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Estado de Minas

Congonhas e Pampulha guardam semelhanças além do título de Patrimônio Cultural da Humanidade

O paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) assina jardins do conjunto moderno da Pampulha e do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, na cidade barroca


postado em 24/07/2016 06:00 / atualizado em 24/07/2016 08:49

Jardins do Santuário Senhor Bom Jesus de Matosinhos (E) são assinados por Burle Marx (D) (foto: Euler Júnior/ Sidney Lopes/EM/D.A Press)
Jardins do Santuário Senhor Bom Jesus de Matosinhos (E) são assinados por Burle Marx (D) (foto: Euler Júnior/ Sidney Lopes/EM/D.A Press)

Congonhas –
Há duas fortes conexões entre o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, tesouro Barroco da “cidade dos profetas”, e o conjunto moderno da Pampulha, na capital. Além de serem patrimônios culturais da humanidade, ambos têm jardins projetados pelo paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994), que deixou sua marca na Igreja de São Francisco de Assis, no Museu de Arte da Pampulha (MAP) e em outros prédios projetados pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) para Belo Horizonte, na década de 1940. Quem visita Congonhas dificilmente se dá conta de que o gramado com ipês e palmeiras que circunda as seis capelas ou Passos recriando a via-crúcis de Cristo, com as peças de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1737-1814), leva a assinatura do paisagista.

No Museu de Congonhas, inaugurado em dezembro e que já atraiu cerca de 40 mil pessoas, os visitantes podem ver o projeto datado de 1972 e assinado pelo paisagista. “O Jardim dos Passos tem uma forma de zigue-zague e fica mais visível do alto”, mostra o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo (Fumcult) e diretor do museu, Sérgio Rodrigo Reis. Ele adianta que uma equipe do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que trabalha no Sítio Roberto Burle Marx, em Barra de Guaratiba, no Rio de Janeiro, chegará à cidade depois da Paralimpíada 2016 para estudos e recomposição visual do espaço.

Entre as novidades no jardim está o plantio de cipó-de-são-joão sobre as muretas laterais. Diante do projeto original, Reis mostra a indicação de Burle Marx a respeito da trepadeira de tom laranja forte e com floração no inverno. “O jardim conserva seu desenho original, está intacto, há uma ou outra espécie exótica no gramado”, diz o presidente da Fumcult. Ele cita outra conexão com a Pampulha, que recebeu o título da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no domingo passado: o santuário e o conjunto moderno são “sítios” dentro de cidades, diferentemente de Ouro Preto, na Região Central, e Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, cujos centros históricos, muito maiores, têm a chancela da instituição internacional.

PARCERIA

O turismo, analisa Reis, é um dos maiores beneficiários do título e, por isso mesmo, a Fumcult quer fortalecer os laços com a Fundação Municipal de Cultura (FMC), vinculada à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), para dinamizar o setor. Residente em Brusque (SC), o casal Sílvio e Carina Heil, comerciantes, com as filhas Kamilli, de 11 anos, e Maísa, de 7, chegou a Congonhas depois de saber, em Ouro Preto, que a cidade também era Patrimônio Cultural da Humanidade. “Daqui vamos a BH para conhecer a Pampulha”, contou Sílvio, enquanto lia atentamente a sinalização interpretativa dos monumentos, a primeira implantada no país com as orientações da Unesco (cores, pictografia etc.).

POEIRA

Assim como Ouro Preto e Diamantina, Congonhas viu o número de veículos mais que dobrar nos últimos 10 anos – de 10,6 mil para 25,4 mil, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran)/Ministério das Cidades. Mas o grande problema, segundo as autoridades, continua sendo a poeira da mineração, que põe em risco os monumentos. Um passo para reduzir o problema foi dado em reunião na quinta-feira, na Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em BH, quando as empresas Vale, Ferrous e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) assinaram termos de compromisso que preveem a implantação de uma rede de monitoramento da qualidade do ar em Congonhas.

Com recursos de R$ 25 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estão sendo conduzidas, de acordo com a Fumcult, as obras de restauração do santuário, da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, da alameda que liga a Romaria ao santuário. Em andamento, o Parque Ecológico da Romaria e em projeto, o restauro da Romaria, o cine teatro Leon, o prédio da Câmara Municipal, que será uma biblioteca, e o Museu da Ladeira.

Segundo o Iphan, os monumentos históricos de Congonhas “em geral, estão em bom estado”.

 

Congonhas
Monumentos que seduzem visitantes na cidade, que recebeu título de Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco, em 1985

. Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos
. Profetas esculpidos por Aleijadinho (foto)
. Seis capelas ou Passos da Paixão de Cristo
. Museu de Congonhas

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