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Estado de Minas REGIÃO METROPOLITANA DE BH

Após cinco meses sem alcançar meta de economia, racionamento de água fica mais próximo

Pelo 5º mês seguido, Grande BH nem chega perto da poupança de 30% tida como essencial pela Copasa. Economia nos próximos dias vai definir se o racionamento começa em agosto


postado em 16/07/2015 06:00 / atualizado em 16/07/2015 07:31

Sistema Rio Manso, que faz parte do Paraopeba, responsável pelo abastecimento da Região Metropolitana de BH, é um dos que estão em situação crítica, devido à estiagem(foto: Leandro Couri/EM/DA Press - 20/3/15)
Sistema Rio Manso, que faz parte do Paraopeba, responsável pelo abastecimento da Região Metropolitana de BH, é um dos que estão em situação crítica, devido à estiagem (foto: Leandro Couri/EM/DA Press - 20/3/15)

O baixo índice de economia de água na Região Metropolitana de Belo Horizonte faz com que a população caminhe para enfrentar a restrição no fornecimento já no próximo mês. Ontem, a Copasa informou que a redução de consumo em junho foi de apenas 15,02%, na comparação com igual período de 2014. A estatal destacou a melhora em relação a maio, quando a poupança foi de 14,5%, mas admite que os índices, equivalentes à metade da meta desejável, “não são suficientes para evitar o racionamento”. Pelo contrário: os dados indicam uma tendência que se repete desde fevereiro (veja arte) e que dificilmente será revertida neste mês, considerado fundamental para definir se haverá cortes no abastecimento em agosto.

Em junho, a presidente da Copasa, Sinara Meireles, havia dito que, caso a meta de redução de 30% no consumo não fosse cumprida até julho, a restrição era iminente. “O mês de julho vai ser crucial para essa tomada de decisão. Temos acompanhado e reavaliado todos os cenários de enfrentamento do problema neste tempo de seca. Sendo necessário o racionamento, ele possivelmente terá início no mês de agosto”, disse ela, durante entrevista coletiva. Já a taxa extra sobre consumo excedente está descartada pela companhia.

O engenheiro José Magno Senra Fernandes, mestre em recursos hídricos e ex-superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento da Copasa, considera o racionamento uma medida muito provável. “A população deveria economizar pelo menos 20% neste mês. A gestão técnica da Copasa tem conseguido reduzir as perdas de água. As chuvas inesperadas de abril e maio também contribuíram. Mas, ainda assim, BH pode ter restrição de fornecimento de água pelo menos por dois dias da semana, com maior prejuízo para as partes altas da cidade”, prevê.

Com experiência de quem trabalhou por 25 anos na Copasa, ele explica que, em caso de racionamento, a estatal terá que superar as dificuldades impostas pelo relevo da capital. “Na área central de BH e nos bairros da parte baixa, as restrições temporárias do fornecimento não serão sentidas. Porém, o impacto nas áreas elevadas será maior, resultando em uma economia forçada. Isso porque, com a queda na pressão, a retomada do fornecimento será gradativa e pode demorar”, explicou.

DESEMPENHO A média de redução do consumo na Grande BH dos últimos cinco meses não é animadora: 14,02%. O menor índice ocorreu em fevereiro, 9,4%, primeiro mês da campanha de economia. Em março, o índice deu um salto, para 16%, mas em abril o índice de poupança voltou a cair, para 15%, sempre em comparação com igual período de 2014. O Sistema Paraopeba, responsável pelo abastecimento de água da capital e parte da Grande BH, ontem acumulava 34,2% de sua capacidade. Em julho do ano passado, o sistema operava com 56,1% do total e, no mesmo período em 2013, com 89,4%.

O engenheiro José Magno considera que a situação em Belo Horizonte ainda é confortável em relação a São Paulo. “O reservatório Serra Azul, o mais crítico do sistema que abastece a região metropolitana, está com 14,5% de sua capacidade. Em São Paulo, reservatórios essenciais estão com apenas 10%”, comparou.

