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Estado de Minas

Prefeitura põe nas ruas operação para retirar camelôs do Centro de BH

Equipes da prefeitura e da Guarda Municipal ocupam cruzamentos usados pelos ambulantes no Hipercentro da capital


postado em 03/07/2017 08:03 / atualizado em 03/07/2017 11:10

Agentes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ocupam as ruas do Hipercentro na manhã desta segunda-feira como parte das ações anunciadas pela administração municipal para coibir a presença de camelôs na região.

Há presença ostensiva de fiscais da PBH, agentes da BHTrans, guardas municipais e também servidores de apoio. Os fiscais vestem coletes pretos e os de apoio, coletes azuis. As equipes ocupam prioritariamente as esquinas das ruas São Paulo, Carijós e Curitiba, que têm a maior concentração de camelôs e ambulantes.

O ponto base da força-tarefa fica na esquina das ruas São Paulo e Carijós, mas os agentes percorrem toda a região. As ações serão da seguinte forma: primeiro, haverá a orientação. Caso um camelô seja flagrando montando sua estrutura para venda, ele será orientado para que não fique no local, pois isso infringe o Código de Posturas. Se ele insistir na montagem, os produtos serão apreendidos. Para isso, há uma estrutura armada para a remoção da mercadoria.
Guardas, fiscais e agentes de apoio se posicionam nos pontos mais utilizados pelos camelôs no Centro(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Guardas, fiscais e agentes de apoio se posicionam nos pontos mais utilizados pelos camelôs no Centro (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)

Alguns artesãos começam a chegar à Rua dos Carijós, no Centro(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Alguns artesãos começam a chegar à Rua dos Carijós, no Centro (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)

Ao percorrer a região nesta manhã, a reportagem do EM constatou que a presença ostensiva dos fiscais inibiu os camelôs, mas alguns vendedores de cigarros permaneciam nas esquinas desafiando a fiscalização. Havia pelo menos três caixotes montados pelos ambulantes nas ruas dos Guaranis e Tupinambás. Como estratégia para dificultar a identificação, os vendedores ilegais ficam afastados das bancas e só se aproximam quando algum possível cliente chega.

Pela proposta da PBH, os 1.137 ambulantes identificados nessa região da cidade serão realocados em shoppings populares público e particulares e feiras de segurança alimentar. Passarão ainda por cursos de capacitação e podem ter subsídio do poder público para se instalar definitivamente nos centros comerciais – caso projeto nesse sentido seja aprovado pela Câmara Municipal. O decreto que institui o Plano de Ação para o Hipercentro de BH foi assinado no início da semana passada pelo prefeito Alexandre Kalil.

Camelôs que vendem cigarros desafiam fiscalização no Centro. Na foto, esquina da rua dos Guaranis com Tupinambás(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Camelôs que vendem cigarros desafiam fiscalização no Centro. Na foto, esquina da rua dos Guaranis com Tupinambás (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Os camelôs foram avisados e notificados formalmente nos últimos dias sobre a decisão. De acordo com a secretária Municipal de Serviços Urbanos, Maria Fernandes Caldas, só depois dessa etapa começaria a ação fiscal e a retomada do espaço público. 

Vários camelôs, entre eles, cadeirantes, se posicionaram na esquina da São Paulo com a Carijós após serem informados sobre a proibição do comércio no local hoje. Cheila Cristina Ribeiro de Almeida, de 25 anos, que trabalha como camelô há 10 anos, estava indignada. Ela vende acessórios para celular. “Tem muito ladrão aí que tá batendo a mão no peito das pessoas e roubando cordão, abrindo bolsa no meio da rua, roubando celular. E camelô não, camelô tá aqui, tá trabalhando”, reclama. “Não tem emprego, gente. Todo mundo tá vendo a crise que o Brasil tá. É um absurdo a gente chegar pra trabalhar e não poder trabalhar”.
Grupo de camelôs se reuniu após serem abordados sobre a fiscalização(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Grupo de camelôs se reuniu após serem abordados sobre a fiscalização (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)

A ambulante diz que tem um filho de 2 anos, paga aluguel e que, com o comércio, consegue entre R$ 50 a R$ 100 por dia. Por conta disso, Cheila diz que vai resistir à restrição. “Não monto banca, mas continuo trabalhando. Vou vender na mão, vou continuar trabalhando. Porque eu não vou ver meu filho passar fome. Vou fazer o quê? Vou voltar pra casa sem nenhum centavo, com a geladeira vazia e o armário vazio? Não. Isso aí não vai acontecer, não”, enfatiza.
Ambulantes reunidos na Rua Carijós, no Centro de Belo Horizonte(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Ambulantes reunidos na Rua Carijós, no Centro de Belo Horizonte (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)




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