Luiz Ribeiro
Se falta entendimento entre governo federal e entidades médicas quanto à melhor forma de solucionar o déficit de profissionais no país, especialmente em cidades do interior, uma constatação parece ser consenso: a dificuldade de conseguir uma consulta médica é diretamente proporcional à distância de cada município dos maiores polos urbanos. E é exatamente nesses lugares considerados pouco atraentes pelos profissionais que está a população mais carente e com maior dificuldade de se deslocar até cidades com melhor estrutura de saúde. O problema é sentido na pele pelos 6,1 mil moradores de Juvenília, a 810 quilômetros de Belo Horizonte, na divisa com a Bahia, extremo Norte do estado. Há dois meses não é prestado nenhum atendimento na Unidade Básica de Saúde local, que representa toda a estrutura assistencial do município, pois o único médico que trabalhava na cidade pediu contas e se mudou para o Ceará.
Enquanto não entra mais dinheiro no cofre, é o prefeito quem exporta seus doentes de ambulância para Montalvânia, cidade de 16 mil habitantes, a 29 quilômetros de distância, que tem apenas um profissional, e atendendo fora da sede. Casos mais graves são mandados para Montes Claros, a 390 quilômetros de Juvenília.
A dificuldade para contratar médicos é enfrentada da mesma forma pelos 4,9 mil habitantes de Miravânia, também no Norte de Minas, a 711 quilômetros da Capital. O prefeito Raimundo Nonato Luna (DEM) diz que, para despertar interesse da categoria, elevou para R$ 21 mil o salário de um médico clínico geral no município. Mesmo assim, a proposta não pareceu tão tentadora. Apenas uma das duas unidades do Programa de Saúde da Família (PSF) conta com médico atendendo diariamente. A outra não oferece consultas há dois meses. A secretária municipal de Saúde, Idalina Mota, informou que amenizará a situação com quatro acadêmicos de medicina que iniciarão estágio no município neste mês. “Foi uma salvação para a gente”, comemora Idalina.

