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Estado de Minas

Mulher morre depois de ser agredida por marido, que a convenceu a não buscar atendimento

A vítima teria sido influenciada por ele a assinar um termo de responsabilidade e deixar o hospital; o homem foi preso


postado em 21/02/2018 16:45 / atualizado em 21/02/2018 22:10

Após investigações, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu, nessa segunda-feira, um homem suspeito de matar a mulher, com quem tinha uma relação havia 15 anos. Vilmar Soares, de 36 anos, foi preso no povoado de Estreito da Miralta, em Montes Claros, no Norte de Minas, por ter agredido Rejane Silva, de 34, e tê-la convencido a desistir do auxílio hospitalar. De acordo com a corporação, suspeita-se de que ele estivesse interessado no seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT).

Segundo a PCMG, Rejane procurou o Hospital Universitário Clemente Faria, em Montes Claros, em 13 de janeiro, com lesões na região abdominal. No entanto, ela se recusou a permanecer hospitalizada e assinou um termo de responsabilidade, o que lhe garantiu alta. A Delegacia Especial de Atendimento a Mulher recebeu denúncia de que um dia antes da entrada de Rejane no hospital foram ouvidos gritos na residência. A mulher retornou à unidade de saúde três dias depois, mas não sobreviveu.

Depois da morte da mulher, Vilmar, então, procurou um posto policial para relatar que Rejane teria sofrido um acidente de moto e que seria aquele o motivo das lesões abdominais. Mas após diligências investigativas e a prisão preventiva do suspeito, Vilmar confessou que "se desentendeu" com a vítima e lhe agrediu na barriga. Os policiais suspeitam de que o boletim de ocorrência tenha sido feito para que ele tentasse receber o seguro.

Segundo as apurações da polícia, as agressões já ocorriam havia muito tempo, mas não foram denunciadas pela mulher, devido ao medo que ela sentia do companheiro, que será indiciado por feminicídio e falsidade ideológica, podendo pegar 35 anos de reclusão.

FEMINICÍDIO Em 2015, Minas Gerais registrou 129.054 casos de violência contra mulheres. A maioria foi violência física (62.490), como agressões, estupros e homicídios. A violência psicológica ocupa o segundo lugar (54.939), e ocorre quando o criminoso abandona, ameaça, constrange, maltrata, perturba o trabalho e o sossego, sequestra ou mantém a vítima em cárcere privado. Já a violência patrimonial (6.423) se dá quando o homem se apropria de bens e objetos da mulher.

Naquele ano, a cada quatro minutos uma mulher de Minas Gerais sofreu algum tipo de violência – por dia, foram 353. Os dados fazem parte do Diagnóstico de Violência Doméstica e Familiar nas Regiões Integradas de Segurança Pública, elaborado pelo Centro Integrado de Informações de Defesa Social (Cinds) da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).

*Estagiário sob supervisão da subeditora Ellen Cristie

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