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Estado de Minas ATUALIZAR OU PERDER O RUMO

Usuário de GPS deve manter sempre a versão mais atualizada

Além de optar por aparelho de qualidade, usuários de GPS devem manter sempre a versão mais nova do programa, que traz as mais recentes mudanças de trânsito e obras na cidade


postado em 02/09/2013 06:00 / atualizado em 02/09/2013 06:48

Guilherme Paranaiba e Patricia Giudice


Morando em BH há cinco meses, Nádia Barbosa não abre mão da tecnologia para se orientar, mas já caiu em ciladas guiada pelas coordenadas do sistema de satélites(foto: JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS)
Morando em BH há cinco meses, Nádia Barbosa não abre mão da tecnologia para se orientar, mas já caiu em ciladas guiada pelas coordenadas do sistema de satélites (foto: JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS)

Todo usuário de GPS tem uma história para contar de um dia em que se guiou pelo sistema do carro e acabou perdido. A rua que é contramão, a outra que não tem saída, a conversão para um lugar em que não há acesso ou a entrada em ruelas sem retorno são situações que frequentemente estão no mapa de quem depende do serviço. As reclamações aumentam na mesma velocidade em que o serviço se populariza – até 2012, a expectativa era que a venda de aparelhos de celular com sistema de posicionamento global ultrapassasse 550 milhões de unidades no mundo. Especialistas afirmam que, além de atualizar constantemente o mapa usado, o conjunto deve ser de qualidade. Ou seja, uma empresa pode fornecer mapas mais detalhados, enquanto outras nem tanto. E isso acaba se transformando em confusão para o usuário.

Um dos grandes problemas do GPS que não funciona é a falta de atualização constante do software. A periodicidade depende do tempo recomendado pelo fabricante de cada aparelho, mas é preciso entrar no site indicado e baixar o aplicativo novamente. A ideia é que a todo momento as empresas que trabalham com os dados geográficos refaçam os trajetos e incluam ruas abertas pelas prefeituras, viadutos construídos, mudanças de mão e contramão, a canalização de um rio, uma ponte construída, um radar de avanço de velocidade, enfim, todas as mudanças frequentes nas cidades.

Quem usa o GPS no smartphone fica mais tranquilo. O aplicativo é atualizado automaticamente e não demanda esforço do usuário. Segundo o doutor em geoprocessamento e professor do Departamento de Engenharia de Transportes e Geotecnia da Escola de Engenharia da UFMG, Marcelo Franco Porto, esses programas são mais sofisticados, e alguns já indicam até onde há engarrafamentos. No entanto, nem esses estão livres de erros. Isso porque o usuário baixa um aplicativo ou ele vem integrado ao aparelho cujos mapas podem não ter tanta precisão. “Poucas empresas fazem os mapas e vendem para outras, que prestam o serviço. Elas estão empenhadas em atualizar os dados, mas é um serviço oneroso e há empresas de qualidades diferentes, com serviços melhores que outras, e mapas com resolução, cobertura e taxa de atualização diferenciadas”, explicou.

Nessa diferença podem se esconder situações como aquela em que o GPS manda fazer uma conversão proibida, como passar sobre o canteiro central de uma avenida movimentada. Segundo Marcelo Franco, uma explicação para esses casos é que a base de dados usada identifica um eixo, uma rota possível onde, por exemplo, pode existir apenas passagens para pedestres, confundidas com ruas pelo sistema.
 
OBSTÁCULOS O mesmo ocorre com vias muito íngremes, não especificadas em todos os mapas. A administradora de empresas Nádia Barbosa, de 25 anos, passou por uma situação dessas. Ela mora em Belo Horizonte há apenas cinco meses, desde que se mudou de Tiradentes, no Campo das Vertentes. Para se orientar no trânsito da capital, usa seu GPS o tempo todo. Por várias vezes ficou perdida, mas em uma das aventuras o aparelho indicou uma via com um “obstáculo natural”. Ela seguiu e se deparou com uma rua, segundo ela, impossível de subir de carro. “Era uma rua muito íngreme. Tive que pedir informação para conseguir chegar ao destino”, disse ela, que ia para uma festa no Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de BH, com uma amiga.

O fato de conhecer pouco áreas que não estão no trajeto simples entre a casa dela, no Bairro Anchieta, e o trabalho, no Funcionários, já a colocou em situações complicadas. “Entrei numa rua que era contramão por orientação do aparelho. Como era uma via de menos movimento, acabei seguindo, mas isso é muito perigoso”, contou. No geral, ela considera que o principal problema são caminhos indicados na tela, mas proibidos na prática. "Como há muita mudança de mão e contramão, de radares e até mesmo obras, o GPS costuma informar caminhos que não podem ser usados naquele momento”, acrescenta. Ainda assim, ela não vive sem o dispositivo. “Mesmo tendo suas limitações, me auxilia bastante”, completa.

