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Estado de Minas

Escolas de BH se mobilizam contra o jogo Baleia Azul

Colégios de BH enviam comunicados aos pais e promovem palestras para discutir como proteger jovens do Baleia Azul, desafio online que induz à automutilação e até ao suicídio


postado em 21/04/2017 06:00 / atualizado em 21/04/2017 07:31

Em escolas de Pernambuco, Polícia Federal já promove palestras para orientar pais, alunos e professores sobre como lidar com a internet(foto: SRPF-PE/Divulgação)
Em escolas de Pernambuco, Polícia Federal já promove palestras para orientar pais, alunos e professores sobre como lidar com a internet (foto: SRPF-PE/Divulgação)
Diante das investigações em Minas Gerais de casos que podem ter relação com o desafio on-line Baleia Azul, que induz crianças e adolescentes à automutilação e, em alguns casos,  ao suicídio, instituições privadas de Belo Horizonte estão se mobilizando para ajudar na prevenção e combate ao problema e, ao mesmo tempo, para tranquilizar os pais. Por meio de comunicados, cartas e palestras, as instituições de ensino pretendem reforçar a parceria entre escola e família para a proteção dos jovens, principalmente em tempos de fácil acesso virtual a todo tipo de informação, positiva ou negativa.

No Colégio Batista Mineiro, a Escola de Pais, um programa que tem o objetivo de apoiar o desenvolvimento da criança e do adolescente na escola, discutindo temas que desafiam os pais na educação de seus filhos, está promovendo a palestra “Depressão na infância e na adolescência”. Serão tratados, além do distúrbio mental, temas como o jogo Baleia Azul e a série 13 Reasons Why, que acalorou, em especial na internet, conversas sobre bullying, assédio sexual e verbal, depressão e suicídio.


“Neste momento de alerta geral, em que as famílias estão muito preocupadas, é muito importante esse diálogo entre família e escola. Essas duas instituições são parceiras no processo educativo, e precisam trabalhar juntas”, defende Valseni Braga, diretor-geral da Rede Batista de Educação. O diretor também aponta que as escolas podem facilitar e ajudar as famílias que ainda não sabem como agir em relação ao assunto. “Nas escolas, por meio da conversa com especialistas, professores, alunos e pais, é possível repercutir abertamente e acolher as famílias, indicando caminhos saudáveis e promovendo ajuda mútua”.

ORIENTAÇÕES A Rede Salesiana Brasil de Escolas (RSB-Escolas) e os colégios Magnum e Marista Dom Silvério também se mobilizaram para debater o tema e instruir os pais. Em carta, a RSB-Escolas enviou orientações sobre a série e o jogo. “Profissionais da área de psicologia têm alertado que 13 Reasons Why, embora tenha valores contra o bullying, não toma os cuidados adequados para tratar do assunto. É importante conversar com os jovens e aprofundar as questões abordadas: quais são as generalizações da série? Qual outra alternativa a protagonista poderia ter escolhido? Como ajudar um colega que sofre agressões na escola?”, aponta a nota.

O Marista Dom Silvério também reforçou a importância de os pais acompanharem as escolhas dos programas, jogos e séries de TV de seus filhos. “À escola cabe, sobretudo, orientar os nossos estudantes para que tomem decisões em prol do respeito, por si e pelo próximo, do amor e da vida. Enquanto educadores, temos a ciência de que a tarefa de educar e formar é uma grande missão para a vida toda”.

Eldo Pena Couto, diretor do Colégio Magnum, também fez um comunicado aos pais, no qual repercute os assuntos. “O suposto jogo Baleia Azul é apenas o pano de fundo para um cenário de aumento de casos de suicídio entre jovens que se repete há anos. Meses atrás, o jogo do momento era o da asfixia. Agora é o Baleia Azul. Daqui a um tempo terá um novo. A questão que devemos levantar é: o que vamos fazer para evitar?”, questiona. Segundo o comunicado do diretor, é preciso ir além de apenas conversar sobre o desafio Baleia Azul ou proibir/obrigar os jovens a ver uma série que fale sobre suicídio. “O que pode realmente ajudar a prevenir uma tragédia é permitir que o filho ou filha se sinta seguro para conversar, respeitando as suas individualidades”, ressalta.

SECRETARIA Por sua vez, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) informou que também dialoga com diretores e a comunidade escolar. “Como o jogo ‘Baleia Azul’ está sendo bastante repercutido nas redes sociais, a secretaria está finalizando material informativo sobre esse fenômeno, que será distribuído a todas as escolas. No material, vão constar informações como perfil das possíveis vítimas, como identificar sinais de participação, orientações para as famílias e encaminhamentos devidos”, afirmou a pasta por meio de nota. Segundo a secretaria, também estão programadas ações para diretores e coordenadores pedagógicos. Em outros estados, escolas têm sido fórum para tratar de problemas ligados à internet. A Polícia Federal em Pernambuco, por exemplo, promove palestras para orientar sobre como se proteger de crimes na web.

 

 

Polícia apura 4 casos em Minas


A Polícia Civil de Minas  investiga se dois casos de suicídio e dois de automutilação no estado têm relação com o game Baleia Azul. O primeiro registro foi de um jovem de 19 anos que se matou em Pará de Minas. Em Leopoldina, é apurada a participação de um jovem de 18 anos no jogo. Segundo a corporação, a mãe do garoto  informou que o filho participava do jogo e tinha cortes no braço. Em Belo Horizonte, um adolescente de 16 anos foi achado morto no fim de semana no Bairro Ribeiro de Abreu. Familiares suspeitam que haja relação com o Baleia Azul. Em Manhuaçu, uma adolescente de 13 anos foi encontrada desmaiada em casa após ingerir medicamentos para epilepsia e dores musculares. A vítima deixou o hospital na quarta-feira.

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