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Estado de Minas

Crise de falta de água em Minas será avaliada hoje pelo governo estadual

Três semanas depois do alerta para redução do consumo de água, nível de reservatórios melhorou com a chuva, mas o risco de racionamento permanece.


postado em 12/02/2015 06:00 / atualizado em 12/02/2015 10:04

Sistema Serra Azul é o mais crítico da região metropolitana. Nível já esteve em 5,6% em 5 de janeiro e ontem registrou 7,6%(foto: BETO NOVAES/EM/D.A PRESS)
Sistema Serra Azul é o mais crítico da região metropolitana. Nível já esteve em 5,6% em 5 de janeiro e ontem registrou 7,6% (foto: BETO NOVAES/EM/D.A PRESS)

O nível dos reservatórios que abastecem a Grande BH melhorou com as chuvas acima da média nos primeiros dias de fevereiro, três semanas depois do alerta para a população reduzir o consumo em 30% para evitar rodízio, racionamento e sobretaxa na conta em três meses. Mas o risco de adoção de medidas drásticas permanece, porque o volume de água ainda é muito reduzido. O mais crítico é o Sistema Serra Azul, que em 2014 abriu fevereiro com 50,6% de sua capacidade. No dia 1º deste mês, tinha apenas 6,4% e, ontem, estava em 7,6%. Segundo especialistas, para recuperar o nível, será preciso chover na média ou acima dela nos próximos três ou quatro anos.

De acordo com a Copasa, o nível da água do Sistema Paraopeba nessa quarta-feira era igual ao de 17 de janeiro. “Portanto, nos últimos 25 dias, o volume reservado se manteve estável. Em janeiro de 2015, choveu apenas 50% da média histórica no mês”, nformou a empresa. A única chance de evitar rodízio ou racionamento, reforçou a Copasa, “é a redução espontânea de consumo em 30%. Mas, há 15 dias, essa economia estava em apenas 13%.

Na avaliação de especialistas, sem redução do consumo e aumento do índice pluviométrico, os reservatórios não terão capacidade para abastecimento até novembro, quando são esperados os maiores volumes de chuva.

O reservatório do Sistema Vargem das Flores, que operava em 1º de fevereiro do 2014 com 67%, iniciou o mês este ano com apenas 28,4%. Com as águas dos últimos dias, o nível subiu para 30,5%, ainda considerado muito baixo. Da mesma forma, os reservatórios dos sistemas Paraopeba e Rio Manso, que apresentavam em 1º de fevereiro, respectivamente, 29,9% e 44,2%, com as últimas chuvas, registraram ontem 30,7% e 44,4%, pouco menos da metade que apresentavam há um ano.

“As previsões não são das melhores. Temos que parar de falar que a situação vai melhorar, pois só vai piorar, e muito”, alerta o coordenador do Centro de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Barreira Martinez. A população não deve relaxar, segundo ele, e se conscientizar que estamos no meio de uma crise hídrica, à beira de um racionamento de energia elétrica. “Todo mundo corre o risco de ficar sem água e no escuro”, lembra.

O técnico de planejamento hidroenergético da Cemig, Geraldo Paixão, concorda que a população deve continuar economizando água, pois, mesmo com muita chuva em fevereiro e março, não será possível recuperar o déficit: “As chuvas ajudaram, pois começam a recuperar o lençol freático, mas não o déficit hídrico”.

CONSELHO AVALIA A CRISE HOJE
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente definiu como um dos parâmetros para a declaração de situação crítica de escassez hídrica – o que implica em restrição de uso – quando o volume útil dos reservatórios estiver abaixo de 10% de sua capacidade. Trata-se de minuta da deliberação normativa que será apreciada hoje pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos. Para reservatórios com capacidade entre 10% e 30%, será declarado “estado de alerta”.

Minas Gerais será o primeiro estado brasileiro a definir critérios para estabelecer uma eventual situação de escassez. Se aprovados os parâmetros indicados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, a tendência é de que o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), órgão gestor de recursos hídricos, determine a restrição temporária da vazão no Sistema Paraopeba. Restrita a vazão, será competência do município ou da concessionária, nesse caso específico, a Copasa, a definição de racionamento ou rodízio, ou qualquer medida que destinada a adequar o consumo à disponibilidade.

Segundo a proposta da Secretaria de Meio Ambiente, a decretação de situação crítica de escassez hídrica terá como consequência a restrição de uso para captações de água de 20% do volume diário outorgado para o consumo humano, 30% para o consumo industrial e para irrigação.

RECURSOS FEDERAIS

O secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães, informou ontem que a União garantiu repasse de R$ 809 milhões para Minas combater a crise hídrica. Vários projetos foram apresentados ao governo federal, entre eles o de é a captação de água do Rio Paraopeba para o Sistema Rio Manso para atender a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Foi a primeira reunião entre integrantes da força-tarefa com o governo federal em Brasília. Nova reunião será marcada para detalhar cada um deles. Não há previsão para liberação da verba.

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