São diversas marcas de vários fabricantes e cada um com uma qualidade de mapeamento, mas todos eles apresentam problemas, segundo o professor do Departamento de Cartografia da UFMG Marcos Antônio Timbó Elmiro. De acordo com ele, o GPS de navegação em carros ainda dá uma incerteza de três a cinco metros do lugar em que está o usuário, ou pelo qual ele procura, o que pode gerar uma indicação errada. “O erro do mapa é o mais básico. O fabricante do GPS com o sistema de mapas e o aparelho vai se basear do que for fornecido por eles. Se indica que tem uma rua e na verdade ela não existe, é uma falha no levantamento dos dados. O mapa tem que ser preciso em termos de qualidade, isso não é um problema do GPS”, explicou.

Uso do sistema divide taxistas

Trafegando diariamente por diferentes endereços de Belo Horizonte, os taxistas se dividem quando o assunto é a adesão ao GPS. Enquanto alguns optam pelo conhecimento adquirido ao longo dos anos e rejeitam a tecnologia, há quem não dispense a ajuda eletrônica. O taxista Cláudio Silva de Oliveira, de 37 anos, está no time dos que não são fãs do sistema. “Acho que não uso porque não tenho o hábito. Também não vejo necessidade em minha rotina”, afirma.

Há 40 anos dirigindo na praça em BH, Jair Francisco, de 70, não usa GPS, mas também não é radical. “Conheço a cidade como a palma da minha mão, mas sei que o taxista não é obrigado a saber todos os endereços. Considero um aparelho útil, mas que não é necessário para a profissão”, diz ele. Já Ernani Júlio de Oliveira, de 56, tem um aparelho em seu veículo e não sai sem digitar o endereço para o qual está seguindo. “Acho uma tecnologia sensacional e a uso bastante. Não creio que atrapalhe os motoristas. Se chegar a um lugar que não é permitido seguir do jeito que ele está mandando, basta retomar a rota”, avalia.

Apesar de também ser antigo na praça, Hélio Cristóvão Ferreira, há 30 anos na profissão, também é adepto do sistema, mas aponta os principais erros. “Às vezes, realmente ocorre de a prefeitura alterar a circulação e você ficar perdido por isso. O que eu mais vejo que atrapalha é a numeração em uma rua. Em muitos casos o GPS manda para mais longe do endereço real. Acho muito bom para quem já conhece o trânsito. Nesse caso, o motorista não depende totalmente do aparelho, apenas o usa como auxílio”, completa. (GP)

Consumidor pode procurar o Procon


Poucos sabem, mas erros do GPS estão na lista das relações de consumo. Isso quer dizer que as empresas que não prestarem o serviço adequadamente podem ser punidas com multa de R$ 400 a R$ 6 milhões, de acordo com seu faturamento. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, o produto vendido tem que estar adequado ao fim para o qual foi criado. “Se foi criado para orientar, não pode errar”, afirma o coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa.

O primeiro passo é procurar a empresa que vendeu o software ou o aparelho de GPS. Se o erro levou a algum dano, como um acidente provocado pelo acesso a uma rua com indicação errada, procurar o Procon é uma forma de ser ressarcido do prejuízo. No entanto, o coordenador indica que, na hora de comprar o produto, é preciso saber se ele tem assistência técnica no Brasil e se há orientação sobre a necessidade constante de atualização. A empresa que fornece os mapas também pode ser responsabilizada.

Segundo a coordenadora do Procon Municipal, Maria Laura Santos, se os aplicativos baixados gratuitamente apresentarem problemas, o jeito é recorrer direto ao fornecedor, por se tratar de uma prestação de serviços não onerosa. Mesmo assim, o Procon pode notificar a empresa que está prestando informação incorreta. (PG)


Desorientados


Situações demonstram que confiar cegamente nas orientações do GPS pode ser perigoso e até fatal

No início de junho, uma economista de 52 anos seguia o caminho indicado no GPS do carro quando entrou numa comunidade de São Vicente, no litoral de São Paulo. Ela foi baleada na cabeça e morreu. Ela viajava de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para São Vicente.

Em maio, um paulista entrou por engano na favela do Morro do 18, Água Santa, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e foi baleado. Ele seguia as coordenadas do GPS do carro. De acordo com a polícia, ele ainda tentou retornar, mas se deparou com um grupo de traficantes armados com fuzis, que dispararam contra o carro.

Em janeiro, uma idosa da Bélgica seguia da sua cidade, no interior, até a capital, Bruxelas. Era um percurso de 61 quilômetros, mas, confiando no seu GPS, a mulher de 67 anos dirigiu 1.450. Perdida, dois dias depois ela chegou a Zagreb, capital da Croácia. Seguindo o aparelho, que apresentou problemas, ela passou por cidades da França, Alemanha e Áustria.


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