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Estado de Minas

Vegetação, aos poucos, retorna a Bento Rodrigues

A revegetação traz um pouco de alento a alguns moradores, certos de que, mesmo destruída pela lama da barragem da Samarco, a localidade responde com vida e a força das plantas


postado em 18/02/2016 06:00 / atualizado em 18/02/2016 07:37

Em meio à lama que devastou o subdistrito, plantas e gramíneas voltam a crescer sobre o rejeito de minério(foto: Túlio Santos/EM/DA Press)
Em meio à lama que devastou o subdistrito, plantas e gramíneas voltam a crescer sobre o rejeito de minério (foto: Túlio Santos/EM/DA Press)
Mariana – A árida paisagem coberta de lama começa, aos poucos, a ganhar a cor típica da natureza. Em trechos do subdistrito de Bento Rodrigues, a 50 quilômetros do Centro de Mariana, na Região Central, o verde brota sobre a “terra arrasada” em que se transformou o vilarejo durante o rompimento da Barragem do Fundão, da mineradora Samarco, na maior tragédia socioambiental do país. A revegetação traz um pouco de alento a alguns moradores, certos de que, mesmo destruída, a localidade responde com vida e a força das plantas.

Quem chega à antiga comunidade se surpreende com as fileiras, ainda pequenas, dos exemplares plantados em dezembro. Na parte mais alta, diante das casas que ficaram de pé, é possível ver agora o contraste impressionante entre o verde e o marrom, o fim e o recomeço, a camada de rejeitos e as plantinhas.

“Só não fiquei surpreso, porque já tinham me falado do plantio”, disse o presidente da Associação Comunitária de Bento Rodrigues, José do Nascimento de Jesus, o Zezinho do Bento. Ao visitar o local, ficou feliz pela fertilidade de uma região totalmente devastada pela lama. “Choveu na região, então fica melhor para a vegetação e esse retorno mostra que temos uma terra abençoada”, contou o presidente da associação, que tinha no terreno da sua casa apenas dois pés de mexerica. “Muitos vizinhos plantavam frutas, verduras e legumes e colhiam bem”, afirma. Ele hoje mora em um imóvel alugado pela mineradora.


O aposentado José Gilberto Martins, conhecido como Deco, de 65 anos e residente durante 18 anos em Bento Rodrigues, plantou e colheu durante muitos anos as verduras, mandiocas e cana. “Mas a terra lá no Bento não era muito boa não, a gente tinha que pôr muito esterco, adubar bastante para dar certo”, diz Deco, que hoje mora no distrito de Santa Rita Durão, também em casa alugada pela mineradora. Os milagres da vida estão presentes em outros cantos. “Já me falaram que tem até pé de bananeira nascendo no meio da lama. O capim também está vindo. É a natureza dando retorno”, afirma.

De acordo com a Samarco, teve início, em 10 de dezembro, o trabalho de revegetação emergencial e temporária das margens dos rios Gualaxo e Doce, entre a cidade de Mariana e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, que fica entre os municípios de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, na Zona da Mata.

RECUPERAÇÃO Em nota, a mineradora informa que “o trabalho usa um mix de plantas nativas de rápida germinação”. O objetivo é evitar que as margens fiquem expostas e os sedimentos sejam carreados para os rios até que o plano de recuperação ambiental, conduzido pelo Samarco, esteja concluído e determine os parâmetros para a revegetação definitiva do local. O trabalho foi iniciado em 200 hectares. A mineradora ainda informa que já contratou mais 600 hectares de revegetação. Ao todo, 240 pessoas devem atuar nessa nova frente.

Termo de preservação
A mineradora Samarco informa que assinou um Termo de Compromisso Preliminar com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), visando a preservação do patrimônio cultural sacro nas comunidades próximas à barragem de Fundão. “A empresa já realizou o cercamento da Capela de Nossa Senhora das Mercês, que se encontra em área não atingida pelo rompimento da barragem, com tapumes e organiza a estruturação de uma equipe técnica habilitada, integrada por engenheiro, arquiteto, conservador-restaurador, entre outros, para fazer o diagnóstico estrutural e dos elementos artísticos da edificação”, diz a nota. O Estado de Minas mostrou os efeitos do abandono no subdistrito de Bento Rodrigues, entre eles, a queda do muro centenário na capela que ficou de pé.

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