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Estado de Minas

Copasa admite rodízio e racionamento, mas há bairros de BH em que a água já era

O desabastecimento já é problema. Em quatro anos, a interrupção no fornecimento dobrou


postado em 24/01/2015 06:00 / atualizado em 24/01/2015 11:54

'Será uma adaptação muito difícil. No calor, tomar mais de um banho por dia, nem pensar', Júlia Gomes, aposentada, moradora do Bairro Castelo(foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
'Será uma adaptação muito difícil. No calor, tomar mais de um banho por dia, nem pensar', Júlia Gomes, aposentada, moradora do Bairro Castelo (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)

Enquanto a Copasa admite a possibilidade de rodízio e até racionamento, muitos moradores de Belo Horizonte já enfrentam um grave problema semelhante, que é a interrupção no fornecimento de água. Em quatro anos, houve um aumento de 118% nas interrupções do serviço em vários bairros, segundo os comunicados oficiais da Copasa. Em 2011, foram 22, e o número mais que dobrou no ano passado, 48. Em Minas, houve aumento de 16%. De 53 em 2011, passaram para 64 em 2014 no estado. Um dia depois de a presidente da companhia, Sinara Meireles Chenna, anunciar uma série de medidas para reduzir o consumo em 30%, moradores dos bairros Caiçara, na Região Noroeste, Cidade Nova, na Região Nordeste, Castelo e Bandeirantes, na Pampulha, se queixam de problemas no fornecimento.

No Bairro Buritis, os moradores já recorrem aos caminhões-pipa. A reportagem do Estado de Minas procurou as cinco maiores empresas de fornecimento de água por meio de caminhões-pipa em Belo Horizonte e região e em todas os principais clientes da capital mineira são os condomínios e empresas do Bairro Buritis. O fluxo é tão intenso que de acordo com a empresa Água Viva, só nesta quinta-feira foram deslocados 12 caminhões com capacidades de 8 mil, 10 mil, 16 mil e 20 mil litros para essa região. As companhias informaram que precisam traçar rotas de atendimento, pois não há veículos suficientes para atender a todos os pedidos.

No Bairro Castelo, os moradores se preparam para lidar com a suspensão do fornecimento em um momento do dia. Em um condomínio na Avenida Miguel Perrela, o subsíndico Humberto Costa até fixou um alerta no elevador. “Estamos sem água no bairro e também no reservatório do condomínio. Segundo informações, teremos racionamento de água todos os dias até que volte a chover em Minas.”

Diante da iminência de falta de água, a aposentada Júlia Gomes, de 45 anos, já pensa em medidas de redução de gasto. “Começou ontem. Aqui no prédio tem piscina. Será uma adaptação muito difícil. No calor, tomar mais de um banho por dia, nem pensar”, afirmou. Segundo ela, a informação que foi repassada a ela é que haverá a interrupção do fornecimento de água pelo menos uma hora por dia. A filha de Júlia, Jéssica Oliveira Gomes, de 21, lembra que a escassez d’água não é de agora. “Há um mês, a água acabou e ficamos um dia inteiro sem fornecimento.”

Moradores também reclamam da irregularidade no fornecimento, no Bairro Caiçara. Na Rua Marambaia, a água costuma faltar por volta das 15h. “A água vem na parte da manhã, mas à tarde acaba. Pode ser que o problema ocorra por não ter pressão suficiente para chegar até aqui”, afirma o vigilante Diego Samuel Duarte Moreira, de 27 anos.

Na mesma rua, funcionários de um lava a jato afirmam que passaram a fazer a lavagem dos carros a seco, substituindo a água por produtos químicos. De acordo com relatos dos moradores, o bairro ficou durante na última quarta-feira sem água. “Anteontem, faltou água o dia inteiro. Só normalizou à noite. Temos que encher os baldes e economizar cada vez mais”, afirmou o aposentado Gilberto Monteiro Pio, de 63.

No Bairro Cidade Nova, o proprietário do sacolão Semente da Terra, Olavo Júnior de Araújo, foi alertado por funcionários da prefeitura sobre o desperdício. “Passaram na porta viram que eu estava lavando as verduras com a mangueira, desceram do carro e disseram para usar o borrifador.” Ele pondera que no futuro a abordagem pode ser mais rigorosa. “Por enquanto, não falaram de multa. Mas me disseram para economizar o máximo possível.”

Por meio de nota, a Copasa admite os problemas de interrupção do fornecimento. “Devido a diversos problemas no macrossistema de água que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte, alguns bairros estão apresentando intermitências no abastecimento. A Copasa já esta tomando as medidas necessárias para a regularização dos sistemas”, diz a nota.

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