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Estado de Minas

Motoristas dos táxis de luxo de BH querem ser opção em aplicativos

Condutores afirmam que os usuários aprovam a categoria premium, mas apontam a necessidade de opção para o modelo em aplicativos


postado em 14/08/2017 06:00 / atualizado em 14/08/2017 07:41

Setenta táxis premium estão rodando em BH, mas apenas um aplicativo, não cadastrado na BHTrans, oferece o serviço(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Setenta táxis premium estão rodando em BH, mas apenas um aplicativo, não cadastrado na BHTrans, oferece o serviço (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)

“As pessoas estão elogiando bastante o serviço e já tenho passageiros que pegaram meu telefone e me ligaram de novo para fazer outras corridas. Mas nem todo mundo sabe dessa nova modalidade, precisamos de divulgação”, diz o taxista Clenderson Luiz Santos Oliveira, de 38 anos, um dos 70 motoristas que já estão rodando nas ruas de Belo Horizonte com um modelo de táxi mais luxuoso, denominado premium pela BHTrans. O problema é que desde 21 de junho, quando o prefeito Alexandre Kalil (PHS) vistoriou os primeiros carros de um grupo de 400 táxis desse tipo e inaugurou oficialmente o serviço, a tecnologia ainda não foi incorporada oficialmente ao processo de solicitação das corridas de maneira a permitir que a população escolha exclusivamente esse tipo de carro pelos aplicativos de celular. Para o presidente do Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte (Sincavir), Avelino Moreira, a entrada dos táxis premium nos aplicativos é muito importante para melhorar o serviço. “Isso vem dar mais uma opção para o transporte individual legal de passageiros e a nossa meta é servir o cliente e fazer um bom atendimento”, afirma.

Apesar do programa “eCabs” já oferecer corridas apenas com táxis premium, ele não está cadastrado na BHTrans e ainda não traz a informação do tipo de serviço para a população (leia o texto abaixo). Portanto, permanece o tradicional sinal de braço na rua ou a ligação telefônica para alguma cooperativa que tenha um dos motoristas associados como formas de contato para usar esses veículos. Sem o respaldo da tecnologia, as pessoas perdem a chance de usufruir da tarifa, que custa o mesmo preço do táxi convencional, já que a BHTrans determinou o preço igual no período de início da nova modalidade.

Rodando há 30 dias com o novo carro, que é um modelo híbrido, Clenderson diz que o serviço já está aprovado pela população. Inclusive, como a novidade caiu no gosto das pessoas, o rendimento até aumentou. “Com o táxi branco eu fazia uma média de R$ 200 a R$ 250 por dia. Já tive dia de fazer R$ 500 com esse táxi preto. O problema é que muita gente ainda não sabe como ter acesso ao serviço, então a situação pode melhorar ainda mais”, afirma o taxista. Isso porque, dos 11 aplicativos encontrados pela reportagem no mercado (de uma lista de 15 credenciados pela BHTrans), nenhum deles oferece a opção pelo táxi premium, veículo mais luxuoso com uma série de opcionais que começou a entrar no mercado de BH há quase dois meses. Os aplicativos atuais dão opções como corridas com desconto ou alguns opcionais do carro, mas não oferecem segmentação pelo táxi branco ou preto.

Para fazer frente à chegada dos aplicativos de transporte particular ao mercado, a BHTrans lançou uma licitação para 400 novos carros operados por empresas do modelo premium e também permitiu que até 350 condutores individuais façam a migração do táxi convencional para o mais luxuoso. Segundo a empresa, 70 carros dos 400 previstos na licitação para empresas já estão operando. Outros 73 condutores que são os próprios permissionários já estão em processo de migração para o premium. Eles possuem veículos que eram considerados executivos e também têm a cor preta, mas são de uma data anterior e por isso se transformaram em táxis convencionais.

INCERTEZA Giovanni Vaz Rodrigues é presidente da CooperBH Táxi, cooperativa que já conta em sua frota com seis veículos do modelo premium. Ele destaca o momento de incerteza do mercado para os taxistas devido à concorrência com os aplicativos Uber e Cabify como barreira para novos investimentos. Segundo ele, as modificações necessárias no aplicativo da cooperativa, o BH Táxi, para garantir à população a possibilidade de escolha pelo táxi premium gira em torno de R$ 15 mil. “Da forma como está hoje, o investimento pode acabar sendo feito em vão. Precisamos de um parecer da Justiça com relação à lei dos aplicativos aprovada em Belo Horizonte”, afirma.

Independente de qual seja a definição sobre a presença dos aplicativos particulares, o advogado especialista em direito digital Alexandre Atheniense acredita que a tecnologia serve para dar conforto e a maneira que as pessoas chamam os táxis não vai mais retroagir, se tornando imprescindível a escolha do modelo premium pelos aplicativos. “Sem a opção de escolher o modelo, a novidade acaba perdendo o sentido, porque no estágio atual a modalidade de negócio de oferta de serviço de táxi já é convergente para a plataforma digital”, afirma o advogado.

