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Estado de Minas

Candidatos à CNH são presos por fraude eletrônica nos testes de legislação em BH

Um terceiro envolvido, que se encarregava de passar as respostas por meio eletrônico, fugiu ao constatar pelo áudio que golpe havia sido descoberto. Desde abril suspeita era investigada


postado em 24/08/2017 18:42 / atualizado em 24/08/2017 23:04

Por meio de microcâmera instalada em relógio, golpista tinha acesso às questões e passava respostas (foto: Polícia Civil/Detran-MG/Divulgação)
Por meio de microcâmera instalada em relógio, golpista tinha acesso às questões e passava respostas (foto: Polícia Civil/Detran-MG/Divulgação)

Um esquema eletrônico para fraudar o exame de legislação no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Minas Gerais foi descoberto na tarde desta quinta-feira em Belo Horizonte. Foram presos dois homens que faziam a prova obrigatória visando à licença de aprendizagem para as aulas de direção. Um terceiro envolvido, que recebeu R$ 3 mil de cada candidato para passar as respostas do teste, ao perceber que a farsa foi descoberta fugiu, deixando para trás seu carro.

De acordo com o delegado Cláudio Utsch, da Coordenação de Operações (COP) do Detran, desde abril havia uma suspeita de esquema fraudulento, que consiste no uso de aparelhos de transmissão e microcâmeras em relógios de pulso dos candidatos. O terceiro envolvido, que ficava num estacionamento vizinho ao local do exame, recebia as imagens das provas de múltipla escolha e, por meio de um ponto eletrônico (um pequeno receptor que fica escondido no ouvido), passava as respostas corretas.

Os dois candidatos, que são semianalfabetos, foram presos em flagrante pelo crime de fraude em concurso público e ainda podem responder por estelionato. O carro do homem que fugiu, um Fiat Ideia, foi apreendido por ter sido usado no crime. “Em mais de 30 anos de polícia, nunca fiquei sabendo de fraudes como essa, com uso de equipamentos eletrônicos, nas provas de legislação. Uma autoescola suspeita de envolvimento com o esquema, é alvo investigação”, informou o delegado Utsch, sem dar mais detalhes.

O pedreiro J.L.D., de 58 anos, um dos candidatos presos, disse que encontrou com o homem próximo ao local das provas e que não o conhecia. “O cara falou que era na legalidade”, tentou justificar. Ele confirmou que pagou R$ 3 mil para receber as respostas e que ficou sabendo do esquema na autoescola em que deu entrada no processo para obter a carteira de habilitação para conduzir motocicletas, que fica em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O outro preso, o lavador de carros M.P.S., de 22, não falou sobre seu envolvimento.

Com os dois foram apreendidos os equipamentos eletrônicos de transmissão e recepção, que consistem nos relógios com microcâmeras, baterias, transmissores que funcionam com chip de telefonia celular e um smartphone que servia de roteador. Os acusados foram autuados e presos em flagrante. O terceiro envolvido, que seria ligado a uma autoescola já foi identificado.

De acordo com o delegado Cláudio Utsch, as pessoas que conseguiram a licença de aprendizagem por meio do esquema de fraude, que forem identificadas durante as investigações, também vão responder criminalmente e terão o processo suspenso para obtenção da CNH. E aqueles que conseguiram a carteira, também, serão punidos com a perda do documento e indiciados criminalmente.

 

(RG) 

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