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Estado de Minas

Professora denuncia colega por tirar comida de gatos em campus da UFMG

Denúncia de maus-tratos teria ocorrido em campus que reúne a Faculdade de Medicina, a Escola de Enfermagem e o Hospital das Clínicas, no Santa Efigênia. Cerca de 60 gatos são mantidos no local, pelo projeto Proteger e Cuidar


postado em 25/03/2017 06:00 / atualizado em 25/03/2017 10:16

Cerca de 60 gatos vivem hoje no Câmpus Saúde da UFMG sob os cuidados de professoras da Escola de Enfermagem(foto: Proteger e Cuidar/Divulgação )
Cerca de 60 gatos vivem hoje no Câmpus Saúde da UFMG sob os cuidados de professoras da Escola de Enfermagem (foto: Proteger e Cuidar/Divulgação )

Duas professoras que mantêm um projeto que cuida de gatos no Câmpus Saúde da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no Bairro Santa Efigênia, denunciaram um professor doutor, de renome internacional, por maus-tratos, porque teria mandado uma aluna orientada por ele retirar a água e a comida colocada para animais que vivem no local.

O câmpus congrega a Faculdade de Medicina, a Escola de Enfermagem e o Hospital das Clínicas. O último é o atual responsável pela gestão da área. De acordo com a delegada Cristiane Ferreira, titular da Delegacia Especializada de Investigação de Crimes contra a Fauna, onde foi feita a denúncia, retirar a comida não configura maus-tratos, a priori, e o caso é considerado como fato atípico.

A professora da Escola de Enfermagem Ana Lúcia de Mattia, fundadora do projeto Proteger e Cuidar, afirma que na quinta-feira da semana passada, quando transitava no corredor que dá acesso ao laboratório coordenado pelo professor denunciado, uma jovem a abordou e perguntou se ela era a mulher que alimentava os gatos que vivem nas dependências da universidade. Ela respondeu que sim e a moça, que, segundo ela, a muito custo se identificou como aluna, teria ordenado que parasse de dar comida aos felinos, senão tiraria as vasilhas deixadas por ela.

“Enquanto conversava com a aluna, vi que uma das caixas plásticas em que alimenta os gatos já não estava lá nem o pote de água, que ficam no canteiro ao lado do laboratório. Três cartazes produzidos pela comissão que faz a gestão do câmpus, que pedem respeito aos animais e para não mexer na comida dada a eles, também haviam sumido. A jovem confessou que já tinha retirado tudo a mando do professor doutor, que a coordena, e jogado no lixo comum, misturado a outros rejeitos, como fraldas e restos de comida”, continuou Ana Lúcia.

Ana Lúcia conta que foi, então, procurar o homem, que segundo ela, a teria atendido de maneira grosseira e gritado, mandando que ela levasse os animais para a casa dela. Naquela tarde, a professora registrou, na Delegacia Especializada de Investigação de Crimes contra a Fauna, um boletim de ocorrência contra o professor e a aluna. As duas professoras que integram o projeto também fizeram um registro interno do ocorrido na Comissão Permanente do Câmpus Saúde da UFMG, que gerencia o lugar.

APURAÇÃO INTERNA Em nota, a Comissão informou que foi notificada pelas partes e instaurou procedimento de apuração dos fatos, considerando a atuação das professoras no projeto Proteger e Cuidar e o grande fluxo de pacientes atendidos no complexo Hospital das Clínicas, localizado no Câmpus Saúde da UFMG. A assessoria também informou que tentou contato por telefone com o professor, porém ele não foi encontrado.

PROJETO A professora da Escola de Enfermagem Vânia Goveia e Ana Lúcia atuam há sete anos no projeto voluntário, desvinculado da instituição de ensino. Segundo Vânia, a área, atualmente, abriga cerca de 60 gatos, dos quais 90% são castrados com recursos próprios. “Castramos, vacinamos e devolvemos o gato para o ambiente onde foi encontrado”, disse Vânia. “Temos a aprovação no meio dos protetores dos animais e de veterinários do Centro de Zoonose de BH”, continuou. De acordo com os cálculos de Ana, os gastos com os animais não saem por menos de R$ 2,5 mil por mês.

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