Clenderson Oliveira afirma que quem usa o veículo de luxo elogia, mas aposta na divulgação para melhorar os rendimentos(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Clenderson Oliveira afirma que quem usa o veículo de luxo elogia, mas aposta na divulgação para melhorar os rendimentos (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
A concepção do especialista também é corroborada pelo gerente de Controle de Permissões da BHTrans, Reinaldo Avelar Drumond, que considera a necessidade de escolha do tipo de veículo usando a tecnologia como um caminho sem volta, independente de qual seja o futuro dos aplicativos particulares. Reinaldo explica que a BHTrans atua em duas frentes para possibilitar esse formato. “Nós fazemos um trabalho de gestão, levando ao conhecimento dos aplicativos quais são as opções que temos em Belo Horizonte. Acreditamos que eles vão atender a essa demanda, mas não podemos obrigá-los a fazer. Aqueles com maior capacidade financeira certamente vão aderir mais rapidamente”, afirma o gerente da BHTrans.

O responsável pelo setor de permissões também lembra que o prefeito Alexandre Kalil, atendendo a uma demanda dos taxistas, pediu que a BHTrans fizesse um estudo sobre a elaboração de um aplicativo, considerando o valor cobrado pelas empresas para desenvolver os programas. “Estamos fazendo trabalhos internos e nesse momento avaliando questões técnicas de custos e regras de negócio, pois somos uma empresa pública, para em algum momento apresentar à categoria”, completa.

 

 

Primeiros passos no mercado

 

Apesar de ainda não estar cadastrado oficialmente na BHTrans, o aplicativo “eCabs” já está disponível nas lojas virtuais e oferece corridas só com táxis premium, segundo o presidente da Emanuel Táxi, Charles Alcântara. A Emanuel é uma das 40 empresas que venceu a licitação da BHTrans para operar as novas placas de carros do modelo premium e, segundo Charles, foi a primeira a homologar seu aplicativo, que tem o apoio do Sindicato dos Taxistas (Sincavir) e já conta com cerca de 70 motoristas. Porém, ainda não há nenhuma informação no programa que leve o usuário a descobrir que ele é destinado aos táxis premium.

“Essa atualização está prevista para terça-feira (amanhã). É importante lembrar que os motoristas interessados passam por um curso de aperfeiçoamento, que foca na questão da vestimenta, na postura com o cliente e nos padrões de atendimento, para garantir a prestação de um serviço diferenciado”, diz Charles. Os condutores são obrigados a usar terno e gravata e precisam oferecer balas e água, além de padronizar ações como abrir a porta para os passageiros e ter um guarda-chuvas sempre no carro. A BHTrans informou que vai procurar a empresa para o cadastramento do aplicativo, procedimento que é bem simples.

Já a Associação dos Taxistas do Brasil (Abratáxi) promete para os próximos dias o lançamento de um novo aplicativo em BH no qual motoristas de veículos mais luxuosos terão preferência. A informação é do presidente da entidade, Eduardo Caldeira, que espera ter condição de disponibilizar o aplicativo Táxi Oficial para download nas lojas virtuais até o próximo fim de semana.

Segundo Caldeira, o programa funcionará da seguinte maneira: todas as corridas solicitadas serão direcionadas, prioritariamente, para motoristas dos veículos híbridos (que têm um motor elétrico e outro a combustão), que são o modelo Prius, da marca Toyota. Esses carros representam uma parte das 400 novas permissões licitadas pela BHTrans consideradas premium, mas não são todos. Ainda há outros veículos nessa categoria, como o Corolla, que também é da marca Toyota. Se não houver nenhum Prius disponível, a corrida será direcionada para outro carro, desde que seja um modelo sedan com ar-condicionado. Atualmente, 59 Prius estão rodando na cidade, segundo a Abratáxi.

Mas o app não vai filtrar apenas os carros pretos mais luxuosos nem trará essa opção de escolha. Se for um sedan branco, com ar, ele também poderá ser cadastrado no aplicativo e aceitar a corrida. “Amanhã vamos levar a documentação para cadastramento na BHTrans e esperamos cadastrar os motoristas até o fim da semana. Com a inclusão de 100 a 200 condutores, o aplicativo já vai funcionar”, afirma Caldeira. O programa terá a opção de agendamento de corridas, crédito pré-pago de viagens, desconto de 30% e serviços corporativos.

TJ analisa disputa na quarta


Taxistas preparam uma manifestação para quarta-feira,  quando está marcada uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) sobre o funcionamento dos aplicativos de transporte particular em Belo Horizonte. De acordo com o presidente do sindicato da categoria, Avelino Moreira, motoristas vão se reunir às 10h na Praça do Papa e pretendem descer a Avenida Afonso Pena a pé, até a porta do TJMG, no Centro de BH, onde farão uma vigília aguardando a manifestação do TJMG sobre o caso. A categoria espera que a Justiça dê respaldo para que a Lei 10.900, da Prefeitura de BH, se torne válida, pois ela prevê o funcionamento dos aplicativos desde que façam a intermediação com corridas de táxi.

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