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Estado de Minas

Público redescobre as plantas comestíveis no festival de gastronomia de Tiradentes

Espécies da vegetação nativa de Minas Gerais foram eleitas as estrelas do cardápio durante aula que integra a programação do evento


postado em 21/08/2017 06:00 / atualizado em 21/08/2017 08:06

Receita apresentada pelo chef Michel Abras durante aula no festival (foto: Alexandre Farid/Divulgação)
Receita apresentada pelo chef Michel Abras durante aula no festival (foto: Alexandre Farid/Divulgação)
Chamadas de Plantas Alimentícias não Convencionais ou Panc’s, espécies comestíveis da vegetação nativa de Minas Gerais, como capuchinha, chuchu- do-vento e mentruz, foram eleitas as estrelas de cardápio em aula show na programação da 20ª edição do Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, no Campo das Vertentes. O evento, que segue até o próximo domingo e traz como tema a culinária mineira de raiz, funciona como uma vitrine da cozinha brasileira e promete atrair milhares de visitantes, o que garante visibilidade para propostas como a de Michel Abras, chef e professor do curso de gastronomia do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).


“Na verdade, as Panc’s já foram e ainda são consumidas no interior, mas devido a fatores como industrialização, urbanização e escassez de casas com quintal em grandes centros o consumo caiu em desuso. Agora, a partir de pesquisas e iniciativas empreendidas por entidades e profissionais da gastronomia em torno da revalorização dessas espécies, volta a surgir uma demanda impulsionada principalmente pelo consumidor interessado em uma alimentação mais saudável, livre de agrotóxicos, rica em sabor e em propriedades nutricionais”, disse.

O chef lembra ainda que há inúmeras receitas com tais hortaliças, temperos e legumes, que podem ser consumidos tanto in natura, nas saladas, quanto refogadas, no papel de guarnição, acompanhamento ou mesmo tira-gosto. Na aula do festival, ele preparou e serviu receita inspirada nas serras do Caraça e da Piedade, chamada caracense (jiló recheado com costela suína e Panc’s) e caixotinho da piedade (angu “escondido” em folha de capuchinha). “Como são ingredientes ancestrais, muitas receitas podem ser descobertas percorrendo a memória afetiva da comida preparada por nossas avós”, registra. Pura verdade, como afirma Vani Pedrosa, consultora técnica na área de pesquisa do Senac. “O livro O cozinheiro nacional, de 1820, traz no prefácio a citação de 37 Panc’s que eram consumidas em Minas desde o final do século 19”, registra.

“Além de saborosas e nutritivas, tais espécies não desgastam o solo ou pedem agrotóxicos pois já estão totalmente adaptadas ao terroir local (características de clima, solo, regime de chuvas e outras), o que indica um processo de produção e cultivo sustentável.” Como exemplos de Panc’s nativas, a pesquisadora lista o caruru-de-porco (também conhecida como amaranto), cuja semente é rica em oligoelementos e proteína, além de jacatupé (ou feijão macucuo), quiabo-de-metro, serralha e ora- pro-nóbis, entre outras.

Em BH, o chef Michel diz que é possível encontrar Panc’s em feiras livres de produtos orgânicos e no Mercado Central. “A apresentação no festival foi um sucesso. Até por que mais e mais pessoas buscam alternativas saudáveis de alimentação”, reforça.

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