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Estado de Minas

'Galeria BH' ganha novas obras em prédios no Centro da capital

Circuito de Arte Urbana, que tem a meta de dar à capital o maior mirante do gênero no mundo, tem dois novos painéis e prepara mais seis pinturas gigantescas em 2018


postado em 02/01/2018 06:00 / atualizado em 02/01/2018 08:23

Pintura que pode ser observada do Viaduto de Santa Tereza foi feita pela argentina Milu Correch (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Pintura que pode ser observada do Viaduto de Santa Tereza foi feita pela argentina Milu Correch (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Um prédio por vez, o cinza da paisagem urbana do Centro de Belo Horizonte vai ganhando traços, e os traços, cores que têm a ambiciosa missão de dar à capital o título de dona do maior mirante de arte do mundo. Foi assim que um abraço colorido se estendeu sobre a lateral do Edifício Príncipe de Gales, na Rua dos Tupinambás, 179. No mesmo ritmo, duas mulheres dançam sua liberdade na Rua dos Tupis, 70, chamando a atenção e levando muita gente a fazer uma pausa no corre-corre da região para contemplar as imensas telas. As duas novas obras, recém-finalizadas, fizeram parte da edição especial do Circuito Urbano de Arte (Cura), como forma de homenagear os 120 anos da cidade. Depois que quatro painéis transformaram a paisagem em julho de 2017, em dezembro as outras duas já ganharam forma e cor. Todas as obras podem ser apreciadas a partir da vista da Rua Sapucaí, no Bairro Floresta, na Região Leste de Belo Horizonte, com direito a iluminação das 20h à 0h. E o melhor é que o Cura, que chegou no ano passado, dá mostras de que veio para ficar – e crescer: para este ano já estão previstas outras seis iniciativas para enfeitar ainda mais a paisagem urbana.


A ideia de fazer as pinturas surgiu pelo olhar da artista visual Priscila Amoni e das produtoras Juliana Flores e Janaína Macruz. Onde a maioria avistava apenas paredes cinzentas e sem graça, elas vislumbraram telas que apenas aguardavam desenhos. Com o sonho de que a capital se torne referência internacional no conceito de arte urbana, o trio concebeu o Cura em julho. “Nosso intuito é transformar o mirante da Sapucaí no maior mirante de arte do mundo”, disse Juliana. E 26 prédios já foram mapeados para ganhar telas. Na segunda quinzena de julho, mais meia dúzia deles deve se juntar aos seis já pintados em 2017, expandindo a galeria. A nova fase deve contar com dois artistas mineiros, dois de outros estados e dois internacionais.

Davi Melo Santos, autor de um dos novos murais, diz que a ideia de sua obra (acima) foi representar um abraço contra o preconceito entre a Europa e a África (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Davi Melo Santos, autor de um dos novos murais, diz que a ideia de sua obra (acima) foi representar um abraço contra o preconceito entre a Europa e a África (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Para a edição extra do aniversário da cidade foram escolhidos o artista mineiro Davi Melo Santos, considerado uma lenda da street art, e a argentina Milu Correch, representante do novo muralismo. “A ideia foi criar a Europa abrancando a África, o negro abraçando o branco. Um abraço de todos os povos, sem qualquer distinção de etnia; um abraço contra o preconceito de todas as maneiras. O dia e a noite retrataram o contraste”, contou Davi, em frente à sua obra. A imagem, que propõe uma reflexão sobre o universo interior e transmite harmonia a quem a observa, foi um desafio para o artista. “É a maior empena que já fiz. Já havia pintando prédios de até três andares quando morei fora, mas encarar os 18 andares dessa tela foi bem difícil”, contou o grafiteiro.

PODER FEMININO A argentina Milu Correch optou pela imagens de duas mulheres dançando nuas em um muro pichado, tendo como moldura um cartão-postal da capital mineira: os arcos do Viaduto Santa Tereza. Por meio de uma técnica clássica de pintura, a artista mostra o quanto o espírito feminino está fortalecido. Não por coincidência, o Cura coleciona as três mais altas telas da América Latina feitas por mulheres. “O circuito, desde o início, preza pela bandeira da participação feminina. Existem muitas artistas de qualidade que precisam de espaço. Mas, em geral, a arte urbana ainda é dominada pelos homens. Não as chamamos por serem mulheres, mas porque são artistas de qualidade. A diversidade e a igualdade de gênero sempre nos norteou. Além do maior mirante, queremos fazer a maior coleção de murais pintados por mulheres”, afirmou uma das idealizadoras do Cura, Juliana Flores.

