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Estado de Minas

PBH propõe ao Ibama plano para remover capivaras da Pampulha

Prefeitura propõe ao Ibama plano para remanejar parte dos mamíferos na Pampulha e evitar devastação de jardins do paisagista Burle Marx e transtornos a esportistas e visitantes da orla


postado em 05/07/2013 06:00 / atualizado em 05/07/2013 07:12

 

(foto: Beto Magalhaes/EM/D.A Press.)
(foto: Beto Magalhaes/EM/D.A Press.)

 

O remanejamento de parte do bando de capivaras, que infesta a Lagoa da Pampulha e destruiu jardins do paisagista Burle Marx, foi a solução proposta ontem pelo vice-prefeito de Belo Horizonte, Délio Malheiros, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “Vamos fazer um plano de manejo de forma a preservar a biodiversidade e retirar o excesso de mamíferos. Tudo será feito com autorização do Ibama, por um processo licitatório”, disse Malheiros, ao informar que licitação, para contratação de uma empresa especializada, deve ficar pronta até o mês que vem. Na próxima semana, o prefeitura pretende apresentar ao Ibama termo de referência detalhando suas propostas.

O vice-prefeito admitiu que não há para onde levar as capivaras e tranquilizou a população, informando não haver confirmação de febre maculosa na capital causada por carrapatos. “Se houvesse certeza de algum espécime doente, hospedeiro do carrapato, esse processo de retirada dos animais já seria imediatamente providenciado. Temos um atestado da Fiocruz de que não há esse problema”, afirmou.

"Elas não incomodam, mas comem de tudo que acham pela frente. Sou a favor da retirada delas" - Júlio César Mamede Rocha, advogado (foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press)


Cercas

Mesmo assim, a transferência das capivaras será feita o mais rápido possível, segundo ele, porque os roedores estão destruindo os jardins recém-restaurados de Burle Marx. “As capivaras que estragam os jardins serão as primeiras a ser retiradas, para não causar tantos prejuízos. Também vamos providenciar o cercamento dos jardins, até que o edital seja publicado e a empresa contratada faça o plano de manejo”, acrescentou.

O planejamento é aguardado pelo Ibama desde fevereiro. O atraso, segundo Malheiros, deve-se ao fato de não ser um processo fácil. “Não sabemos quantas capivaras são e para fazer o edital é preciso ter um número estimado. Eram cerca de 170, mas outras chegam à lagoa pelos córregos de Contagem”, disse.

A empresa vencedora da licitação do plano também ficará responsável pelo remanejamento e controle dos número de animais no entorno da lagoa. O edital vai estabelecer ainda que cada animal capturado seja avaliado do ponto de vista epidemiológico. Os roedores doentes serão abatidos e incinerados, segundo Malheiros.

Segundo o analista ambiental Júnio Augusto dos Santos Silva, do Núcleo de Fauna Silvestre do Ibama, a capivara existe em todos os cursos d’água do país, sempre em grupos de até 40 animais. “Os filhotes crescem e abandonam o grupo”, explicou.


Moradores a favor e contra

Há 11 anos, o Ibama autorizou o município a retirar as capivaras da Pampulha. Em 2010, a prefeitura fez nova solicitação em relação à superpopulação dos animais no Parque José Lins do Rêgo, criado em ilha, que se tornou ambiente propício para os animais. Na época, 77 capivaras foram levadas para criatórios comerciais, como estabelece a lei. “Os animais vão compor um plantel de matrizes desses criadouros. Não vão para o abate. Vão reproduzir e o criador pode abater os animais oriundos do cruzamento”, explicou o analista ambiental Júnio dos Santos Silva.

Moradores e frequentadores da Pampulha são contra o extermínio ou retirada de todas as capivaras da lagoa, apesar dos problemas causados, como sujeira nas calçadas e acidentes de trânsito na Avenida Otacílio Negrão de Lima. “Elas estão incorporadas à natureza”, disse a vendedora Natália Pinto. Para o administrador Wellington Aubert, de 30, as capivaras devem permanecer na lagoa, mas sob controle. “Elas tornam a lagoa mais atrativa”, afirma o companheiro dele, Eduardo Aubert, de 31.

 Para eles, deve ser feito um estudo para definir a quantidade ideal de animais na lagoa. Para Wellington, as capivaras são perigosas para o trânsito de veículos. “Quase atropelei uma delas uma vez. Elas podem causar acidentes graves”, alerta.

O advogado Júlio César Mamede Rocha, de 45, pratica esportes na orla da lagoa e se sente incomodado com as fezes no passeio. “Elas não incomodam, mas comem de tudo que acham pela frente. Sou a favor da retirada delas”, disse o advogado. “Ouvi dizer que um visitante do parque morreu de febre maculosa. As capivaras podem ser uma ameaça, principalmente nesse período de férias escolares e com muitas crianças no parque”, disse Júlio César. O empresário Lúcio Fonseca Abdo, de 44, está impressionado com o aumento das capivaras na lagoa. “A sujeira que elas deixam me incomoda”, disse. (PF)


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