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Estado de Minas

Vítimas da tragédia em Mariana fazem manifestação nesta quinta-feira

Manifestantes reivindicam atitude e agilidade das empresas em atender as demandas. Mineradoras dizem que Fundação Renova acompanha os casos


postado em 05/04/2018 19:45 / atualizado em 05/04/2018 20:02

Manifestantes pararam linha de trem da Vale, na Região do Rio Doce(foto: Movimento de Atingidos por Barragens/Reprodução/Facebook)
Manifestantes pararam linha de trem da Vale, na Região do Rio Doce (foto: Movimento de Atingidos por Barragens/Reprodução/Facebook)
A quinta-feira, em Minas Gerais, foi marcada por manifestações contrárias às mineradores responsáveis pela barragem de Fundão no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, Região Central de Minas Gerais. Além de serem cobradas pelos Ministérios Públicos e Defensorias Públicas de Minas e do Espírito Santo, as empresas também foram alvo dos manifestantes, que reivindicaram atitude e agilidade em atender as demandas dos atingidos.

Em Periquito, na Região do Rio Doce, cerca de 200 pessoas, de acordo com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) protestaram, na tarde desta quinta-feira, em uma linha de trem da Vale que passa pelo distrito de Pedra Corrida. De acordo com o MAB, os moradores da cidade denunciaram que a Fundação Renova tem demorado para resolver os problemas demandados desde que a lama de rejeitos da barragem de Fundão chegou ao Rio Doce.

"A Vale está exigindo coisas sem critérios, sem pé e nem cabeça", desabafou Raphaela Rodrigues, de 25 anos, integrante da comissão do MAB em Naque, também na região. Segundo ela, a empresa deveria dar um retorno aos moradores dos municípios vizinhos sobre demandas até a quarta-feira passada. O documento com as reivindicações foi encaminhado à Vale há algumas semanas, segundo a integrante do MAB.

Ainda de acordo com a representante dos moradores da cidade, foi nesse momento em que os manifestantes decidiram "tomar uma atitude". "Fomos para a linha, ocupamos por uma hora, aproximadamente, com mais de 100 pessoas, incluindo crianças e idosos. Quatro trens, incluindo os que haviam passageiros, pararam, até que um tenente nos mandou sair", contou Raphela. De acordo com ela, a liminar apresentada pelo militar era de 2017: "A sensação que eu tenho é de revolta", contou.

MARIANA Houve manifestação também em Mariana, na Região Central de Minas Gerais na manhã desta quinta-feira. Moradores de Bento Rodrigues pararam a MG-129, na encruzilhada para a entrada do distrito, cobrando da Fundação Renova agilidade no processo de construção das novas moradias aos atingidos pelos rejeitos da barragem de Fundão.

De acordo com Marinalva Sagado, 45, a manifestação durou pouco, mas serviu para mostrar o drama que os moradores passam. "Eles (Renova) disseram que o Novo Bento ficaria pronto em 2019, mas, recentemente, disseram que não tem mais uma data prevista", contou. "Sinto muita tristeza. Porque só mudam, cada dia é uma coisa diferente."

Posicionamento


Sobre a repercussão desta tarde, envolvendo denúncias de autoridades, as empresas Samarco, Vale e BHP encaminharam uma nota dizendo que "reiteram o compromisso com os esforços de compensação e remediação que estão a cargo da Fundação Renova e que foram definidos pelo acordo firmado com os entes federativos da União e dos Estados do Espírito Santo e de Minas Gerais".

"As empresas reiteram, ainda, o seu compromisso com as negociações em curso para realização de acordo com as partes envolvidas, permanecendo à espera do retorno do Ministério Público, conforme previamente pactuado", finalizaram.

Já a Fundação Renova informou que a Recomendação dos Ministérios Públicos já estão sendo tratadas e "passam por evoluções". "Os reflexos desses avanços nos programas são resultado de uma construção coletiva continua. A Fundação Renova prestará todas as informações sobre o avanço dos programas, seguindo sua política de transparência e seriedade no trato com todos os envolvidos", disse.

* Sob supervisão da editora Liliane Corrêa

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