Com a pintura de uma mulher de corpo inteiro no Edifício Hotel Rio Jordão, Priscila Amoni também retratou o poder feminino, principalmente o das negras, que para ela são as mais prejudicadas socialmente. No desenho, as plantas carregadas nas mãos e na cabeça pela personagem retratam os desejos da artista para a cidade. “A dracena representa força, o alecrim, a alegria, a lavanda, calma, e a maranta, beleza. Para mim, a pintura é uma forma de oração, uma forma de amor”, diz Priscila. Já a muralista Marina Capdevilla escolheu a paisagem belo-horizontina para pintar o Edifício Trianon com elementos tipicamente nacionais como um cocar indígena, o pandeiro, instrumento que dá ritmo ao samba, uma máscara de carnaval e um chapéu ao estilo Carmen Miranda.

(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
O coletivo Acidum Project, de Fortaleza, formado por Robezio Marques e Tereza DeQuinta, se inspirou em aspectos da cidade como sons, sabores, ideias e cores, para incorporar seu mural, no Edifício Rio Tapajós. Para completar a lista, um dos murais mais comentados nas ruas e nas redes sociais: o que retrata as imagens das mascotes do Clube Atlético Mineiro e do Cruzeiro, o galo e a raposa, no Edifício Satélite. A inspiração para o trabalho surgiu quando Thiago voltou de um festival na Rússia, cujo tema eram lendas e mitos. Lá, conheceu contos e fábulas e, entre eles, uma que envolvia a raposa e o galo e a eterna rivalidade entre os animais.

ILUMINAÇÃO
Na noite do último dia 17, ocorreu a inauguração da iluminação permanente das obras. As organizadoras do Cura pontuam que, como o mirante da Rua Sapucaí se tornou um “point” noturno, nada mais apropriado que os painéis fossem iluminados, para que pudessem  ser admirados também à noite. O evento foi celebrado com queima de fogos e apresentação de DJs no corredor cultural que une os viadutos de Santa Tereza e da Floresta – que há alguns anos vem sendo revitalizado, com a instalação de restaurantes e, graças ao Cura, tem ficado conhecido também como o primeiro mirante de arte urbana do mundo.

 

Estreantes

» Edifício Príncipe de Gales
Rua dos Tupinambás, 179
Artista: Davi Melo Santos (DMS)

» Garagem São José
Rua dos Tupis, 70
Artista: Milu Correch

Veteranas

» Edifício Tapajós
Avenida dos Andradas
Artistas: Tereza Dequinta e Robézio Marqs (Acidum Project)

» Edifício Satélite
Rua da Bahia
Artista: Thiago Mazza

» Edifício Trianon
Rua da Bahia
Artista: Marina Capdevilla

» Hotel Rio Jordão
Rua Rio de Janeiro
Artista: Priscila Amoni

 

Prefeitura faz concurso para mais 40 murais

 

A Prefeitura de Belo Horizonte lançou o edital do Concurso Gentileza, que vai selecionar propostas de murais de arte urbana. As inscrições vão até 31 de janeiro, no site da PBH (https://prefeitura.pbh. gov.br/estrutura-de-governo/cultura/
gentileza). Segundo a Secretaria Municipal de Cultura, serão selecionadas 40 propostas de murais de arte urbana apresentada por artistas individuais, grupos ou coletivos artísticos. O objetivo é difundir a arte urbana pelas regionais da cidade, além de reconhecer ações neste âmbito no município. Serão aceitas propostas de técnicas como grafite, estêncil, pintura livre, sticker, lambe-lambe e muralismo.

A prefeitura informa que cada proposta selecionada receberá um prêmio de R$ 7,5 mil e autorização para executar a obra em espaço público ou privado de acesso público irrestrito. O montante total disponibilizado para o concurso será de R$ 300 mil. As propostas serão selecionadas por uma comissão composta por seis membros indicados pela Secretaria Municipal de Cultura.

Os critérios serão histórico de realizações, portfólio e currículo; exemplaridade da proposta, dimensões compatíveis e originalidade da obra; grau de singularidade do local indicado para o mural artístico; facilidade de acesso pelo público; e forma da expressão cultural, considerando a diversidade de linguagens artísticas. O nome do projeto remete a José Datrino (1917-1996), conhecido como Profeta Gentileza, que percorria as ruas do Rio de Janeiro deixando inscrições nas paredes que falavam de paz, amor e cordialidade entre as pessoas.

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