Níveis críticos dos reservatórios e economia insuficiente podem levar a restrição (clique para ampliar)(foto: Arte EM)
Níveis críticos dos reservatórios e economia insuficiente podem levar a restrição (clique para ampliar) (foto: Arte EM)
A estatal informou em nota que continuará monitorando permanentemente o volume dos reservatórios e o comportamento dos índices pluviométricos, além de pedir a colaboração dos consumidores para aumentar a economia. No início de agosto, após analisar os resultados e a situação das represas, a companhia vai definir se restringirá o fornecimento.

Foi em janeiro, com a constatação do baixo nível dos reservatórios do Sistema Paraopeba, que a Copasa definiu a meta de economia para evitar o racionamento. Mas, em fevereiro, o Estado de Minas constatou que apenas 20,37% dos consumidores economizaram água na capital. No estado, a situação foi ainda pior: 27,59% dos usuários tiveram gasto maior de água.

Escassez se espalha pelos mananciais

O avanço da crise hídrica em Minas já se reflete na redução crítica da vazão da maioria dos mananciais monitorados pelo Instituto Mineiro das Águas (Igam), como o Rio das Velhas, que tem sua área a partir de Rio Acima até Raposos e a foz (Barra do Guaicuí) em situação de alerta, que antecede a restrição de consumo que diminui as captações. Como mostrou matéria publicada pelo Estado de Minas na terça-feira, dos 25 mananciais acompanhados, 16 se encontram abaixo do normal, em níveis de atenção, alerta ou restrição, o dobro do início das medições, em maio.

Um manancial entra em estado de atenção quando sua vazão chega a 200% do nível mais baixo de um histórico de 10 anos, numa sequência de sete dias, chamado índice Q7,10. Nesse estágio, os usuários devem ficar atentos a um agravamento da situação. O patamar seguinte é o de alerta, disparado quando o curso hídrico chega ao índice, marcando a iminência de uma interferência nas outorgas, que só ocorre quando se está a 30% abaixo da Q7,10, momento em que se inicia a restrição de captações.

Essa diminuição compulsória já ocorre no Sistema Paraopeba, que abastece a Grande BH. No caso do Rio das Velhas, as medições em Pedro Leopoldo (médio) e Santo Hipólito (foz), registraram índices abaixo da menor vazão histórica Q7,10, na razão de 7% e 6%, respectivamente. Em Rio Acima, na cabeceira do manancial, o estado é de atenção, com as águas ainda 43,4% acima do nível mais crítico.

Já a baixa vazão do Rio Doce, provocada por assoreamento e seca, que culminou com o fechamento de sua foz principal para o Oceano Atlântico, em Linhares (ES), se alastrou por toda a bacia. É o que mostra o último levantamento do Instituto Mineiro de Gestão das águas (Igam), publicado na semana passada. Todos os afluentes monitorados figuram com volume abaixo do considerado normal. Formador da nascente do Doce ao se encontrar com o Rio do Carmo, em Ponte Nova, na Zona da Mata, o Rio Piranga foi o primeiro em Minas Gerais a entrar em estado de alerta. (Com Mateus Parreiras)

(foto: Luiz Ribeiro/EM/DA Press)
(foto: Luiz Ribeiro/EM/DA Press)

TENSÃO NO GORUTUBA O clima voltou a ficar tenso às margens do Rio Gorutuba, em Janaúba, no Norte de Minas, devido à disputa entre pequenos produtores e grandes irrigantes pela água, diante da seca rigorosa. Agricultores anunciam que estão mobilizados para destruir barramentos feitos no rio pelos grandes irrigantes, que fazem a captação clandestina com o uso de bombas potentes (foto) e deixam prejudicadas mais de 400 famílias de quilombolas, situadas rio abaixo. A Barragem do Bico da Pedra deveria garantir a vazão para todos os usuárrios da bacia,o que não vem ocorrendo devido às captações irregulares.

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