
Do pacote já definido, entre os novos locais destacam-se endereços que tiveram problemas de segurança recentemente, como a Praça do Papa, no Bairro Mangabeiras, e o Aglomerado da Serra, ambos na Região Centro-Sul, além do Bairro Buritis, Oeste, segundo mais populoso da capital. Quatro áreas onde o consumo de crack assusta também serão contempladas com projeto específico. Fecham a lista duas regiões com grande concentração de serviços: Barreiro e Venda Nova. Para as polícias Militar e Civil, a tecnologia é uma ferramenta importante para combater os crimes contra o patrimônio, segmento em que os roubos se destacam. Nos três primeiros meses de 2014 foram 8.380 assaltos na capital, 28% a mais do que as 6.526 ocorrências do tipo no mesmo período do ano passado.
As câmeras que funcionam hoje em Belo Horizonte estão espalhadas basicamente em seis regiões, mas cobrem setores mais restritos, como os arredores de estádios ou de grandes equipamentos públicos. Todas estão integradas ao programa Olho Vivo, do governo estadual, que começou a ter os primeiros equipamentos instalados em 2004, na Região Centro-Sul, e em 2008 se expandiu para a Noroeste e Pampulha, totalizando 156 aparelhos. Em junho do ano passado, 18 olhos eletrônicos foram posicionados nos arredores da Arena Independência, Leste de BH. A capital conta ainda com 36 câmeras em volta da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, no Bairro Serra Verde, Região de Venda Nova.
Antes do pontapé inicial da Copa do Mundo, outras 97 câmeras estarão funcionando especialmente para o Mundial, segundo a coronel Neuza Mendes, diretora de Tecnologia e Sistemas da Polícia Militar. “Elas vão cobrir os arredores do Mineirão e os principais corredores de acesso”, afirma a coronel. Esse lote foi dividido em duas fontes de recursos. A primeira tem 67 equipamentos custeados pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). As outras 30 partem de investimento da Secretaria Extraordinária de Segurança em Grandes Eventos (Sesge), vinculada ao Ministério da Justiça, e não serão instaladas exclusivamente em pontos em volta do Mineirão. Elas estão previstas também para bairros como Cruzeiro (1) e Belvedere (1), na Centro-Sul, e Gameleira (5), na Região Oeste. Das 97, 61 já estão operando.
Outro lote importante, que começa a ser instalado nos próximos dias, tem 128 câmeras, parte de um investimento de R$ 14 milhões do governo do estado. Entre os beneficiados nesse grupo destacam-se áreas residenciais, como o Bairro Buritis, na Região Oeste, que vai receber sete equipamentos, os bairros Comiteco e Mangabeiras (Centro-Sul), que juntos vão receber nove, pelo menos um na Praça do Papa, e o conjunto formado pelo Bairro Serra e Aglomerado da Serra, somando 48 câmeras.
A coronel Cláudia Romualdo, comandante de Policiamento da Capital, evitou comentar pontos específicos e afirma que as escolhas refletem o geoprocessamento da segurança pública na capital, que é o retrato de onde ocorrem os crimes. “Foram solicitados à PM os locais de maneira geral em BH onde temos os registros das ocorrências. A câmera permite que você monitore um certo perímetro e nos garante a possibilidade de antecipar a ação diante de situações mais suspeitas”, afirma.
O superintendente de Investigação e Polícia Judiciária da Polícia Civil, Jeferson Botelho, acrescenta que as investigações ganham muito com a ampliação do videomonitoramento. “Além de materializar o delito, também fica mais fácil esclarecer a autoria, principalmente nos casos dos crimes patrimoniais, como as saidinhas de banco ou explosões de caixas eletrônicos”, afirma o delegado.
Compõem a conta ainda um lote de 153 equipamentos, de responsabilidade da Prefeitura de Belo Horizonte, e outro do Ministério da Justiça, via Secretaria Nacional de Segurança Pública, que fazem parte do programa Crack, é possível vencer. Para esse, 80 câmeras serão colocadas em pontos de consumo da droga. Segundo a Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial, o conjunto de responsabilidade da PBH é uma promessa de campanha do prefeito Marcio Lacerda e custou R$ 10 milhões. Todos os aparelhos já estão posicionados em bairros das regiões do Barreiro (54), Venda Nova (52), Nordeste (33), Leste (12) e Norte (2). Faltam apenas ajustes técnicos para garantir que a Polícia Militar faça a operação. A previsão de funcionamento é o fim de julho.
Um segundo grupo formado por 183 câmeras, que também serão custeadas pela PBH, por indicação do Orçamento Participativo de 2011, depende ainda da assinatura do contrato com a empresa vencedora da licitação para o início dos trabalhos. Na ocasião, as regiões Leste, Nordeste e Centro-Sul optaram pelos equipamentos, que devem ser distribuídos em 28 bairros.
Enquanto isso...61 aparelhos fora de combate
Um balanço da PM mostra que das 261 câmeras que atualmente estão aptas a funcionar em Belo Horizonte, 61 estão com problemas que inviabilizam a geração de imagens. A principal dificuldade é o rompimento da fibra ótica que alimenta 30 aparelhos, cuja responsabilidade de manutenção, segundo a PM, é da própria corporação, no caso da Região Noroeste, e da Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte (Prodabel), na Centro-Sul. Outras 16 câmeras estão com problemas na própria estrutura. Além disso, oito foram retiradas dos locais de origem, devido a obras da prefeitura e retornam após a conclusão das intervenções. Há também cinco casos de problemas elétricos, cuja responsabilidade é da Cemig, e dois casos de outros defeitos. A corporação informou que a licitação para os reparos está sendo providenciada.

