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Estado de Minas

Febre amarela, maculosa e chikungunya: saiba como se proteger das doenças nas férias

Belezas não faltam em Minas. Para aproveitá-las, recomendação é imunizar-se contra a febre amarela, que já matou três no ano, e espantar risco da maculosa e da chikungunya


postado em 10/01/2018 06:00 / atualizado em 10/01/2018 10:00

Alertas, os amigos franceses Lydie, Juliette e Hugo se vacinaram contra a febre amarela antes de vir para o Brasil e usam repelentes, sem perder a diversão em BH (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Alertas, os amigos franceses Lydie, Juliette e Hugo se vacinaram contra a febre amarela antes de vir para o Brasil e usam repelentes, sem perder a diversão em BH (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Minas Gerais é um dos destinos mais procurados do país por pessoas que querem descanso e paz em meio à natureza. Mas dois itens são indispensáveis nas malas de quem quer curtir as belezas mineiras: o cartão de vacina atualizado e o repelente. Junto à prevenção contra a febre amarela, cujo vírus continua circulando no estado (foi confirmada ontem a terceira morte no ano), outras doenças transmitidas por agentes que se escondem nas matas e em cantinhos, idílicos ou não, também exigem atenção.

A Secretaria de Estado da Saúde alerta para a febre maculosa e aconselha cuidado a quem pretende frequentar parques, cachoeiras, beira de rios, lagos e áreas gramadas. Em 2017, houve 25 casos, com 15 óbitos. Há ainda as enfermidades transmitidas pelo Aedes aegypti, em especial a febre chikungunya, em alta em Minas. No ano passado, houve 16.789 casos prováveis e 13 mortes, as primeiras da história do estado. Em 2018, nove notificações. Especialistas indicam medidas de proteção pessoal para evitar o contágio.

Os ambientes de matas e com presença de animais são propícios à proliferação de carrapatos, que podem propagar a febre maculosa, transmitida ao ser humano por meio da picada do carrapato-estrela infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. O parasita utiliza cavalos, capivaras e até animais domésticos, como cães e gatos, como hospedeiros.

Os dados da febre maculosa em Minas no ano passado assustam. Os 25 casos e 15 mortes são os maiores números em quatro anos. Em comparação a 2016, casos confirmados saltaram 47%. Já os óbitos mais que dobraram. Um dos últimos ocorreu em novembro, em São Gonçalo do Rio Abaixo, na Região Central.

Segundo a prefeitura da cidade, um homem de 29 anos, da zona rural, manifestou os sintomas no dia 19, morrendo dia 22. Um outro caso está sendo investigado. Diante das notificações, a Secretaria Municipal de Saúde orientou profissionais sobre o tratamento adequado e se reuniu com representantes das áreas de agricultura e do meio ambiente para definir ações de prevenção e controle do vetor.

Mesmo não sendo o período mais crítico da enfermidade, especialistas alertam que a prevenção deve ser feita. “Tem o risco, sim, da febre maculosa, apesar de o período mais crítico ser entre março e outubro. Mas, de qualquer maneira, as pessoas devem ficar atentas, principalmente nos lugares onde estão sendo registrados casos”, alertou o diretor da Sociedade Mineira de Infectologia, Carlos Starling. Entre as medidas que podem ser tomadas está o uso roupas longas e de cor clara, para facilitar a visualização dos carrapatos, e de calçados de cano longo.

Em Belo Horizonte, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), não houve transmissão de febre maculosa em 2017. Os quatro casos de residentes registrados no ano passado tiveram local de infecção fora da capital. Ainda assim, a prefeitura desenvolve ações de educação, prevenção e monitoramento para evitar contato com o carrapato, que envolvem panfletagem e divulgação de informações sobre a febre e formas de prevenção. Em 2017, as ações foram realizadas na Região de Venda Nova (Serra Verde/Cidade Administrativa) e Pampulha – apontada como local de infecção de uma vítima no passado –, com abordagem de turistas, atletas e visitantes na orla e também em pontos turísticos, como o Parque Guanabara. Além disso, a SMSA realiza, três vezes ao ano, ações de vigilância acarológica no Parque Ecológico da Pampulha, como forma de prevenção e controle vetorial em cavalos, com tratamento carrapaticida.

