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Estado de Minas

Veja história de mineiros que terminam 2015 com gostinho de vitória pessoal

Mesmo com ano marcado por turbulências político-econômicas, além de tragédias humanitárias e ambientais, muitos já estão renovando a esperança em um futuro melhor para o planeta


postado em 01/01/2016 06:00 / atualizado em 01/01/2016 09:43

Ver galeria . 5 Fotos Laura Elias se formou em medicina e conseguiu o emprego que queriaBeto Novaes/EM/D.A.Press
Laura Elias se formou em medicina e conseguiu o emprego que queria (foto: Beto Novaes/EM/D.A.Press )

O ano que acabou foi difícil para boa parte dos habitantes do planeta. Crise migratória na Europa provocada pela guerra da Síria, que contabiliza mais de 4 milhões de refugiados e dois atentados terroristas em Paris, só para citar exemplos que vieram de fora. E o Brasil não fez por menos. Protagonizou uma crise política que fez a economia desandar, a operação Lava-Jato, o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, além de manter no comando da Câmara Federal Eduardo Cunha, acusado de corrupção. Isso para não falar do sofrimento com a seca e da tragédia humana e ambiental derivada do rompimento da Barragem do Fundão, da Samarco, em Mariana, na Região Central do estado. Mesmo assim, 2015 não é um ano para ser esquecido. Apesar das dificuldades, muita gente conseguiu romper barreiras para realizar sonhos impensáveis nos planos pessoal e profissional.

A professora aposentada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cristina Guedes e sua amiga, a engenheira química Yrlene Cherques, não reclamam do ano que passou. Ao contrário, só querem saber de comemorar. Há muitos motivos para tanta animação, mas o principal é que, em 2015, as duas descobriram que vão ser avós. “Ser avó é meu sonho de consumo. Já nasci para isso. Ser mãe foi só um detalhe”, diz Yrlene Cherques, que está se aposentando depois de 30 anos de trabalho na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e se prepara para curtir a netinha Elis, que chega ao mundo em 2016. “Não reclamo de nada. Em 2015, conheci a Escandinávia inteira, fui a Montreal e ainda viajamos para Amsterdã, Kopenhagen e Paris. Mas o melhor de tudo foi saber que vou ser avó da Sol, que chega em fevereiro”, diz Cristina Guedes.

O mastologista e cirurgião do câncer Leandro Ramires, do Hospital das Clínicas, é pai de Benício, de 7 anos, portador da síndrome de Dravet, forma severa de epilepsia refratária, na qual a maioria dos pacientes não passa da primeira infância. Em 2015, porém, graças ao uso do canabidiol e das conquistas pouco a pouco alcançadas na luta pela liberação da substância derivada da maconha para o tratamento da epilepsia e outras doenças, Benício ganhou muito em qualidade de vida. “Por causa das crises, Beni era internado em regime de urgência 12 vezes por ano. Em 2015, isso ocorreu somente uma vez. Ele, que tem um quadro de autismo grave, já começa a interagir, aprender a se vestir e a manipular os talheres”, diz o médico, comemorando os avanços na saúde do filho.

OÁSIS

Para a dramaturga mineira Silvia Gomez, natural de Lavras, no Sul de Minas, o ano que passou foi sensacional, em que pese os solavancos no mundo e no Brasil. Ela estreou a peça Mantenha fora do alcance do bebê em junho de 2015, premiada no ano anterior pelo Centro Cultural São Paulo, um espaço multidisciplinar de cultura na capital paulista. O espetáculo lotou diariamente o teatro da instituição, que tem mais de 300 lugares, e ela foi premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria autor/dramaturgo, além de ter sido indicada ao Prêmio Shell de Teatro. “Num ano tão difícil em vários aspectos, foi um oásis ter o amor das pessoas envolvidas no projeto, acreditar, fazer algo diferente, com um pouco de utopia e de sonho”, diz a dramaturga. Também em 2015, Silvia teve sua primeira peça, O céu cinco minutos antes da tempestade, lida em Madri, na Espanha, a convite da embaixada brasileira no país.

O trabalho foi traduzido para o espanhol, francês, inglês, sueco, italiano e agora está sendo vertido para o mandarim. Além disso, foi convidada para um projeto em Edimburgo, na Escócia, onde ficou por duas semanas. Para quem tinha vergonha de mostrar seu trabalho mais recente, foi um ano estupendo. “Voltei, ganhei o APCA e somente ser indicada para o Shell já é um prêmio. Tinha vergonha de mostrar a peça, mas as coisas foram acontecendo”, revela. O ano de 2015 ensinou à dramaturga que é preciso enfrentar. “Às vezes, a gente tem medo de ir atrás das coisas nas quais acredita, deixa para amanhã, deixa para outro dia. Mas é preciso enfrentar e fazer. O resultado pode ser bom ou não, mas é preciso fazer”, acredita.

Para a médica recém-formada Laura Elias, apesar de 2015 ter sido um ano difícil, também houve muito a comemorar. Ela acaba de receber o registro do Conselho Regional de Medicina (CRM) e já conseguiu o emprego que queria. “Neste ano, vivenciei um problema sério de saúde em minha família e foi extremamente difícil. Mas há poucas semanas recebemos a notícia de que o tratamento foi um sucesso. Além disso, acabei de me formar em medicina, um curso que me realiza de todas as formas”, explica. Laura diz que tais conquistas trazem alegria, principalmente porque sua família compartilha dessa felicidade. “Para mim, uma das melhores sensações é ver que as pessoas que você ama estão bem e realizadas. E isso está acontecendo. Apesar de toda a turbulência do ano, termino esse período como uma as melhores fases de minha vida. No final, 2015 soube se redimir”.

REBENTOS

A empresária Fabiana Nicolau do Carmo Brasil Figueiredo engravidou em 2015 e levou um susto ao saber que seu primogênito teria duas irmãzinhas gêmeas – e univitelinas. “Nosso projeto era ficar em dois filhos, mas aí descobri que estava grávida de gêmeos. Meu marido quase caiu da cadeira, todo mundo dizia que seria muito complicado, mas as coisas estão tranquilas”, diz a empresária, que não tem empregada doméstica nem babá, e conta somente com a ajuda da mãe e do marido. “Como empresária, foi um ano difícil, mas tudo mudou com a alegria da chegada das meninas”, resume.


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