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Estado de Minas

Lama atingiu prédios públicos na principal rua de Santa Cruz do Escalvado

Até o momento, os principais danos registrados estão na área onde fica a base da administração municipal. Prédios públicos foram invadidos pela água, que superou dois metros e meio de altura


postado em 07/12/2017 06:00 / atualizado em 07/12/2017 07:55

Moradores tiveram de deixar suas casa e foram levados para escolas. Imoveis foram interditados(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Moradores tiveram de deixar suas casa e foram levados para escolas. Imoveis foram interditados (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Santa Cruz do Escalvado – A principal rua do Centro de Santa Cruz do Escalvado, na Zona da Mata, está embaixo da lama que desceu junto com a água do temporal que atingiu a cidade na segunda-feira. Além das casas danificadas ou destruídas, o serviço público também foi afetado. A policlínica do município foi interditada e houve perda de materiais. O prédio onde está localizada a Secretaria de Educação e Polícia Militar (PM) será fechado. A prefeitura decretou situação de emergência. Moradores tiveram de deixar as residências e ser levados para escolas. Imóveis foram interditados. Assistentes sociais vão percorrer a área para levantar os danos.

Até o momento, os principais danos registrados estão na área onde fica a base da administração municipal. Prédios públicos foram invadidos pela água, que superou dois metros e meio de altura. “Estamos passando por um momento crítico. É uma situação alarmante”, afirma a prefeita Sônia Maria Untalen (PMDB).

Os maiores prejuízos foram na policlínica da cidade. A lama estragou equipamentos e materiais de saúde. Mesmo três dias depois do temporal, eles continuam espalhados pelo chão. “O Centro todo é composto por prédios públicos. A Policlínica, a base do setor de saúde, que atende a cerca de 5 mil habitantes, foi interditada”, disse a prefeita. Os atendimentos estão sendo feitos, de forma improvisada, na sede da Emater.

LIMPEZA Um verdadeiro batalhão da limpeza atua em Santa Cruz do Escalvado para retirar a lama e objetos das casas e ruas. A prefeitura doou produtos aos moradores para o trabalho, como detergentes e água sanitária.

Os produtos estão sendo entregues por assistentes sociais e voluntários. O pedagogo Márcio Greick Martins, de 42 anos, saiu da zona rural para socorrer moradores. “É importante ajudar neste momento, se disponibilizar e dar apoio ao outro”, disse com um balde na mão, onde levava os produtos de limpeza.

A assistência social da prefeitura é composta por sete pessoas, entre educadores, psicólogos e orientadores sociais. Uma delas é Eunice Aparecida Macedo, de 26. A jovem se diz impressionada com a situação da cidade, mas se sente importante na reconstrução. É gratificante. Sinto gratidão de poder fazer algo. Foi a primeira vez que vi algo dessa natureza. As pessoas que veem pela televisão não têm noção do estrago”, completou.

A prefeitura abriu uma conta para quem quiser fazer doações: Agência 0088-4 conta corrente 50214-6 Banco do Brasil.


DEPOIMENTO
‘Tristeza pela perda de vidas’


“A dificuldade e a dor fazem as pessoas ficarem mais fortes. Como Agnaldo, tio de duas crianças que morreram depois que a casa delas foi levada pela enxurrada em Parada Paulista, no distrito de Urucânia. No local onde estava o imóvel sobrou apenas a base, o chão. O restante está espalhado por metros de distância, talvez quilômetros. O que mostra a força da correnteza. A cena do tio com uma enxada nas mãos foi comovente. A única esperança dele: ‘Vou encontrar meu sobrinho. Farei isso mesmo que eu tenha que morrer’. Tristeza pela perda das vidas em Urucânia e também pelos estragos em prédios públicos em Santa Cruz do Escalvado. A Policlínica foi destruída e interditada. Os 5 mil moradores ficarão sem a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Situação complicada em um momento em que as ruas estão tomadas por lixo e água, o que aumenta a incidência de doenças”.

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