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Estado de Minas

Moradores cobram definição sobre área onde seria construída a nova rodoviária de BH

Não há consenso na vizinhança das áreas destinadas às obras do terminal sobre a solução, diante da resistência da prefeitura em seguir com o projeto. Só não se quer o abandono


postado em 25/03/2018 06:00 / atualizado em 25/03/2018 08:23

"Votei no atual prefeito, pois ele prometeu que daria continuidade aos projetos iniciados na administração anterior", Marcos Aurélio Soares, motorista (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

A falta de perspectivas para execução do projeto de instalação do novo terminal rodoviário de Belo Horizonte, no Bairro São Gabriel, Região Nordeste, divide opiniões de moradores da capital. E, de maneira direta, traz preocupações para a população vizinha aos três terrenos vazios que abrigariam a estrutura. Em mais um capítulo da inauguração da nova rodoviária, que ocorreria em 2014, por ocasião da Copa do Mundo de Futebol, e numa segunda data em agosto último, na sexta-feira, durante prestação de contas na Câmara Municipal, o prefeito Alexandre Kalil (PHS) definiu como uma “aberração absoluta” a proposta.


O presidente da Associação de Desenvolvimento do Bairro São Gabriel e Adjacências, Gladstone Otoni dos Anjos, criticou mais um recuo da administração municipal na implantação do novo terminal. “É urgente que o Ministério Público Estadual entre na questão, pois o contrato para a execução do projeto não é da gestão anterior, mas da instituição Prefeitura de Belo Horizonte. É preciso que o MPE cobre um posicionamento do consórcio vencedor da licitação do porquê de não ter realizado as obras, como o previsto, e também da atual administração municipal”, apontou Gladstone.


O mais recente impasse, que surge depois de seis anos da assinatura do contrato para construção do novo terminal rodoviário, vincula a execução do projeto à revitalização do Anel Rodoviário, como argumentou o prefeito Alexandre Kalil. “Se a população de Belo Horizonte não sabe, a saída da rodoviária é no Anel Rodoviário. Então, como é que eu vou fazer uma rodoviária que vai trazer um tráfego onde eu quero tirar?”, questionou o prefeito. “É uma aberração absoluta aquela rodoviária ser aprovada sem um projeto de grande porte no Anel”, completou.

A abertura de licitação para a implantação do novo terminal foi em novembro de 2010, na administração de Márcio Lacerda (PSB). Dois meses depois, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) anunciou a revitalização do Anel Rodoviário, projeto que se arrasta, também sem previsão de se concretizar. Proposta de melhoria da via apresentada pelo Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (Deer-MG), foi descartada em março do ano passado pelo Dnit.

"Já gastaram quase R$ 40 milhões e não fizeram nada? A rodoviária no Centro atende muito bem", Vinícius Maciel Roberto, chefe de cozinha (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Indiferente aos entraves burocráticos que adiam a revitalização do Anel Rodoviário e, consequentemente, inviabilizam a implantação da rodoviária na atual gestão, o motorista Marcos Aurélio Soares, de 40 anos, sugere a continuidade do projeto. “A construção da nova rodoviária vai desafogar o trânsito na área central. Não justifica deixar de seguir com a obra. Votei no atual prefeito, pois ele prometeu que daria continuidade aos projetos iniciados na administração anterior. A nova rodoviária significa conforto para os usuários e fácil acesso, pela integração dos ônibus urbanos e metrô”, assinalou Marcos.

Já o chefe de cozinha Vinícius Maciel Roberto, de 33, considera que a atual rodoviária atende à demanda. Para ele, mesmo sem a necessidade de construção do novo terminal, não se pode deixar o terreno vazio sem uma destinação social. “O quê? Já gastaram quase R$ 40 milhões e não fizeram nada? A rodoviária no Centro atende muito bem. Mas não dá para jogar tanto dinheiro público fora, deixando toda essa área abandonada. Que então se façam moradias, centros de atendimentos, mas que se use esses terrenos em benefício da população”, sugeriu Vinícius.

Para o líder comunitário Gladstone, a implantação da nova rodoviária representou a retirada de cerca de 150 famílias que há 30 anos moravam no São Gabriel. “Inicialmente, éramos contra a proposta, pela retirada das famílias. Então, agora é importante que se dê sequência, pois o que fizeram foi uma absurda higienização, com as desapropriações. Porém, deixar essas três áreas cercadas, com risco de uma reocupação desordenada, não é a solução. Que se execute o projeto, para que a população do bairro tenha contrapartidas com a melhoria da acessibilidade e mobilidade, gerando empregos locais”, afirmou.

Responsabilidade Em janeiro de 2012, o então prefeito Márcio Lacerda anunciou a homologação do contrato de construção, implantação, gestão, manutenção e operação do novo terminal rodoviário pelo consórcio SPE Terminal BH. A previsão inicial era de inauguração da nova rodoviária no primeiro semestre de 2014, visando à Copa do Mundo de Futebol. Mas as desapropriações emperraram, e a nova data de entrega do empreendimento seria agosto do ano passado.

De acordo com Kalil, a PBH tem interesse em discutir o projeto com a BH Ativos e já avisou que a rodoviária só será construída se houver um projeto para o Anel Rodoviário. “Abrir (a rodoviária) jogando ônibus no Anel Rodoviário é uma coisa irresponsável que eu não pretendo fazer”. A responsabilidade dos investimentos de construção e adequação do sistema viário da região é toda do consórcio SPE Terminal, formado por cinco empresas, que, em contrapartida, tem o direito de gerenciar a rodoviária e arrecadar receitas de operação pelos próximos 30 anos. Procurado, o consórcio SPE Terminal informou que apenas a PBH está falando sobre o assunto, não informando o que impediu do cumprimento do contrato, já que não houve a execução do projeto e a área destinada às obras segue sem qualquer intervenção, desde a desapropriação e a limpeza e nivelamento do local.
 

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