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Estado de Minas

Militantes LGBT+ cobram investigações sobre morte de travesti em BH

A vítima foi morta em seu apartamento no último domingo, no Bairro Carlos Prates


postado em 20/02/2017 17:57 / atualizado em 20/02/2017 22:51

Amigos da vítima disseram que ela era uma pessoa amável e não tinha desafetos(foto: Reprodução Facebook/Divulgação)
Amigos da vítima disseram que ela era uma pessoa amável e não tinha desafetos (foto: Reprodução Facebook/Divulgação)
A morte de uma travesti na madrugada do último domingo em Belo Horizonte se soma às estatísticas brasileiras que colocam o país em primeiro lugar em crimes por transfobia no mundo, segundo dados divulgados no ano passado pela ONG Transgender Europe. A ativista das causas LGBT+, Anyky Lima, vice-presidente do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos), afirmou que cobrará das autoridades respostas sobre o assassinato. Segundo ela, a comunidade está chocada com a brutalidade do crime.

"A nossa Justiça é muito falha, ainda não reconhecem transfobia como crime. Bateram muito nela e, por fim, foi sufocada até a morte dentro do próprio apartamento. Pra mim foi um crime de ódio. Até quando seremos as culpadas das nossas mortes? Até quando vão continuar matando trans e travestis?", indaga Anyky. A Polícia Civil informou que já está investigando o caso e que, até a publicação desta matéria, não tinham suspeita da autoria e motivação. A delegada Adriana Rosa, do Departamento de Homicídios, é responsável pelas investigações. No último dia 12, Mirella registrou uma ocorrência de agressão física contra seu ex-namorado. No documento, ela revela que levou chutes, socos e uma garfada no ombro.

No boletim de ocorrência (BO) da Polícia Militar, consta que Mirella de Carlo, de 39 anos, garota de programa e defensora dos direitos de transgêneros, foi sufocada com uma toalha de banho dentro de seu quarto, no apartamento onde morava, no Bairro Carlos Prates, Região Noroeste. Além do esganamento, o corpo da vítima apresentava marcas de agressão física. Uma amiga que dividia o apartamento com a vítima relatou a PM que na noite anterior ao crime saiu para uma festa por volta de 1h e achou Mirella com um semblante triste.

Segundo a PM, em resposta à amiga, ela assegurou que estava tudo bem, disse apenas que estava cansada e que iria dormir e descansar. No dia seguinte, a mulher chegou em casa pela manhã e viu a porta do quarto fechada. Quando entrou no cômodo, achou que Mirella ainda estava dormindo. Depois de sete horas fechada no quarto, sem fazer barulhos, a testemunha estranhou e resolveu checar se a companheira de apartamento estava bem. Ao abrir a porta, viu a travesti morta com uma toalha enrolada no pescoço.

De acordo com a PM, a manicure que faz as unhas de Mirella contou que no sábado foi atendê-la e também percebeu que a mulher estava triste. A resposta dada à manicure foi a mesma dita a amiga. Ela afirmou que estava cansada e que naquela noite não iria trabalhar. Outra testemunha, o namorado de longa data da vítima, disse aos policiais que momentos antes da morte ele conversou com ela durante uma hora por telefone. A ligação foi interrompida quando o interfone tocou e Mirella disse atenderia um cliente. No BO consta que não há sinais de arrombamento na porta do apartamento e na portaria do prédio.


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