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Estado de Minas

Em menos de uma semana, Uberlândia registra oito ônibus incendiados

A PM suspeita que os crimes tenham relação com retaliações ao sistema carcerário. Cinco pessoas foram presas e três adolescentes foram apreendidos


postado em 26/04/2018 19:57 / atualizado em 26/04/2018 20:07

Recorrentes ataques ao transporte público de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, tem deixado a população insegura e causa transtornos aos usuários dos ônibus. Em menos de uma semana, foram registrados 10 ataques envolvendo oito coletivos, uma estação de ônibus e uma clínica, que presta atendimento médico à categoria.

A ousadia é tamanha, que os ataques tem ocorrido diariamente, desde a última sexta-feira até a tarde de quarta-feira. A Polícia Militar (PM), prendeu cinco pessoas e apreendeu três adolescentes suspeitos de envolvimento com os ataques. Cinco deles já têm passagem pela polícia. Os militares suspeitam que os crimes sejam em represália ao sistema carcerário.

Dos oito ônibus atacados, cinco ficaram completamente destruídos pelo incêndio, outro foi parcialmente destruído e dois não chegaram a ser incendiados e tiveram apenas danos estruturais, segundo informações do diretor do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Triângulo Mineiro (Sindett), Alaor Morais. 


O último ataque ocorreu no final da tarde de quarta-feira, no Bairro Jardim Canaã. Criminosos atingiram um ônibus com uma barra de ferro e tentaram colocar fogo no veículo, mas não conseguiram. Mais tarde, por volta das 22h, um ônibus foi incendiado no Bairro Jardim Ipanema. O veículo ficou completamente destruído. Menos de uma hora depois, um novo ônibus foi incendiado, desta vez, no Bairro Osvaldo Resende. Na noite de terça-feira, grande parte da frota de ônibus parou de rodar por volta das 20h devido à onda de ataques ao transporte público.

Desde o segundo ataque ao transporte público, a Polícia Militar mantém reforços no policiamento, principalmente à noite, período de incidência dos crimes, inclusive com escolta de ônibus em locais mais distantes. A corporação informou que mesmo após a prisão dos suspeitos será mantido o reforço até que a situação seja normalizada.

A Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que não é possível relacionar o fato ao sistema prisional e que cabe à Polícia Civil investigar o ocorrido. Em nota, a corporação informou que foi instaurado inquérito para apurar a motivação e averiguar se os crimes tem ligação. Segundo a Polícia Civil, ainda não é possível afirmar se os casos tem relação com o sistema prisional.

As empresas de transporte urbano de Uberlândia e o Sindett, por sua vez, manifestaram indignação e repúdio aos atentados e reiteraram que esses eventos não só causam sérios prejuízos financeiros às empresas, mas principalmente aos clientes do transporte público. "Já tivemos casos de incêndios criminosos na cidade, mas nessa proporção e nesse curto intervalo de tempo é primeira vez", afirmou o diretor do sindicato.

A Prefeitura de Uberlândia, por meio da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settran), informou que tem monitorado a situação, em alinhamento com as atividades de segurança, que estão sob o comando da Polícia Militar. O Settran ainda notificou as concessionárias e o sindicato para que a operação do serviço não seja comprometida.

A assessoria de comunicação das empresas informou que existe frota reserva e todos os carros lesados foram repostos após a ocorrência. Nenhuma linha está prejudicada e o segmento conta com o apoio da PM para escolta das linhas principalmente durante períodos críticos.

ATAQUES O primeiro ataque aconteceu na madrugada da última sexta-feira no Bairro Tubalina. Um veículo que pertencia à frota da empresa Sorriso de Minas foi incendiado. De acordo com o boletim de ocorrências, dois homens armados entraram no coletivo e mandaram os passageiros e motorista descer do veículo. Em seguida, jogaram gasolina e atearam fogo. Os criminosos disseram, conforme relato de testemunhas aos policiais, estar "revoltados com a opressão e a violência na cadeia".

Em menos de 24 horas após o primeiro ataque, outro ônibus foi incendiado no Bairro Santa Luzia. Os criminosos encapuzados abordaram o motorista obrigando-o a abrir as portas do veículo. Segundo o boletim de ocorrências, o motorista teria se hesitado e os autores quebraram um dos vidros. A dupla começou a jogar gasolina dentro do ônibus e o motorista conseguiu sair e correr até a garagem da empresa que fica próxima ao local.

Ainda durante a manhã de sábado, os militares foram chamados na Avenida João Pinheiro, no Centro, onde uma clínica prestadora de serviços de saúde foi incendiada por volta das 5h45. Segundo a polícia, imagens das câmeras de segurança mostram dois indivíduos encapuzados arrombando a porta do estabelecimento. Já no domingo, quatro suspeitos jogaram coquetéis molotov dentro da garagem da empresa São Miguel e dois veículos foram atingidos.

* Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck

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