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Estado de Minas

Novas câmeras de monitoramento vão ajudar a combater o crime nos pontos cegos de BH

Ampliação do número de equipamentos privilegia áreas antes não cobertas pela vigilância eletrônica e regiões vulneráveis a crimes contra o patrimônio e tráfico


postado em 24/05/2014 06:00 / atualizado em 24/05/2014 07:24

Leandro Alves de Souza trabalha em loja de artigos esportivos que já foi alvo de assaltos no Buritis. Bairro é um dos que ganharão equipamentos(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Leandro Alves de Souza trabalha em loja de artigos esportivos que já foi alvo de assaltos no Buritis. Bairro é um dos que ganharão equipamentos (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)

A expansão do videomonitoramento em Belo Horizonte vai garantir, ainda em 2014, que regiões nunca contempladas com os olhos eletrônicos ganhem reforço na segurança. Apesar de quase 100 equipamentos estarem previstos para funcionar antes da Copa do Mundo, eles vão privilegiar o Mineirão e os principais acessos. São dois os lotes que entrarão em funcionamento até o fim do ano, somando 281 câmeras, que revelam novas preocupações da Polícia Militar em BH. As regiões Centro-Sul, Barreiro, Venda Nova, Oeste, Norte e Nordeste terão ampla disseminação dos equipamentos em centros comerciais, áreas residenciais e aglomerados. Nas ruas, a população aprova a tecnologia e clama por mais segurança.

Somando o Bairro Serra e o conjunto de comunidades do Aglomerado da Serra, Centro-Sul de BH, são 48 câmeras, o que demonstra uma preocupação especial com o tráfico de drogas. “Na Serra temos um aumento de roubos, mas também há a questão do tráfico nas vilas. As câmeras vão nos ajudar a saber quem está envolvido com a criminalidade, para que essas pessoas sejam tiradas de circulação”, afirma o tenente-coronel Eucles Figueiredo Honorato Júnior, comandante do 22º Batalhão da PM. Os bairros Mangabeiras e Comiteco (Centro-Sul), que concentram residências de alto padrão, terão nove equipamentos, sendo cinco no Mangabeiras. “Tivemos aumento do número de furtos e roubos nessa região em 5%, comparando os primeiros meses de 2013 e 2014”, afirma o comandante.

Um dos pontos que vão receber a fiscalização eletrônica é a Praça do Papa, palco de tumultos recentes denunciadas pelo Estado de Minas, especialmente de madrugada. O consumo e a venda de drogas preocupam a acadêmica Ana Luzia Zakur, de 23 anos, moradora da praça. “Esse monitoramento é essencial, uma vez que o tráfico de drogas é explícito, a partir das 22h até o fim da madrugada”, diz ela.

Outro bairro onde os moradores e comerciantes pedem mais segurança é o Buritis, Oeste de BH, palco do roubo seguido de assassinato do fisioterapeuta e funcionário público Christiano Costa, de 34, em janeiro. Das sete câmeras previstas para os principais pontos de circulação de pessoas do bairro, uma vai cobrir o miolo formado pelas ruas José Rodrigues Pereira, Walter Guimarães Figueiredo e pela Avenida Professor Mário Werneck. Bem perto dali, o funcionário de uma loja de artigos esportivos, Leandro Alves de Souza, de 26, conta que na última segunda-feira dois adolescentes pegaram dois tênis na vitrine e correram. Ano passado foi pior. “Três homens entraram na loja e um deles, armado, fez uma limpa de mercadorias e ainda roubou R$ 600 de um cliente. Depois, saíram caminhando normalmente”, afirma.

O lote de 128 câmeras para os bairros Serra, Mangabeiras, Comiteco e Buritis estará funcionando até o fim do ano, segundo a diretora de Tecnologia e Sistemas da PM, coronel Neuza Mendes. Nos próximos dias, está previsto o início das instalações. Os 153 equipamentos custeados pela PBH, já posicionados, dependem de detalhes para que a PM tenha acesso às imagens. Um desses locais é o centro comercial da Região de Venda Nova, na esquina das ruas Padre Pedro Pinto e Cascalheiras. O ponto, que é considerado uma das principais zonas quentes para o crime de roubo em BH, vai começar a ser monitorado até o fim de julho.

É nesse endereço que fica uma loja de cama, mesa e banho, gerenciada por Hélio Edson Sampaio. O estabelecimento já foi alvo de quatro arrombamentos. “Somos reféns dos bandidos. Aqui normalmente eles arrombam e levam mercadorias. Acredito que essa câmera será importante para a prevenção, inibindo novas ações”, diz ele.


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