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Estado de Minas

Recuperação das cores da Igreja São José entra em nova etapa

Pintura do templo que fica no Centro de BH também será restaurada na lateral da Rua dos Tupis. Recursos para garantir o trabalho vieram da contribuição de devotos


postado em 25/04/2017 06:00 / atualizado em 25/04/2017 08:06

Campanha 'São José é 10' bancou os R$ 600 mil necessários à nova fase dos trabalhos, que levará oito meses(foto: Marcos Vieira/EM/D.A PRESS)
Campanha 'São José é 10' bancou os R$ 600 mil necessários à nova fase dos trabalhos, que levará oito meses (foto: Marcos Vieira/EM/D.A PRESS)
Depois de anos de muito trabalho para devolver à capital os traços originais de um dos seus principais monumentos, chega à última etapa a pintura externa da Igreja São José, no Centro de Belo Horizonte. Começou no fim de semana a montagem dos andaimes para os serviços que vão durar oito meses e valorizar a arquitetura de uma das construções religiosas mais importantes da cidade e, para especialistas em arte, a mais bonita. “A obra começará no próximo dia 2 e terá duração de oito meses”, disse ontem o vigário paroquial padre Flávio Campos, lembrando que os recursos de R$ 600 mil provêm da campanha “São José é 10”, com ampla participação comunitária. No ano que vem, a intervenção será na parede do fundo do templo.


A nova fase contempla a lateral esquerda, voltada para a Rua Tupis. Desde 2011, quando começou o projeto de restauração, foram empregados cerca de R$ 5 milhões no templo – “sempre com dinheiro do dízimo, festas e cantina aos domingos, e jamais com recursos públicos”, como ressalta padre Flávio. A parede vai acompanhar as linhas das partes já concluídas (frente, torres e lateral direita), com as cores originais vermelho, laranja e cinza. Todo esse conjunto se torna um atrativo para o patrimônio interior: recebendo a visita diária de tanta gente – no domingo, passam pelo templo cerca de 5 mil fiéis –, a Igreja São José resgatou a luminosidade interna com um trabalho artístico esmerado.

“Como nas etapas anteriores, o trabalho de agora, a cargo da especialista Maria Regina Reis Ramos, do Grupo Oficina de Restauro, responsável pela obra desde o início, inclui a remoção das camadas de pintura e restauração seguindo o modelo do início do século 20”, diz o vigário paroquiano da congregação redentorista. “Nosso objetivo é fazer a requalificação do espaço, resgatando a originalidade. Vista do alto, a igreja tem o formato de uma cruz, e os jardins e a escadaria têm o desenho de um cálice”, afirma. Assim, para o ano que vem, estão previstas também a revitalização da calçada no entorno, acessibilidade, corrimão nas escadarias, todas intervenções aprovadas pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte.

PARTICIPAÇÃO Com a camisa da campanha “São José é 10”, que traz a estampa do santo com o Menino Jesus, o coordenador da Pastoral do Dízimo e ministro da eucaristia, Antônio Guimarães, explica que a participação dos fiéis é decisiva. “As pessoas abraçaram a campanha. Distribuímos 10 mil carnês”, afirmou. “Muita gente nos procurou para ajudar, alguns muito humildes, trazendo um saco de moedas.” Outros agradeceram. “Uma mulher relatou que esqueceu o laptop em um táxi e o recuperou graças a São José, pois o carnê estava junto com o equipamento”, contou Guimarães. A campanha tem à frente o titular da Paróquia de São José, padre Nelson Antônio Linhares.

Na manhã de ontem, quem chegava ao tempo para a missa ou simplesmente passeava pela Avenida Afonso Pena não deixava de notar os andaimes. “A igreja está muito bonita, essa obra enriquece nosso patrimônio”, comentou a dona de casa Maria Conceição Moreira. A amiga Maria da Piedade Prado Silva, também moradora do Bairro Buritis, na Região Oeste da capital, destacou a beleza do templo que se destaca na região central. “Está maravilhosa, vistosa com essas cores”, disse a pedagoga Carolina Carina, moradora do Centro e igualmente admiradora da restauração.

DESTAQUES A primeira fase de restauro da Igreja São José se refere ao interior da igreja e ocorreu entre 2010 e 2013; e a segunda, em 2014, contemplou a recuperação da fachada e torres. Nesse ano, foi também recuperada a capela interna, chamada de Oratório. Em 2016, foi a vez da lateral direita, voltada para a Rua dos Tamoios, seguindo à risca o projeto elabora por Edgard Nascentes Coelho, em maio de 1901, quando a capital ainda se chamava Cidade de Minas.

No interior da igreja, um dos destaques está nas pinturas parietais – feitas diretamente nas paredes e teto, sobre o reboco, moda em BH no início do século 20 –, que consumiram dois anos de trabalho, entre 1911 e 1912. Considerado o maior conjunto desse tipo de ornamentos em igrejas da capital, o interior da matriz reúne uma variação de motivos religiosos e alguns pagãos: há figuras de 28 santos – de um lado os homens e do outro as mulheres –; o patrono da matriz no alto do arco-cruzeiro, com a inscrição “Rogai por nós”; os evangelistas; painéis mostrando José do Egito, que nada tem a ver com o pai adotivo de Jesus, sendo vendido pelos irmãos e depois em sua volta triunfal; Nossa Senhora ao lado dos apóstolos; e até os símbolos do zodíaco, que, para os religiosos, representam constelações. A decoração pictórica de São José foi feita pelo alemão Guilherme Schumacher, entre 1911 e 1912.

Enquanto isso...
...Estrutura metálica é retirada

Andaimes sobem, estruturas descem. Instalada para publicidade há mais de 20 anos num anexo da Igreja São José, na esquina das ruas Tupis e Rio de Janeiro, no Centro da capital, a gigantesca armação metálica que cobria uma loja foi retirada no fim de semana. Segundo os padres redentoristas, a intervenção seguiu orientação do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte. Trata-se, segundo os padres redentoristas, de mais uma intervenção para requalificação do quarteirão da São José.


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