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Estado de Minas

Golpista confessa que há uma década fazia compras de luxo com cheques roubados

Moradora do Sion é acusada de dar prejuízo de R$ 120 mil a lojas de decoração, butiques e mercados de bairros nobres


postado em 29/01/2014 06:00 / atualizado em 29/01/2014 07:00

Segundo a Polícia Civil, Andréa Brant levava a filha, hoje com 16 anos, às lojas para não gerar suspeitas (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)
Segundo a Polícia Civil, Andréa Brant levava a filha, hoje com 16 anos, às lojas para não gerar suspeitas (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)

As unhas recém-cuidadas e pintadas por um esmalte da moda contrastam com o uniforme vermelho da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), nova vestimenta de Andréa Brant Ladeira, de 55 anos, considerada a maior estelionatária da Zona Sul de Belo Horizonte. Acostumada a dar calotes em comerciantes dos bairros Mangabeiras, Sion e Cruzeiro, entre outros da região, a golpista apresentada nessa terça-feira disse aos policiais da 3ª Delegacia Sul que agia havia mais de 10 anos fazendo compras com cheques furtados e roubados de outras pessoas, sempre adquiridos no Morro do Papagaio, aglomerado do Bairro Santa Lúcia, Centro-Sul da capital.

Estima-se que ela tenha causado um prejuízo de cerca de R$ 120 mil com pequenos mimos de qualidade que se espalhavam por todos os tipos de comércio. Roupas, artigos de decoração e supermercados eram os preferidos. O que mais chama a atenção é que Andréa não se preocupava em morar em frente à unidade policial que a investigava. Para prendê-la na semana passada, os agentes precisaram apenas atravessar a Rua Chicago, no Bairro Sion, onde ela vivia com uma filha.

Um dos responsáveis pelo inquérito, o delegado Samuel Neri explicou que Andréa está relacionada a pelo menos 18 ocorrências de estelionato e sua prisão preventiva é fruto de um trabalho de seis meses de investigação. Na prática, ela comprava, no Morro do Papagaio, talões de cheques furtados ou roubados e os repassava quando fazia compras na Região Centro-Sul da capital. Muitas vezes, os talões eram obtidos em furtos de veículos e levados para o aglomerado, onde são comercializados. “Ela escolhia pequenos comércios, que tinham menor controle sobre os cheques. Inventava assinaturas e também dava nomes falsos”, diz o delegado. As investigações mostraram que a estelionatária foi casada com um empresário rico e se acostumou com uma vida de alto padrão. “Ela demonstra ser compulsiva por compras”, acrescenta Neri.

FLAGRANTE

Em 2004, a mulher, que tem formação superior em psicologia, foi presa em flagrante por uma ocorrência de estelionato, mas, mesmo condenada, acabou respondendo em liberdade. Desta vez, a polícia espera uma pena superior a 15 anos de prisão, somando todos os casos relatados por vítimas e também outros dois crimes. Um deles é a falsificação de documentos, já que ela alega ter comprado atestados médicos falsos que chegaram a ser repassados até para a própria Polícia Civil, com o objetivo de escapar das intimações para ser ouvida. Outro crime pelo qual o delegado Samuel Neri pretende indiciá-la é a corrupção de menores, já que Andréa usava uma filha de 16 anos para visitar os comércios e, consequentemente, ganhar mais credibilidade em suas compras de luxo. A menina também era a responsável por atender as pessoas que procuravam a mãe para cobrar as dívidas. Há suspeitas de que desde os 12 anos ela acompanhava Andréa nos golpes praticados.

A polícia chegou a investigar também um sargento que trabalha no setor administrativo da Polícia Militar, atual companheiro da golpista. Na casa dela foram encontradas três folhas de um receituário do Hospital da PM, o que atraiu a desconfiança dos policiais. Mas, segundo o delegado, a caloteira assumiu que acompanhava a mãe dele em consultas ao hospital. “Em uma dessas visitas ela disse que aproveitou a distração dos funcionários e subtraiu as três folhas”, afirma o delegado. Um bloco de atestados em branco e um carimbo de um médico de uma clínica do Bairro Cruzeiro também foram encontrados. Ao receber o documento que justificava a ausência de Andréa em uma das intimações, os agentes da Polícia Civil fizeram contato com o médico em questão, que também relatou ter sido vítima de falsificação de documento. Ela está presa preventivamente à disposição da Justiça no Ceresp Centro-Sul.


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