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Estado de Minas

Empresa investigada em fraudes de próteses faz acordo de leniência e vai devolver R$ 5 mi

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a Signus do Brasil se comprometeu a fornecer provas relevantes sobre a atuação da Máfia das Próteses


postado em 07/08/2017 16:53 / atualizado em 07/08/2017 22:14

Novas provas contra integrantes da organização criminosa que cometia fraudes para obtenção de próteses na Região Norte de Minas Gerais e em outros estados brasileiros, podem ser obtidas pelo Ministério Público Federal (MPF). Um acordo de leniência foi fechado entre o órgão e a Signus do Brasil Comércio de Materiais Hospitalares Ltda. 

A empresa se comprometeu a fornecer provas relevantes sobre a atuação da Máfia das Próteses. Além disso, vai pagar R$ 5 milhões a título de multa e indenização. O prejuízo causado pela quadrilha, segundo as investigações, supera R$ 12 bi em todo país. Só no Norte de Minas, o valor apurado é de aproximadamente R$ 5 mi.

O esquema começou a ser investigado em julho de 2014. Um médico foi preso e fez um acordo de delação premiada. De acordo com o MPF, o homem recebeu R$ 120 mil no golpe e devolveu R$ 60 mil. Com as informações conseguidas na delação premiada, a PF montou a operação Desiderato.

Foram cumpridas 72 ordens judiciais em Montes Claros, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Santa Catarina. No Norte de Minas foram cinco prisões, sendo três de médicos. Na capital mineira, um empresário também foi levado para a delegacia.

As fraudes ocorriam por meio de duas empresas, a Signus e Biotronik Comercial Médica Ltda. Segundo a PF, as próteses não usadas nos procedimentos simulados eram desviadas e usadas em cirurgias feitas em clínicas de propriedade dos membros da organização criminosa. Os médicos elaboravam dois laudos diferentes para um mesmo paciente: um era encaminhado ao SUS, a fim de justificar o pagamento, e o outro ao paciente. Os doentes não sabiam da fraude no processo.

As investigações apontam que o SUS pagava pelo stent tradicional entre R$ 2 mil e R$ 3,5 mil. Já pelo stent farmacológico pagava R$ 11 mil. A empresa produtora da prótese pagava aos fraudadores grandes somas pela compra do equipamento, que, na maioria da vezes, sequer chegava a ser usado pelos pacientes. Os médicos recebiam das empresas propinas que variavam de R$ 500 a R$ 1.000 por prótese.

O grupo chegava a receber R$ 110.000 por mês. Os valores pagos somente por uma das empresas investigadas chegou a R$ 1.429.902,57 em menos de três anos. Nos últimos cinco anos, de acordo com a PF, o prejuízo foi de R$ 5 milhões. O grupo criminoso usava uma empresa de fachada para lavar o dinheiro proveniente das atividades ilícitas.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, o MPF afirmou que fez um acordo de leniência com a Signus, que na época da operação representava os produtos da Boston Scientific do Brasil, empresa de origem norte-americana. O acordo poderá ser útil para novas apurações sobre a organização criminosa, segundo o MPF.

“Ao firmar o acordo de leniência, além de reconhecer a prática do pagamento de bonificações e propinas aos médicos, a empresa comprometeu-se a fornecer ao MPF todos os fatos e provas relevantes relacionados à atuação da Máfia das Próteses, auxiliando na elucidação e apuração das infrações. Para isso, a empresa entregou documentos, informações e outros materiais que tinha sob sua custódia, posse ou controle, indicando os nomes de todos os participantes dos atos ilegais e as provas dos crimes praticados”, afirmou o órgão.

Em contrapartida, o MPF considerou suficientemente satisfeitas as repercussões cíveis das condutas ilícitas objeto do acordo quanto aos seus signatários, com exceção de eventual dano ao erário. A empresa também se comprometeu, dentro de 120 dias, criar um programa com o objetivo de implementar, no âmbito das empresas, medidas anticorrupção, especialmente as que visem à prevenção, detecção e remediação de atos lesivos praticados contra a administração pública.

A defesa de dois dos médicos apontados como envolvidos, mesmo depois de tomar conhecimento do acordo de leniência da empresa com o MP, nega que seus clientes tenham cometidos atos ilícitos e diz que aguarda o desfecho do acerto na Justiça para se manifestar.

 

(RG) 

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