
O crime ocorreu no dia 23 de outubro no Bairro Bicas Velhas. Milta e Wanderley, que era usuário de drogas, moravam juntos há três meses. A mulher decidiu comprar uma moto para o companheiro e pediu dinheiro emprestado para um agiota da região, jovem criado como filho por uma grande amiga dela e companheira de forró, conhecida como “baiana”. Segundo o delegado Enrique Solla, “baiana” fazia muitas caridades na região e tinha vários filhos adotivos, entre eles o homem identificado apenas de “Eduardo”, que emprestou o dinheiro para Milta.
A vítima ajudava o filho adotivo a cobrar as dívidas com moradores do bairro. Como Milta não tinha o dinheiro para pagar a quantia, ela arquitetou o plano de matar a amiga e se livrar da dívida, simulando um assalto. Ela convidou a amiga para ir a um bar, tomaram refrigerante e comeram uma porção e, na volta, foram abordadas por Vanderley. Ele a pegou pelas costas, deu um golpe na cabeça dela com uma barra de ferro e a espancou até a morte. Em seguida, eles roubaram 1,5 mil que estavam no sutiã da vítima.
Após o crime, os dois ainda passaram na padaria para comprar pão e foram juntos para casa. Uma pessoa encontrou a mulher morta e acionou a polícia militar relatando que ela teria sofrido um acidente, considerando a destruição do corpo. “Foi uma morte cruel, brutal e não temos nem como mensurar o quanto ela sofreu” , afirma o delegado. Durante a noite, o filho da vítima ligou para Milta para saber o paradeiro da mãe adotiva e ela inventou que um homem em um carro preto teria buscado ela depois que saíram do local e disse, ainda, que teria pago a dívida dos R$ 3,5 mil naquele dia.
No dia seguinte, a polícia civil chegou até uma câmera de segurança de uma casa próxima ao local, que registrou o assassinato. Milta não apareceu nas imagens já que, no momento em que Vanderley apareceu, ela voltou para o bar e buscou um celular que havia esquecido na mesa. O homem foi localizado e preso em flagrante e a mulher o apontou como único responsável pelo crime.
Durante as investigações, a polícia pressionou Milta, alegando ter pedido a quebra de sigilo das ligações dela e de Vanderley, que a telefonou várias vezes na noite do crime para combinar o local da abordagem. Embora ainda atribua a culpa do assassinato a Vanderley, a mulher acabou explicando como foi a dinâmica do assassinato, caiu em contradição, e foi presa nessa segunda-feira. Ela será levada para o presídio Bicas 2 e irá responder por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e traição.
