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Estado de Minas

Ato em BH pela paz na Síria emociona com leitura de carta do Papa Francisco

Uma mensagem enviada pelo papa, especificamente para o evento, foi lida pelo cônsul da Síria, Emir Cadar, abençoando o ato, nunca antes realizado no Brasil em prol da paz na Síria


postado em 15/08/2017 12:39 / atualizado em 16/08/2017 08:03

(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
Centenas de balões brancos e vermelhos lançados ao céu, apresentações culturais e mensagens de solidariedade simbolizaram o desejo da comunidade árabe pelo retorno da paz da Síria na manhã de ontem em Belo Horizonte. Em ato na Praça da Liberdade, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, eles pediram pelo fim do conflito no país do Oriente Médio, onde a guerra civil, que já dura seis anos, provocou a emigração de metade da população de 22 milhões de pessoas. Na praça estiveram sírios, libaneses, descendentes desses países, refugiados que vieram para o Brasil por causa do conflito, além de brasileiros que têm parentes e amigos vindos de lá. Todos mostraram sua consternação pela atual situação vivida naquela nação, onde mais de 400 mil pessoas já morreram vítimas de armas e bombas, sendo que um quarto delas são crianças e mulheres.

Uma mensagem enviada pelo papa especificamente para o evento foi lida pelo cônsul da Síria em Minas, Emir Cadar, abençoando o ato, nunca antes realizado no Brasil em prol da paz na Síria. A carta chegou às mãos do cônsul há quatro dias, em resposta a um pedido de Cadar endereçado ao Santo Padre em junho. O texto, lido diante dos participantes da manifestação na praça, informava sobre o sentimento do papa em relação ao conflito na Síria. Francisco reforçou sua atenção voltada para a situação no país, que disse acompanhar com orações e iniciativas para o restabelecimento da paz.

A carta lembra ainda uma vigília na Basílica do Vaticano, em setembro de 2013, quando foram feitas invocações pelo fim da guerra. “Em sua homilia, naquela ocasião, o papa perguntava: ‘É possível percorrer o caminho da paz? Podemos sair dessa espiral de dor e de morte? Podemos aprender de novo o caminho e percorrer o caminho da paz?’”, lembra o texto lido por Cadar. No documento, o próprio papa responde: “Sim. É possível para todos, em todos os cantos da Terra. E ainda mais. Queria que cada um de nós, desde o menor até o maior, inclusive os que estão chamados a governar as nações, respondessem: Sim, podemos!”, diz a carta de Francisco.

Em palavras ditas à comunidade árabe que esteve na Praça da Liberdade, o cônsul destacou a importância da realização do ato ontem. “Queremos chamar a atenção das autoridades mundiais, para que elas intercedam pelo fim da guerra na Síria. Estamos consternados com a triste realidade atual lá e queremos mostrar nossa solidariedade às pessoas que sofrem com esse conflito”, afimou.

O cônsul Emir Cadar(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
O cônsul Emir Cadar (foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
Refugidos da guerra, os irmãos Nizar Kadar, de 32 anos, e Yazan Kadar, de 23, viram de perto os horrores da guerra antes de se mudar para o Brasil, onde moram desde 2014. “Nosso país é maravilhoso. Nascemos e crescemos lá, onde vivemos coisas maravilhosas. Mas com o início da guerra começamos a ver muita coisa triste: gente morta nas ruas, imóveis explodidos por bombas, pessoas andando armadas pelas ruas. Eram cenas com as quais não convivíamos e nos entristeceram bastante. Por isso decidimos sair da Síria”, contou Yazan. Tanto ele quanto o irmão sonham com o dia em que poderão ver sua terra natal livre da guerra. “Temos muito orgulho de ser sírios e temos o sonho de que a guerra acabe para voltarmos um dia pra lá”, disse Nizar, que é cabeleireiro e maquiador em um salão da capital. Yazan lembrou ainda da tristeza de ter deixado para trás uma parte tão importante da vida dele. “Estamos perdendo nossas lembranças. Lugares onde vivemos estão sendo destruídos e isso é muito triste pra nós”, disse o jovem, que trabalha como cozinheiro em BH.

Desde a década de 1980 morando em Belo Horizonte, a professora de danças árabes Brigitte Bacha também veio para o Brasil fugindo de conflitos civis na Síria. Aqui se casou e criou raízes. Mas, mantém os laços firmes com o país do Oriente Médio, propagando a cultura árabe. Ontem, ela esteve com o marido, Luiz Roberto Resende, de 51, na Praça da Liberdade, para participar do ato. “Este é um movimento muito importante porque mostra que todos precisam se conscientizar da necessidade de que a paz se restabeleça na Síria. As pessoas estão perdendo seu futuro, sendo obrigadas a sair de sua terra por causa de um conflito estúpido e de prejuízos enormes”, afirma.

O evento na praça teve ainda apresentação de música e danças típicas árabes e o canto do pai-nosso em aramaico, língua que era falada por Jesus e que ainda é idioma em duas cidades sírias.

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