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Estado de Minas

Reunião que discutiria plano emergencial para barragem em Congonhas é cancelada

Estrutura de 84 metros de altura da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) acumula três inquéritos no MPF e estabilidade preocupa autoridades


postado em 02/03/2018 06:00 / atualizado em 02/03/2018 12:42

Defesa Civil adia reunião em Congonhas sobre risco de barragem, frustrando moradores como Diva de Paula(foto: Leandro Couri/ EM/ D.A Press)
Defesa Civil adia reunião em Congonhas sobre risco de barragem, frustrando moradores como Diva de Paula (foto: Leandro Couri/ EM/ D.A Press)

Congonhas – Passados 95 dias desde o único e malsucedido teste de sirene de alerta da Barragem Casa de Pedra, em Congonhas, foi cancelada a reunião que ontem redefiniria as tarefas do Plano de Ação Emergencial de Barragens de Rejeito de Mineração do empreendimento da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

 

Assim, as tarefas emergenciais que caberão à Prefeitura de Congonhas, à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) e ao Corpo de Bombeiros em caso de rompimento não foram discutidas. De acordo com a Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Congonhas e Região (Asapec), a Cedec cancelou o encontro alegando que um dos membros não poderia participar.


A população segue apreensiva, sem saber quando receberá instruções de como proceder caso se rompa a estrutura que ameaça três bairros (Cristo Rei, Residencial e Lucas Monteiro), onde vivem cerca de 4.800 pessoas. Ainda conforme a Asapec, uma outra data será marcada. A barragem de 84 metros de altura comporta quase 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro.

Desde 2013, o caso acumula três inquéritos no Ministério Público (MP). Dois procedimentos ainda estão ativos. Um sobre o alteamento e outro referente à estabilidade do chamado Dique de Sela. Em 2016, a estrutura de contenção apresentou infiltrações e sua estabilidade preocupava.

 

Em novembro, o Estado de Minas revelou que a situação era tão grave que a Cedec e o Corpo de Bombeiros traçavam um plano de evacuação. Em dezembro, a CSN entregou documentos ao MP, atestando a estabilidade do empreendimento e detalhando ações de retirada emergencial.

Na terça-feira, a reportagem do EM mostrou que o laudo inicial emitido pelo MP levava em consideração essencialmente as declarações da empresa e que um parecer crítico, com avaliações e conferências técnicas, deve ser finalizado somente neste mês, após o período chuvoso que é o mais arriscado para esse tipo de estrutura.

No Bairro Residencial, onde há mais pessoas expostas, incluindo uma escola municipal e uma creche (juntas atendem 300 crianças), há desinformação sobre os procedimentos de evacuação, ainda que CSN e Comdec afirmem ter repassado “noções básicas de emergência” ou “noções básicas de abandono de área”.

A aposentada Diva de Paula, de 68 anos, mora numa casa a cinco metros da creche com uma filha e um neto. Segundo ela, a CSN se limitou a um recadastramento. “Se ouvisse uma sirene tocando agora, ia deixar tudo da minha casa para trás e sair correndo. Para onde iria? Acho que ia ter de decidir na hora, vendo para onde as outras pessoas estariam indo. Sei que deve ser para cima. Mas na hora teria de deixar na mão de Deus mesmo”, disse.

Outra moradora desse que é um dos bairros mais vulneráveis, a dona de casa Sandra Raquel da Silva Carvalho, de 23 anos, com uma filha de 2 anos, critica o teste de 26 de novembro. Na oportunidade a sirene que existe sobre a região dos três bairros falhou. “Aqui (Bairro Residencial) quase não dava para ouvir. E se essa sirene tocasse não saberia o que fazer”, admite.

Se o treinamento é um problema, as sirenes também preocupam. A do Bairro Lucas Monteiro é a única responsável por alertar os moradores dos três bairros. As quatro demais se encontram muito afastadas. Uma delas, a quatro quilômetros das áreas densamente habitadas, fica no alto de um pasto.

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