ÓBITOS A febre amarela, que já provocou três mortes neste ano em Minas, também requer atenção e cuidados especiais dos visitantes. Ontem, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) confirmou mais uma morte de paciente atingido pela doença, de Carmo da Mata, no Centro-Oeste, assim como a Prefeitura de Nova Lima, na Região Metropolitana de BH, revelou um óbito. Em Nova Lima, o morto é um homem de 46 anos, morador de São Paulo, que passou as festas de fim de ano na cidade, que tem 96% de cobertura vacinal. Há mais dois casos sob investigação.

O óbito de Carmo da Mata, a 180 quilômetros da capital, é de um topógrafo, de 38 anos. Na sexta-feira, foi confirmada a morte de um homem de 51 anos em Brumadinho, na Grande BH. Um outro paciente com sintomas da febre na cidade foi transferido para o Espírito Santo.

A secretária Municipal de Saúde de Carmo da Mata, Nathália Resende, informou que o morador, casado, morreu em 3 de janeiro no CTI do Hospital São Judas Tadeu, na cidade vizinha de Oliveira. “No dia 30 ele foi atendido com sintomas da doença num posto de saúde aqui e encaminhado para Oliveira. Tinha casa na área urbana e um sítio na zona rural, no lugarejo de Forquilha, onde estava seis dias antes de apresentar os sintomas da febre”, explicou. A confirmação levou moradores a uma corrida para se vacinar. Somente ontem, cerca de 200 pessoas passaram por um dos postos de saúde locais. A cobertura no município, de 13 mil habitantes, é de 70%.

Em 21 municípios mineiros foram registradas mortes de macacos infectados pelo vírus da febre amarela. Em outros 26, óbitos de primatas estão em investigação, e em 50 houve mortes sem causas determinadas. Para Carlos Starling, os locais onde há essas ocorrências devem ser evitados por quem ainda não se vacinou. “Primeiro, é identificar os locais onde está havendo mortandade. Outra medida é procurar proteção pessoal. Se vai se deslocar para esses locais, utilizar repelentes e selar as janelas”, disse. “Mas a medida mais eficaz é a vacinação. Tem que ficar atento ao prazo de 10 dias para a vacina fazer efeito”.

 

Doenças do Aedes


As doenças transmitidas pelo Aedes aegypti também preocupam. Em especial, a febre chikungunya. Em 2017, o estado viveu seu pior ano de infecção. Foram 16.789 casos prováveis, além de 13 mortes, 10 delas em Governador Valadares, na Região do Rio Doce. Neste ano, já são nove notificações, média de uma por dia. Em 2018, a previsão é que a enfermidade se espalhe rapidamente pelo país devido ao baixo número de pessoas que já a contraíram – grande parte ainda não produziu anticorpos suficientes para escapar.

 

BEM PREPARADOS O rol de doenças que neste momento assusta os mineiros deixa em alerta também turistas. Mas nada que os afaste dos passeios em Belo Horizonte. Ontem passeavam pela orla da Lagoa da Pampulha os amigos Lydie Dupont, Juliette Demester e Hugo Leprince, todos de 22 anos. Eles se informaram sobre a febre amarela antes de sair da França, mas nunca tinham ouvido falar sobre a maculosa. Para se proteger, tomaram a vacina na Europa e, em solo brasileiro, usam repelentes a partir do fim da tarde.

“Fui ao médico para ser aconselhada sobre o que fazer antes de vir”, contou Juliette. Lydie também buscou orientações, mas se surpreendeu ao saber sobre o surto de febre amarela em Minas e os perigos deste ano. Segundo ela, numa instituição de saúde de referência mundial na França lhe apresentaram um mapa em que o cenário era bem diferente. “Eles me mostraram um mapa da doença em toda a América do Sul, mas ela estava restrita aqui à região da Amazônia”, disse.

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)

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