
Mas não faltaram muitos pedidos por um Brasil melhor. O operador de computadores Harley Cury, de 42, foi vestido de verde e amarelo para pedir a Deus menos corrupção. “A coisa está feia. Eles estão roubando a gente que não é brincadeira. Pedir políticos honestos é pedir muito, eu sei disso. Meu desejo é de que as pessoas sejam mais solidárias.” Ele chegou à Pampulha sete horas antes da queima de fogos. “Parei meu carro distante, pois as ruas estão interditadas, e vim andando. É claro, não esqueci meu balde com bebidas e um sanduíche de pernil para aguentar até a meia-noite”, disse Harley, que mora no Bairro Nova Floresta, na Região Leste. Ao contrário dos anos anteriores, não foi passar o réveillon com a família na cidade de Cláudio, no Centro-Oeste de Minas. “Já vi muito a queima de fogos da Pampulha pela televisão. É maravilhoso. Ao vivo, deve ser mais bonito.” Solteiro, até desejou que a lagoa tivesse ondas, para saltá-las e pedir uma namorada.
A técnica em saúde bucal Isabela Cristina Costa, de 30, voltou à festa promovida pela TV Alterosa depois de 10 anos. Desta vez com o marido e a filha, Ana Clara, de 5, e uma irmã adolescente. "Chegamos às 17h para garantir o melhor lugar”, disse Isabela, já ocupando um dos bancos da orla da lagoa. “Ficamos com medo de enfrentar trânsito pesado e viemos bem cedo para ter tranquilidade.” Para os parentes dela, foi a primeira vez. Várias pessoas viajaram do interior e foram direto para a lagoa, levando mala e tudo. “Temos que renovar as esperanças, fazer pedidos e pagar promessas. E nada melhor do que perto da água e com o céu iluminado. É isso que peço a Deus: muita luz e muita paz nas nossas vidas em 2015”, disse Isabela, que mora em Esmeraldas, na Grande BH.

DINHEIRO A dona de casa Elenice de Oliveira Rodrigues, de 29, veio de Sete Lagoas com a filha, Raquel Vitória, de 3, e o marido, Élcio Miranda, de 34. Ela se vestiu de branco e amarelo para pedir paz e dinheiro em 2015. “Estamos precisando, pois o nosso governo anda muito ruim.” Foi a primeira vez deles na festa. “Decidimos começar o ano com o pé direito”, disse Élcio. “Quem sabe a lagoa nos traz sorte?", suspirou Elenice.
Luan Saúde tem 17 anos, é jogador de futebol de base e, mesmo com o sobrenome, pediu mais saúde a Deus em 2015. “Sempre é bom, ainda mais na minha profissão.” O adolescente foi de branco, impecavelmente vestido, na esperança de também de encontrar uma pessoa especial. “Paz, amor, saúde. Meu 2014 foi razoável, tranquilo, mas espero um 2015 melhor.”
A organização da festa recebeu elogios do público. Muitos policiais militares, bombeiros e fiscais da BHTrans garantindo a ordem.
