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Estado de Minas

No embalo da virada, famílias se reúnem na orla da lagoa para acompanhar o réveillon

Esperança e fé movem milhares de pessoas na tradicional queima de fogos do espetáculo de ano novo da TV Alterosa


postado em 01/01/2015 06:00 / atualizado em 01/01/2015 08:07

Depois de 10 anos, Isabela voltou à Pampulha para assistir aos fogos, ao lado do marido, Frederico, da irmã, Gabriela, e da filha, Ana Clara(foto: Túlio Santos/EM/D. A. Press)
Depois de 10 anos, Isabela voltou à Pampulha para assistir aos fogos, ao lado do marido, Frederico, da irmã, Gabriela, e da filha, Ana Clara (foto: Túlio Santos/EM/D. A. Press)
Momento de comemorar com a família e amigos, agradecer pelas conquistas do ano que acabou, comemorar vitórias, alimentar esperanças e pedir um 2015 melhor. Ontem, o movimento começou cedo na orla da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. Milhares de pessoas eram esperadas para assistir ao 25º Réveillon da TV Alterosa, espetáculo que virou tradição na virada do ano na capital. Houve quem chegou sete horas antes da meia-noite só para garantir um bom lugar para ver o show pirotécnico para acompanhar 15 minutos de efeitos especiais e cores no céu, beleza refletida no espelho d’água e nos olhos das pessoas. No fim da tarde, já era grande o movimento de pessoas fazendo oferendas à imagem de Iemanjá, na altura do Bairro São Luiz. Rosas brancas, amarelas, frutas e perfumes para agradar a rainha das águas e pedir boas energias para o ano que começa. O vendedor Rogério César de Oliveira, de 39 anos, pediu saúde, paz, prosperidade e proteção para toda a família. “Deus é quem sabe. A gente faz os pedidos e, se for do nosso merecimento, Ele nos atende.”

Mas não faltaram muitos pedidos por um Brasil melhor. O operador de computadores Harley Cury, de 42, foi vestido de verde e amarelo para pedir a Deus menos corrupção. “A coisa está feia. Eles estão roubando a gente que não é brincadeira. Pedir políticos honestos é pedir muito, eu sei disso. Meu desejo é de que as pessoas sejam mais solidárias.” Ele chegou à Pampulha sete horas antes da queima de fogos. “Parei meu carro distante, pois as ruas estão interditadas, e vim andando. É claro, não esqueci meu balde com bebidas e um sanduíche de pernil para aguentar até a meia-noite”, disse Harley, que mora no Bairro Nova Floresta, na Região Leste. Ao contrário dos anos anteriores, não foi passar o réveillon com a família na cidade de Cláudio, no Centro-Oeste de Minas. “Já vi muito a queima de fogos da Pampulha pela televisão. É maravilhoso. Ao vivo, deve ser mais bonito.” Solteiro, até desejou que a lagoa tivesse ondas, para saltá-las e pedir uma namorada.

A técnica em saúde bucal Isabela Cristina Costa, de 30, voltou à festa promovida pela TV Alterosa depois de 10 anos. Desta vez com o marido e a filha, Ana Clara, de 5, e uma irmã adolescente. "Chegamos às 17h para garantir o melhor lugar”, disse Isabela, já ocupando um dos bancos da orla da lagoa. “Ficamos com medo de enfrentar trânsito pesado e viemos bem cedo para ter tranquilidade.” Para os parentes dela, foi a primeira vez. Várias pessoas viajaram do interior e foram direto para a lagoa, levando mala e tudo. “Temos que renovar as esperanças, fazer pedidos e pagar promessas. E nada melhor do que perto da água e com o céu iluminado. É isso que peço a Deus: muita luz e muita paz nas nossas vidas em 2015”, disse Isabela, que mora em Esmeraldas, na Grande BH.

A dona de casa Elenice de Oliveira se vestiu de branco para ver o espetáculo na lagoa com o marido, Élcio Miranda, e a filha, Raquel Vitória(foto: Túlio Santos/EM/D. A. Press)
A dona de casa Elenice de Oliveira se vestiu de branco para ver o espetáculo na lagoa com o marido, Élcio Miranda, e a filha, Raquel Vitória (foto: Túlio Santos/EM/D. A. Press)

DINHEIRO A dona de casa Elenice de Oliveira Rodrigues, de 29,  veio de Sete Lagoas com a filha, Raquel Vitória, de 3, e o marido, Élcio Miranda, de 34. Ela se vestiu de branco e amarelo para pedir paz e dinheiro em 2015. “Estamos precisando, pois o nosso governo anda muito ruim.” Foi a primeira vez deles na festa. “Decidimos começar o ano com o pé direito”, disse Élcio. “Quem sabe a lagoa nos traz sorte?", suspirou Elenice.

Luan Saúde tem 17 anos, é jogador de futebol de base e, mesmo com o sobrenome, pediu mais saúde a Deus em 2015. “Sempre é bom, ainda mais na minha profissão.” O adolescente foi de branco, impecavelmente vestido, na esperança de também de encontrar uma pessoa especial. “Paz, amor, saúde. Meu 2014 foi razoável, tranquilo, mas espero um 2015 melhor.”

A organização da festa recebeu elogios do público. Muitos policiais militares, bombeiros e fiscais da BHTrans garantindo a ordem.


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