o reajuste de 88% passa vigorar hoje.

Como todas as linhas de BH têm a tarifa de integração com o sistema de trem metropolitano, quem utiliza os dois serviços de transporte vai pagar mais, devido ao repasse da alta definida pelo conselho da CBTU, informa a BHTrans. De acordo com dados da empresa, nos terminais Integração Vilarinho, São Gabriel e José Cândido, por exemplo, nas tarifas de ônibus de R$ 4,05 e do metrô de R$ 1,80, o usuário pagava R$ 2,60 pelo ônibus e R$ 1,45 pelo metrô, somando R$ 4,05. Com o reajuste de hoje, o passageiro segue pagando R$ 2,60 no ônibus, e agora R$ 2,90 no trem, num total de R$ 5,50 pelo duplo serviço. Na integração com linhas de R$ 2,85 e metrô a R$ 1,80, o usuário pagava uma tarifa integrada de R$ 3,75 (R$ 2,30 no ônibus e R$ 1,45 no metrô). Agora, soma-se os R$ 2,30 do ônibus a R$ 2,90 do trem e a tarifa integrada fica em R$ 5,20. Já o passageiro que pagava tarifa integrada de R$ 4,95, sendo R$ 3,50 no ônibus e R$ 1,45 no metrô, agora vai desembolsar um total de R$ 6,40 – R$ 3,50 no ônibus e R$ 2,90 no metrô.

O percentual de aumento do trem metropolitano é o maior do transporte público já registrado na capital mineira. CBTU e os ministérios das Cidades e Transportes até o fim da noite de ontem não se posicionaram oficialmente sobre qualquer possibilidade de recuo da elevação do preço, como havia garantido que ocorreria o deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), coordenador da bancada mineira no Congresso, depois de reunião com o ministro do Planejamento Desenvolvimento e Gestão, Esteves Colnago. O também deputado Weliton Prado (Pros-MG) foi informado pelo ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, de que não haveria recuo. Os dois parlamentares disseram que vão adotar medidas judiciais para questionar o aumento.

FILAS Usuários do metrô de BH, certos de que ocorreria o reajuste acima dos 80%, fizeram fila na noite de ontem na Estação Central para comprar bilhetes com o preço antigo de R$ 1,80. Mas esbarraram no limite de 10 tíquetes por passageiro. A restrição só aumentou a indignação das pessoas, que em coro afirmam que o aumento é abusivo.
As advogadas Rúbia Samara, de 24 anos, e Suelen Ribeiro, de 27, criticaram a limitação da compra de bilhetes. “Uso o metrô diariamente e queria comprar passagens pelo menos para todo o mês mas, além desse aumento abusivo, estão com uma imposição ilegal de restringir a quantidade de bilhetes”, desabafou Suelen. “Somos desrespeitados, a começar pela qualidade do transporte, principalmente as mulheres, já que o tal vagão rosa não funciona e sofremos assédio. Então, sem qualquer melhoria, estão aumentando nossos gastos com deslocamento em quase 90%. E agora não me deixam comprar a quantidade que necessito de passagens”, completou Rubia.

Ministérios públicos estadual e federal analisam representações contra o reajuste. O MPE chegou a abrir um procedimento de apuração, enquanto o MPF ainda está distribuindo as representações. Já a CBTU informou que cabe ao Conselho de Administração da empresa a aprovação do aumento das tarifas, bem como a determinação da data de sua implantação. “O reajuste tarifário deverá levar em consideração o IPCA acumulado desde o último aumento”, disse por meio de nota.

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