Guilherme Paranaiba

A partir de falhas relatadas por motoristas, a equipe do Estado de Minas foi às ruas de Belo Horizonte e testou dois aparelhos de marcas diferentes, constatando problemas em ambos. O primeiro avaliado foi um telefone celular de uma das empresas líder do mercado internacional, usando o software de mapas de outra empresa que é referência no ramo. O outro foi um dispositivo que funciona apenas como GPS. Para os dois foram lançados três trajetos cada, somando seis possibilidades diferentes. O resultado foram quatro erros e dois acertos, mostrando que o usuário deve estar atento quando recorrer aos meios eletrônicos para chegar até o destino.
No primeiro trajeto, o veículo saiu da Avenida Antônio Carlos no sentido Centro, logo após o Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), no Bairro São Cristóvão, Noroeste da cidade, e seguiu rumo ao câmpus do Centro Universitário Uni-BH, na Rua Diamantina, Bairro Lagoinha, na mesma região. Pelas indicações do smartphone, bastava entrar à direita na Rua Rio Novo, direita novamente na Rua Itapecerica e mais uma vez à direita na Comendador Nhome Salomão, atravessar a Antônio Carlos e chegar à Rua Diamantina. O caminho seria excepcional se o motorista pudesse ignorar os canteiros centrais da Antônio Carlos, além do trânsito pesado de ônibus e carros em mais de 10 faixas a serem transpostas, em um ponto em que não há travessia para carros. Como se não bastasse, ainda há um barranco para ser vencido até a Rua Diamantina. Nesse caso, a orientação do segundo aparelho, que funciona apenas como GPS, foi correta. Ele indicou o caminho até a Rua Formiga, com acesso ao Viaduto Angola, que faz a transposição da Antônio Carlos.
No segundo trajeto, ambos os dispositivos foram reprovados. Saindo da Avenida Afonso Pena, sentido Mangabeiras, na altura do cruzamento com a Rua Rio Grande do Norte, no Bairro Funcionários, Centro-Sul de BH, a ordem dada aos aparelhos foi de seguir até a sede do EM, na Avenida Getúlio Vargas, 291, mesmo bairro e região. O celular indicou uma conversão à esquerda na Getúlio Vargas, movimento proibido e capaz de causar acidentes graves caso o condutor resolva seguir a instrução. Já a opção do GPS começou correta, orientando uma conversão no semáforo da Afonso Pena com a Rua Santa Rita Durão. Porém, falhou ao mandar o motorista seguir pela Rua Piauí, não detectando que o acesso à Getúlio Vargas é impossível por esse trajeto, o que obrigou o condutor a retornar para refazer a rota.
NA CONTRAMÃO Por fim, a equipe de reportagem se posicionou na Avenida Professor Mário Werneck sentido Anel Rodoviário, em frente ao Restaurante Rancho Fundo, no Bairro Buritis, Região Oeste. Dado o comando para acessar a Rua Professora Bartira Mourão, via de saída do bairro, apenas o modelo que funciona exclusivamente como GPS indicou o caminho correto, dando a volta pela Rua Ernani Agrícola até chegar à mão correta. O celular sinalizou o caminho antigo, antes da mudança de circulação feita pela BHTrans, que tornou o tráfego de mão única.
Atrasado para um jogo de futebol com amigos, o designer gráfico Leonardo Freitas, de 25 anos, recorreu a um GPS de uma terceira marca na última quinta-feira para ir à Rua Oscar Trompowski, 1.006, no Bairro Gutierrez, Oeste da capital. Quando chegou à região, o motorista encontrou a primeira dificuldade, pois não se lembrava da grafia correta para ordenar o itinerário. Como o modelo só aceita a busca pelo nome exato do destino, ele precisou fazer uma busca no mapa do aparelho. Depois de encontrar a via, foi orientado a entrar em ruas que tinham sentido proibido. “Quando consegui chegar à rua certa, o GPS acabou me mandando bem mais para baixo do que o endereço que eu precisava. Como a via só desce, acabei deixando o carro e voltando a pé.”

