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Estado de Minas

Faltam médicos em cidades do interior do país

Em meio a embate sobre contratação de estrangeiros, quem mora nos rincões do estado sofre com a falta não só de médicos, mas também de condições para se tratar nos grandes centros


postado em 07/07/2013 00:12 / atualizado em 07/07/2013 07:22

Luiz Ribeiro

Se falta entendimento entre governo federal e entidades médicas quanto à melhor forma de solucionar o déficit de profissionais no país, especialmente em cidades do interior, uma constatação parece ser consenso: a dificuldade de conseguir uma consulta médica é diretamente proporcional à distância de cada município dos maiores polos urbanos. E é exatamente nesses lugares considerados pouco atraentes pelos profissionais que está a população mais carente e com maior dificuldade de se deslocar até cidades com melhor estrutura de saúde. O problema é sentido na pele pelos 6,1 mil moradores de Juvenília, a 810 quilômetros de Belo Horizonte, na divisa com a Bahia, extremo Norte do estado. Há dois meses não é prestado nenhum atendimento na Unidade Básica de Saúde local, que representa toda a estrutura assistencial do município, pois o único médico que trabalhava na cidade pediu contas e se mudou para o Ceará.

O prefeito Expedito da Mota Pinheiro, o Péu (DEM), informa que ainda no princípio de maio começou a procurar outro médico, oferecendo salário de R$ 16 mil por mês. Apesar de não conseguir convencer nenhum profissional, mesmo oferecendo salário atraente, o prefeito não aprova a proposta do governo federal de importação de médicos de Cuba. “Acho que deveriam incentivar a contratação de brasileiros mesmo. Mas é preciso elevar arrecadação de cidades pequenas como a nossa, que vive exclusivamente do Fundo de Participação dos Municípios, para que tenhamos condição de melhorar a nossa estrutura de saúde e contratar mais médicos”, diz.

Enquanto não entra mais dinheiro no cofre, é o prefeito quem exporta seus doentes de ambulância para Montalvânia, cidade de 16 mil habitantes, a 29 quilômetros de distância, que tem apenas um profissional, e atendendo fora da sede. Casos mais graves são mandados para Montes Claros, a 390 quilômetros de Juvenília.

A dificuldade para contratar médicos é enfrentada da mesma forma pelos 4,9 mil habitantes de Miravânia, também no Norte de Minas, a 711 quilômetros da Capital. O prefeito Raimundo Nonato Luna (DEM) diz que, para despertar interesse da categoria, elevou para R$ 21 mil o salário de um médico clínico geral no município. Mesmo assim, a proposta não pareceu tão tentadora. Apenas uma das duas unidades do Programa de Saúde da Família (PSF) conta com médico atendendo diariamente. A outra não oferece consultas há dois meses. A secretária municipal de Saúde, Idalina Mota, informou que amenizará a situação com quatro acadêmicos de medicina que iniciarão estágio no município neste mês. “Foi uma salvação para a gente”, comemora Idalina.


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